Em busca da exposição perdida do Palácio Gustavo Capanema
Dizem que na vida devemos transformar tragédia em comédia, mas que tal tragédia em divulgação científica?
Ano passado me inscrevi para expor no Festival de Arte e Cultura do IFRJ – 1ª Edição que ocorreria no Palácio Gustavo Capanema. Minha ideia inicial era levar uma mesa de RPG para o evento, escrevi o projeto bonitinho, mas as datas precisaram ser alteradas, e o que ocorreria no meio das férias, mudou para o meio do semestre. Daí a minha situação, cuidando de uma bebê, trabalhando e com minha esposa estudando, exigiu que eu mudasse a proposta para algo que não demandasse de mim, ficar lá por 4-6 horas narrando uma aventura.
Pensei logo em expor alguns desafios de matemática, como quadros frente-verso. Na frente teríamos o desafio, e virando o quadro, sua resolução. Escrevi a nova proposta, e foi aceita com ressalvas, a organização queria mais detalhes e materiais dessa proposta, assim, precisei logo começar a montá-las de verdade (e não só no plano das ideias). Mas então me dei conta de que havia algo de mais divertido a ser feito, pois como alguns desafios de matemática admitem formas distintas de raciocínio para chegar na mesma resolução, apenas duas faces não seriam suficientes…
Se um desafio tem duas soluções distintas (em raciocínio), poderia então apresentá-lo como um prisma de base triangular:

Essas folhas seriam posteriormente unidas com fita crepe, e usando clipes de papel e fio de nylon, construiria uma espécie de cabide, por onde ela poderia seria pendurada.
Comecei a construção dessas obras, quando já ao final da terceira, percebi que havia uma terceira resolução possível de raciocínio distinto. Não quis ignorá-la, pois a achei bastante estética e que valorizava o trabalho. Mas um prisma de base triangular já não seria o suficiente para sustentar essas 4 faces, por isso, mudei para um prisma de base quadrangular.

A ideia parecia boa, mas na hora de pendurar, a própria flexibibilidade do papel (mesmo de gramatura alta), fez as obras ficarem formas ainda mais peculiares, Elas se repuxavam para dentro, como apresentarei abaixo:
Desafio 263



Desafio 373




Desafio 413



Quando falo em tragédia, é que fiquei na espera de uma resposta sobre este aceite, e nada. Achei que a organização não havia concordado com essa exposição, pois não entraram mais em contato sobre o envio das obras, termos de exposição para assinar… Até o dia da exposição, quando fui olhara a programação para ver se havia alguém ali que eu conhecia expondo, quando vejo minha exposição “Estéticas não-sensoriais”. Entrei em contato para saber se era um erro, ou se tinha sido aceita, e disseram que sim, que estavam aguardando a obra para expor. Mandei um uber flash levar, e deu tudo certo :3
Ou quase…
Passaram-se os dias desde que o evento acabou, os expositores foram recebendo seus certificados de apresentação e as obras de volta…. mas eu não recebi nem certificado, e nem vi minhas obras de volta. Tentei contato, com a Extensão do IFRJ, mas nada. E hoje, enviei de novo um e-mail pedindo minhas oras de volta (vamos ver se dessa vez dá certo). Enfim, mesmo que não dê, isso rendeu um post sobre desafios de matemática ocupando espaços de obras de arte (uma pena que essas 10 fotos sejam o único registro que tenho desses quadros).
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Como referenciar este conteúdo em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023/2018):
SILVA, Emanuelly de Paula Dias da. Em busca da exposição perdida do Palácio Gustavo Capanema. In: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Zero – Blog de Ciência da Unicamp. Volume 15. Ed. 1. 1º semestre de 2026. Campinas, 22 de Janeiro de 2025. Disponível em: https://www.blogs.unicamp.br/zero/6227/. Acesso em: <data-de-hoje>.
