Entrevista ao PROCEL INFO

Gilberto Jannuzzi, da Unicamp: novos rumos para medição e verificação    12.08.09

Especialista trabalha para estabelecer metodologias de M&V adapatadas à realidade e às condições do país. Objetivo é dar mais transparência aos programas de eficiência energética

Alexandre Canazio, para o Procel Info

Gilberto Jannuzzi: mais transparência aos programas de eficiência energética

O resultado dos programas de eficiência energética realizados pelas distribuidoras de energia elétrica do país sempre levantaram dúvidas sobre sua real eficácia. Para dirimir esses questionamentos e tornar efetivo os resultados, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está promovendo mudanças na metodologia de Medição e Verificação dos projetos. Essas modificações vieram no rastro da nova norma para o desenvolvimento do programa compulsório das concessionárias de distribuição.
"Já se passaram mais de dez anos nesse regime e não é possível continuar a avançar na melhoria desses investimentos sem uma devida avaliação dos programas", explica Gilberto Jannuzzi, professor associado de Sistemas de Energia da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade de Campinas (Fem/Unicamp), que fez parte do grupo de trabalho que sugeriu as mudanças à Aneel. Agora, o professor está colaborando com a elaboração de metodologia de M&V para os projetos de baixa renda de algumas distribuidoras.
Jannuzzi salientou que as regras estão, no momento, em detalhamento. "Estamos acumulando maior experiência para poder estabelecer metodologias de Medição e Verificação adaptadas à nossa realidade e às condições do nosso mercado consumidor", conta o professor. E completa: "Em breve creio que teremos maior transparência sobre os reais impactos desses programas e seu custo/benefício para a sociedade". Veja abaixo a entrevista com o professor Jannuzzi:

Procel Info – A Aneel estabeleceu, recentemente, novos procedimentos para Medição e Verificação. Por que essas alterações foram realizadas?
Gilberto Jannuzzi – As concessionárias vêm investindo uma quantia bastante apreciável de recursos coletados de seus consumidores e até o momento não temos procedimentos para avaliar de maneira mais rigorosa quanto de eletricidade está sendo conservada e qual o custo disso. Já se passaram mais de dez anos nesse regime e não é possível continuar a avançar na melhoria desses investimentos sem uma devida avaliação dos programas.

Procel Info – O que mudou nos procedimentos?
Gilberto Jannuzzi – Alguns procedimentos foram facilitados, evitando muito a burocracia do passado e focando mais na demonstração de resultados dos programas. A grande mudança foi que antes era exigido que as companhias apresentassem uma bateria de programas todos os anos. Hoje, elas podem apresentar um programa de três anos, economizando assim esse tempo burocrático. E a Aneel diminuiu bastante as exigências para aprovação ex-ante do programa. Ela está focando muito mais na avaliação do programa feito, não na proposta. Com isso, a Aneel fica mais segura de que está validando os programas que tiveram efetivamente resultado e não em uma proposta, que pode ter problemas na implantação, comprometendo o resultado.

"As concessionárias vêm investindo uma quantia bastante apreciável de recursos coletados de seus consumidores e até o momento não temos procedimentos para avaliar de maneira mais rigorosa quanto de eletricidade está sendo conservada e qual o custo disso", diz Januzzi

Procel Info – Com essas mudanças, o que se pode esperar em termos de resultados para os projetos de eficiência energética?
Gilberto Jannuzzi – Esperamos que, com isso, seja possível direcionar mais recursos para programas que consigam ter maior eficiência operacional, custem menos e consigam conservar mais eletricidade.

Procel Info – As novas regras trarão mais confiabilidade aos resultados dos projetos de eficiência energética?
Gilberto Jannuzzi – Os detalhes das regras ainda estão sendo elaborados. Estamos acumulando maior experiência para poder estabelecer metodologias de medição e aferição adaptadas à nossa realidade e às condições do nosso mercado consumidor. Em breve creio que teremos maior transparência sobre os reais impactos desses programas e seu custo/benefício para a sociedade.

Procel Info – Como está o avanço do detalhamento dessas regras?
Gilberto Jannuzzi – Precisamos estabelecer os procedimentos de metodologia de como melhor avaliar esses programas. Como existem vários tipos de programas de eficiência – troca de geladeira, melhora de eficiência em motores da indústria -, cada um deles tem uma rotina de levantamento de dados, de levantamento de informações técnicas, para ter alguma referência para contabilizar o sucesso ou não.

Procel Info – Como o senhor avalia o investimento em eficiência energética no país?
Gilberto Jannuzzi – Os recursos que são investidos através das concessionárias são significativos e importantes, não há dúvida. Mas o potencial que ainda temos é bastante grande, especialmente se incluirmos os combustíveis.

Procel Info – A incorporação de novas tecnologias tem contribuído para a aceleração dos ganhos com eficiência energética?
Gilberto Jannuzzi – Sim. Alguns segmentos de equipamentos têm melhorado muito sua eficiência energética e estão sendo disponibilizados no mercado brasileiro, como é o caso das geladeiras, por exemplo.

Gilberto de Martino Jannuzzi é professor associado de Sistemas de Energia no Departamento de Energia da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas. Jannuzzi concluiu doutorado em Energy Studies na Universidade de Cambridge em 1985.

Gilberto

Professor Titular em Sistemas Energéticos do Departamento de Energia, Faculdade de Engenharia Mecânica da UNICAMP (Universidade de Campinas), Pesquisador Sênior do Núcleo Interdisciplinar de Energia da UNICAMP (NIPE-UNICAMP). Diretor Executivo da International Energy Initiative-IEI, uma pequena, organização não-governamental internacional, independente e de utilidade pública conduzida por especialistas em energia, reconhecidos internacionalmente e com escritórios regionais e programas na América Latina, África e Ásia. O IEI é responsável pela edição do periódico Energy for Sustainable Development, da editora Elsevier.

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