Decreto assinado no último dia 6 qualifica como organização sem fins lucrativos será instalada no Parque Tecnológico da UFRJ

Por Livia Savoia

O Brasil está no ranking dos países com menor percentual de investimento nas ciências do mar, principalmente quando se trata de ações sobre mudanças climáticas e monitoramento. Mas esse quadro deve mudar a partir da assinatura do decreto (no. 11.275) em dezembro passado que criou o Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo). 

O Inpo vai investir em pesquisa, gestão e compartilhamento de dados oceanográficos e contará com orçamento anual de R$10 milhoẽs para investimentos em estudos do mar. Em breve, o instituto deverá mudar de nome para Instituto Nacional do Mar (Inmar). 

Em 2021, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) lançou edital para o recebimento de propostas, respondendo a uma demanda da Década do Oceano, evento mundial organizado pela Unesco para garantir a recuperação da saúde do oceano até 2030. 

Com o decreto, o país poderá finalmente investir nos processos oceanográficos, que têm influência direta no desenvolvimento nacional. “O Inpo irá agregar os esforços da comunidade científica e tecnológica para ampliar o conhecimento sobre os oceanos e contribuir para os grandes desafios da preservação e dos impactos causados pelas mudanças climáticas”, enfatizou o diretor-geral do instituto, Segen Estefen, professor titular de estruturas oceânicas e engenharia submarina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a assessoria do MCTI.

O novo instituto deverá ficar locado dentro do Programa Ciência do Mar do MCTI, mas esperamos que o oceano literalmente invada muitos outros ministérios, a exemplo do recém renomeado Ministério do Meio Ambiente e de Mudanças do Clima, na nova gestão do presidente Lula.

O conhecimento sobre a vida oceânica pelo mundo ainda é limitado e seu avanço se faz urgente. Cerca de 80% do oceano ainda não foi mapeado e cientistas estimam que apenas 5% das espécies tenham sido catalogadas.


Germana Barata

Jornalista de ciência, mestre e doutora em história social. É pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri) da Unicamp e editora dos blogs Ciência em Revista e Um Oceano.

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