por

Código ENEM – o padrão secreto da prova

No último domingo (03 de novembro de 2019) mais de 3.900.000 pessoas realizaram a primeira prova do famoso ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e se preparam para a segunda prova que ocorrerá no próximo domingo (10 de novembro de 2019).

Trouxemos para você neste post um segredo sobre o padrão das alternativas utilizadas na primeira prova e que poderá se manter na segunda.

Nos baseamos no caderno amarelo e no gabarito extra-oficial que lançaram um dia após a prova. Então leia com atenção, pois as dicas deste post poderão te dar aquele pontinho que você tanto precisa!

Observação, fizemos nossas análises considerando as 5 questões de inglês junto com as 5 questões de espanhol, assim tratamos de uma prova de 95 questões.

Distribuição das alternativas

É de se esperar que em uma prova “equilibrada” caso escolhamos uma mesma alternativa e marquemos ela em todas as questões, atinjamos um placar aproximado de 1/(número de opções), no caso do ENEM que são 5 opções, seria esperado então marcarmos 1/5 das respostas certas.

Pois bem, o ENEM é uma prova cujas alternativas são bem distribuídas e isto é muito favorável para quem não consegue tempo de resolver todas as questões da prova. Se a distribuição das questões fosse bem “equilibrada”, deveríamos observar que as alternativas fiquem em torno da média com um desvio para mais ou para menos.

Analisando a distribuição das questões da primeira prova, chegamos nas seguintes quantidades de ocorrências para cada alternativa:

A  B  C  D  E
20 22 22 15 16

Sendo a média dada por 95/5 = 19,

e sua variância é dada por [(19-20)²+(19-22)²+(19-22)²+(19-15)²+(19-16)²]/(número de opções) = 44/5 = 8,8.

Dessa forma, calculando o desvio padrão (raiz-quadrada-da-variância), chegamos em 2,96 (vou arredondar para 3).

Ou seja, o intervalo esperado de ocorrências para cada alternativa da primeira prova era entre 16 e 22 vezes.

Se este padrão de comportamento se manter para a segunda prova, com 90 questões a serem consideradas, podemos esperar com a média dada por 90/5 = 18, que as ocorrências de alternativas variarem entre 15 e 21 vezes.
 
Com isso, se você precisa entregar a prova e não tem tempo para resolver as questões que faltam, conte quantas vezes cada alternativa já apareceu no seu gabarito. Na hora de chutar, dê preferência para aquelas alternativas que estão com menos de 15 ocorrências, e evite aquelas alternativas que passam de 21 ocorrências.
 

Contagem de caracteres

Uma outra estratégia é contar os caracteres de cada alternativa. Sim, é trabalhoso, mas na hora do desespero eles escondem um padrão valioso.

Para preparar estas dicas para vocês, contamos os caracteres com e sem espaço das 95 questões do ENEM, e então verificamos como seria seu resultado na prova seguindo dois padrões de escolha: as alternativas com mais caracteres; alternativas com menos caracteres.

1. Mais caracteres com ou sem espaço: acerta 12 de 95.

2. Menos caracteres com ou sem espaço: acerta 25 de 95.

Mas não paramos por aqui… lembra do conceito de mediana?

Para encontrar a mediana, você precisa listar os valores do maior pro menor (ou o contrário) e escolher aquele que se encontra na metade da lista. No caso das alternativas do ENEM, seria na 3a posição.
 
Exemplo: a questão 90 do caderno amarelo teve as alternativas divididas por caracteres da seguinte maneira.
A) 21
B) 20
C) 24
D) 30
E) 30
 
Ordenando pela quantidade de caracteres chegamos em B-A-C-D-E ou B-A-C-E-D, em ambas as situações, a alternativa na mediana é a C, que é neste caso a resposta correta da questão.
 
Assim, verificamos como seria seu resultado na primeira prova escolhendo as alternativas com quantidades medianas de caracteres (com e sem espaço).
 
1. Quantidade mediana de caracteres com espaço: acerta 30 de 95.
2. Quantidade mediana de caracteres sem espaço: acerta 33 de 95.
 
Dessa forma, este segundo padrão de escolhas te proporciona um índice de acerto de aproximadamente 34,5%. Pode não parecer muito, mas são 14,5% a mais do que se fizer uma escolha ao acaso.
 
Esperamos que estas dicas ajudem.
 
Boa prova!

Comente

Comentário

    • Q bom q gostou Leo, eu imagino q isso tenha mais a ver com o modus operanti de quem desenvolve as alternativas … De acreditar q mantendo as alternativas corretas nem tão curtas e nem tão longas, evite que as pessoas acertem por sorte.

  1. Acredito que coloquem mais nas respostas medianas pois um padrão de chute que era muito utilizado era chutar nas mais curtas pois teoricamente quem fez a prova evitaria respostas mais longas que seriam mais suscetíveis a erros e anulações de questões. É só um palpite…

    • Interessante, a preocupação na resposta mais longa ser suscetível a anulação eu não havia pensado 🙂 isto geraria uma tendencia de respostas curtas, e por consequência, sua eventual evitação…

  2. O padrão encontrado em que há uma diferença em dois grupos de itens {A, B,C} e {D,E} não deve se repetir nas outras provas, pois os geradores dos itens randomizam as escolhas certas, ou deveriam fazer isto. Já o padrão de contagem de caracteres pode revelar as dificuldades dos examinadores em inventar respostas erradas. Muito interessante a sua observação.

    • Realmente, randomizar a quantidade de caracteres das respostas é algo bem mais complexo do que embaralhar os rótulos das alternativas. Também os padrões de mais ou menos caracteres devem ser facilmente identificados e por isto evitados pelos desenvolvedores das questões… o que provoca este outro comportamento padrão.