Ataque ao vampiro invasor

Começo de 1907, a família real russa comemorava a virada do ano com uma tradicional festa e troca de presentes. O Czar ganhou alguns artefatos encontrados em escavações às ruínas da antiga civilização asteca, dentre eles, uma pequena estatueta de argila. Algum tempo depois, essa estatueta rachou, sombras saíram dela e cobriram sua filha mais velha, como se entrassem pelas suas vias respiratórias, então logo mais elas sumiram.

A criança, de apenas 10 anos mudou completamente sua expressão, seus olhos meigos agora estavam frios e sua voz gélida como a morte. Ela se colocou na direção do pai com uma força que não condizia àquele tamanho, e precisou ser detida por 4 guardas em um esforço intenso para segurá-la.

O curandeiro da família, disse reconhecer os sintomas e explicou o mau que caira sobre a menina como sendo um antigo vampiro do continente americano, que se não fosse expulso daquele corpo logo, poderia matá-la durante a noite, abrindo um buraco em seu peito e caminhando até achar outro hospedeiro. O Czar horrorizado, quis saber como resolver aquilo, pois muito se preocupava com a segurança e bem-estar de seu herdeiro, de apenas 2 anos de vida.

O curandeiro explicou que infelizmente, precisava expor aquela criatura ao poder do próprio sol, mas que ela estava dentro do corpo da menina, então o sol não a atingiria exceto que fosse extraída fisicamente. Isso viria a matar a garota, mas pelo menos protegeria o restante da sua família de serem possuídos por aquela criatura. O Czar confiando plenamente em seu curandeiro e com a imagem nítida do que viu possuir sua filha e da força que ela demonstrou, autorizou-o a fazer os procedimentos. Quando um dos mentores do Czar, que era um Físico de uma universidade inglesa, e não acreditava no curandeiro, viu ali uma solução alternativa.

O Físico propôs que se a criatura fosse fraca à luz do sol, que poderiam acertar a criatura dentro da criança com a luz em uma intensidade suficiente para destruir a criatura. O curandeiro com um olhar de desprezo diante do Físico, disse que para chegar na intensidade necessária para matar aquele vampiro, do qual o acadêmico nada conhecia, precisaria de uma luz que queimaria os órgãos da criança, matando-a do mesmo jeito, só que forma mais dolorosa.

O Físico então diz que é possível concentrar essa intensidade de luz sem danos à criança. O Czar que já tinha perdido a esperança, pede que ele explique melhor. O Físico diz que baseado no que o curandeiro sabe sobre o vampiro, é possível dizer em que parte do corpo ele se encontra. Desse modo, podemos acertar o vampiro com feixes de luz que não danifiquem os órgãos da criança. Mas esses feixes sozinhos não serão suficientes para destruir o vampiro. Por isso, usaremos muitos feixes, todos atingindo a criança de diferentes ângulos, e se encontrando na posição onde supostamente a criatura esta.

O curandeiro quis descredibilizar aquela proposta, dizendo que não funcionaria, mas o Czar, que embora tivesse muita fé em seu curandeiro, disse que seu mentor era um exímio conhecedor da luz, tendo feito diversas descobertas recentes sobre o assunto e se houvesse uma chance disso funcionar, sem que sua filha morresse, então queria tentar.

Os procedimentos foram realizados às pressas e sem descanso por toda uma equipe de físicos e técnicos de confiança do mentor do Czar. Terminando a estrutura, começaram imediatamente o tratamento, enquanto a criança permanecia sedada. A sala estava cheia de equipamentos e máquinas, somado às luzes era difícil de dizer o que ocorreu. Alguns dizem ter visto um demônio na forma de fumaça agonizando ao redor da menina, mas isso pode ter sido apenas o que queriam ver.

Terminando o processo, a menina acordou e aquela presença sombria já não estava mais nela. Não tinham evidências do que era aquilo ou para onde foi, nem mesmo se aquele método foi o responsável pela cura da menina. Mas a pedido do próprio Czar, aquele assunto foi encerrado ali e mantido em segredo.

Sobre o post

Isso é um conto de ficção. A ideia para ele surgiu do capítulo 57 do manga Dr. Stone, onde com recursos primitivos os personagens procuram uma forma de derreter o Tungstênio. O problema, é que nenhum recipiente aguentava a elevada temperatura de 3.422 graus Celsius necessária para isso. A solução foi combinar todos os métodos disponíveis para aquecer aquele material, mas partindo de direções diferentes. Assim, o entorno do Tungstênio, permaneceria em uma tempetura suportável para o recipiente, enquanto o calor se acumularia apenas na intersecção entre as fontes, que é o alvo a ser derretido.

Cena da respectiva combinação de métodos (extraída de https://w17.dr-stone.net/manga/dr-stone-chapter-57/)

Também me embasei para esse conto, em uma forma de tratamento contra células cancerígenas que já existiu e foi assunto até de alguns vestibulares. A ideia é acertar as células malignas com lasers aplicados na região, mas se fosse uma aplicação direta em intensidade suficiente para destruí-las, poderia causar danos graves ao corpo do paciente. A alternativa nesse caso, era a aplicação de vários lasers vindos de ângulos diferentes e encontrando-se na região alvo. Assim, os órgãos ao entorno da região, seriam atingidos, mas não com uma intensidade que gerasse danos graves, enquanto a região de acumulação dos lasers, onde se encontram as células cancerígenas, sofreria o maior dano e proporcionando sua destruição.

Tirando um pouco da ficção do conto, o místico Grigori Rasputin começou a atuar como curandeiro do Czar no final de 1906, sendo visto por alguns como um homem de poderes enquanto outros o consideravam um charlatão. Também o começo do século XX foi um período marcado pela ascenção das pesquisas científicas sobre a natureza da Luz, o que viria a resultar em teorias como a Relatividade, e também o surgimento de novos campos da Física, como a Mecânica Quântica (curiosidade… se não tivesse escolhido vir para a Unicamp, estaria agora fazendo doutorado na Unesp sobre o Ensino de Mecânica Quântica 😀 ).

Crédito da imagem de capa à Free-Photos por Pixabay

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