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Blog de Ciência da Unicamp

V.16. Ed. 1

Sabor quadrado

Ultimamente a palavra sabor vem aparecendo com frequência associada a produtos que se parecem com outros, mas não são, apenas tem sabor. Por exemplo, um biscoito sabor chocolate, não necessariamente tem chocolate em sua massa, mas aspectos químicos que fazem quem prova, sentir que está comendo chocolate. Assim como sabor baunilha pode ser sinteticamente produzido.

Esse excesso de produtos sintéticos trouxe ao nosso dia-a-dia uma expressão jocosa associada ao adjetivo sabor. Como algo que apenas se parece outra coisa, mas não é. Por exemplo, essa semana comprei uma lousinha mágica que permite riscar com uma canetinha e apagar apertando um botão, ela tem o formato de um tablet, uma aparência que lembra um tablet, uma canetinha que lembra aquelas usadas para escrever em tablets, mas é um brinquedo de criança. Poderia dizer que essa lousinha mágica tem sabor tablet. Uma vez que parece, mas não é, inclusive paguei 20$ nela, um valor significativamente inferior a um tablet do mesmo tamanho. Contudo tem sido bem útil nas minhas aulas, pra tirar dúvida dos alunos na carteira sem ter que riscar o caderno deles, nem ficar andando com folhas soltas.

Uma questão interessante relacionada a esse adjetivo seriam os quadrados, polígonos regulares com arestas. O termo regular nessa ocasião significa que todas as suas arestas e seus ângulos internos são iguais. Contudo é possível termos quatro variações sutis que tenham sabor de quadrado mas que não são.

Se seus ângulos internos permanecem iguais, mas há uma diferença nas suas arestas (no caso, a mesma diferença para duas arestas paralelas), temos um retângulo.

Se suas arestas tem o mesmo tamanho, mas há uma diferença nos seus ângulos internos, temos um losango.

Se duas arestas permanecem paralelas, e o restante não importa, temos um trapézio.

Agora, se nada importa, temos um quadrilátero.

Contudo a questão mais interessante não é saber as nomenclaturas, e sim, um teste simples que te permita determinar se um polígono é um quadrado ou só tem sabor de quadrado.

Imagine que você é um biólogo que prefere ser chamado de ecólogo, fazendo coisas de biólogos/ecólogos, como ir pro meio do mato demarcar regiões com um barbante velho cuja procedência você não lembra. Você deu um nozinho num segmento do barbante e esticou-o para marcar no chão as arestas do quadrado que você quer estudar. Você sabe que se as quatro arestas tem o mesmo tamanho, então aquilo é um quadrado, mas pode ser também um losango sabor quadrado.

Sua consciência não lhe deixa em paz, sabe que um pequeno erro é irrisório, mas seu ego te movimenta, será que hoje eu montei um quadrado de fato? Você e seu barbante refletem juntos por algum tempo, quando você se dá conta de um detalhe, tudo no quadrado precisa ser igual… Ou seja, se medirmos a diagonal de dois vértices opostos, ele precisará ser igual a outra diagonal.

Você estica um pedaço do barbante por uma diagonal, e segurando aquele mesmo comprimento você muda para a outra diagonal. O tamanho deu um pouco diferente, isso significa que não foi dessa vez, mas como a diferença é bem pequena, você aceita que o gosto do seu resultado será quase o mesmo se aquela região fosse de fato um quadrado. Voltando pra casa, ansioso pra tomar uma bebida quente sabor café, enquanto pensa como poderia criar quadrados para a próxima vez que for a campo.

Em casa, assistindo videoaulas de desenho geométrico, você vê algo bem legal pra sua vida e pra suas aventuras com um barbante.

Se você fixar a ponta de um pedaço do barbante no chão, e rotacionar a outra ponta, formamos um círculo.

Então se fizermos uma linha reta, e desenharmos sobre ela, dois círculos que se cruzam em dois pontos. A reta que passa por esses dois pontos, será perpendicular a linha reta que fiz inicialmente. Repetindo isso algumas vezes, chegamos num verdadeiro quadrado!

Créditos da imagem de capa a Jonatan Díaz Muñoz por Pixabay

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