Fake news – evitando a disseminação

As fake news, do inglês notícias falsas, são aqueles conteúdos em texto, áudio e vídeo que parecem verdadeiro, tem toda a estrutura de uma notícia verdadeira, mas que não passam de uma forma maldosa de espalhar a desinformação com alcance e impactos enormes na sociedade. 

As fake news são funestas, pois podem induzir a modificação da atitude das pessoas frente a um problema ou importante decisão e podem gerar duvida e confusão.

As fake news são muito prejudiciais, especialmente quando se trata da saúde pública. Diante da pandemia de COVID-19, as informações corretas são muito importantes. Elas salvam vidas.

Se elas são tão nocivas, o que pode ser feito para que elas atinjam o seu objetivo?

Quem poderá nos defender? 

Um dos protagonistas no combate às fake news é você, caro leitor. É importante que você não passe uma desinformação adiante. Parar a circulação da notícia falsa faz com que as verdadeiras atinjam o público. 

Mas como reconhecer que aquela informação que acabou de chegar no seu celular é falsa? 

Ao receber uma mensagem com alguma informação podemos fazer algumas perguntas iniciais que podem nos ajudar a decidir sobre o que fazer com aquela informação. 

Local de publicação

É importante checar a origem da informação. Algumas informações que chegam às redes sociais podem ter sido preparados por perfis falsos. Para isso podemos nos fazer algumas perguntas: É possível identificar o autor do conteúdo de texto, áudio ou vídeo? Ele já publicou outras coisas? O site que publicou é conhecido? Outros sites de notícias publicaram a mesma informação? Se você respondeu não a uma ou mais das perguntas, vale a pena não passar o conteúdo adiante.

Data de publicação

As notícias/informações sempre tem um contexto, elas se referem a um momento. Tentar descontextualizar uma informação para é uma das ferramentas usadas para a construção das fake news. Por isso, é importante saber qual a data de publicação e o contexto dos textos e material audiovisual (áudio, vídeo e fotografia).

Conteúdo

A estrutura do texto pode nos dar indícios sobre a veracidade das informações nele contidas. Um estudo realizado Núcleo Interinstitucional de Linguística Computacional (NILC) criou um aplicativo -o Fact Check – que faz uso de inteligência artificial para tentar prever se os fragmentos de textos analisados continham informações verdadeiras ou falsas. De acordo com a pesquisado do grupo, 36% das fake news tinham algum erro ortográfico versus 3% das noticias verdadeiras.

A linguagem apelativa, tanto no corpo do texto, quanto no título, também é um indícío de que a informação pode não ser correta.

É importante que o texto contenha a fonte original da informação. Informações construídas a partir de dados de fontes desconhecidas são indícios de que você pode estar diante de uma fake news. A informação pode ser checada em sites de instituições como universidades, institutos de pesquisa, publicações em revistas científicas revisadas pelos pares? Se não, vale a pena ficar desconfiar.

Se você ainda ficou com dúvida sobre alguma informação, é possível buscar em sites de jornais (mais de um) se eles possuem alguma reportagem sobre aquela informação ou mesmo procurar em sites de projetos e iniciativas voltadas para a checagem de fatos.

Onde pesquisar?
  • A Agência Lupa é uma agência de checagem de fatos (fact-checking), a primeira do Brasil, fundada em 2015. Ela busca corrigir informações imprecisas, e divulgar dados corretos. No site da agência, as informações recebem mais do que a classificação entre falso ou verdadeiro e fornece as seguintes etiquetas (classificação): Verdadeiro, Verdadeiro, mas [o leitor merece mais explicações], Ainda é cedo para dizer, Exagerado, Contraditório [contradizendo outra difundida antes pela mesma fonte], Subestimado, Insustentável, Falso e De olho. Dessa forma, é possível se ter uma boa idéia sobre o status de uma informação. 
  • O Fato ou Fake é uma iniciativa do grupo O Globo que faz apurações sobre informações em temas diversos. O Banco de boatos da Fato ou Fake é bem intuitivo e fácil de se fazer sua pesquisa. 
  • Banco de Boatos do Fato ou Fake: http://especiais.g1.globo.com/fato-ou-fake/2018/banco-de-boatos/?_ga=2.245322693.1318768407.1593813991-1175923268.1535288352
  • O Fact Check é um projeto que avalia se aquela informação  de texto recebida por Whatsapp é correta ou não. Isso é feito por meio de uma avaliação o padrão linguístico por meio de inteligência artificial. 
  • O Comprova é um projeto de jornalismo colaborativo contra a desinformação que, atualmente, reúne mais de jornalistas de 28 veículos de comunicação. Lá, você encontra a checagem das notícias mais recentes. Infelizmente, não há um mecanismo de busca no próprio de conteúdo dentro do próprio site. 
  • O E-farsas surgiu no dia 1 de Abril de 2002 e é um site que avaliar boatos na internet. 

Dicas

O texto do Cesar Augusto Gomes Os 7 tipos de Fake News sobre a Covid-19 no Especial COVID-19

O Especial COVID-19 traz alguns posts de fact-checking sobre a COVID-19:

Recentemente, o grupo de divulgação científica Vydia Academics fez um levantamento dos elementos mais usados nas fake news e criou um manual Coronavírus. Fake news e como identificá-las.

A Unesco criou o manual Jornalismo, fake news & desinformação: manual para educação e treinamento em jornalismo. Ele traz os conceitos sobre termos relacionados às fake news. Leitura indispensável para quem é comunicador e educador. Ele também traz estratégicas pedagógicas para se discutir o tema em sala de aula.

Referências

Monteiro et al (2018) Contributions to the Study of Fake News in Portuguese: New Corpus and Automatic Detection Results. Disponível em https://sites.icmc.usp.br/taspardo/PROPOR2018-MonteiroEtAl.pdf

Ireton, C. & Posetti, J. (2018). Jornalismo, Fake News & Desinformação. UNESCO. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000368647

Não perca

No próximo post o advogado Jefferson Almeida de Oliveira fala um pouco sobre a regulamentação da penalidade para fake news

Sobre Graciele Oliveira
Sou a Graciele. Mulher. Brasileira. Minha fala é uma mistura de sotaques. Minha cozinha uma mistura de sabores. Mãe cearense, pai mineiro, irmão são paulino. Bacharel em química e doutora em Bioquímica pelo Departamento de Bioquímica do IQ - USP. Especialista em Jornalismo Científico pela Unicamp. Apaixonada por bioenergética mitocondrial, bioquímica, química, física, astronomia e com uma queda por ciências exatas e biológicas em geral. Bem vindxs!

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