A tipografia, ou seja, o tipo de fonte que usamos em nossos materiais, como apresentações, quadros no Instagram e arquivos de texto, tem o poder de influenciar como as pessoas percebem diversas dimensões da nossa comunicação, como o tom, profissionalismo, beleza e público-alvo.

Duvida? Eu te mostro! 

Vamos analisar o mesmo título (“Comunicação visual“) escrito com diferentes fontes disponíveis no Google Fonts:

– apresentada na boa e velha Times New Roman. Essa fonte clássica apresenta linhas serifadas e bem definidas, com espaçamento equilibrado entre as letras. A mensagem visual de um texto escrito em Times New Roman é de seriedade, formalidade e tradição (leia-se também, conservadorismo). Profissional? Sim. Séria? Claro. Estável e crível? Também. Porém, extremamente convencional – e potencialmente vai te matar de tédio durante a leitura.

– apresentado na fonte Ubuntu, cor cinza escuro, é uma fonte sem serifa, com linhas suaves e cantos arredondados. Tais características fazem dela uma opção versátil e bem legível. Além disso, são características dão um ar moderno e profissional para o texto.

O que é serifa?

Serifa é um termo utilizado na tipografia para descrever os pequenos traços ou prolongamentos que são adicionados nas extremidades dos caracteres de uma fonte. As serifas têm uma função estética e também facilitam a leitura contínua de textos, pois ajudam a guiar o olho ao longo das palavras. Por outro lado, as fontes sem serifa, conhecidas como sans-serif, não possuem esses prolongamentos, apresentando uma aparência mais moderna e minimalista. A escolha entre fontes serifadas e sem serifa geralmente depende do contexto, do estilo desejado e do propósito da comunicação visual.

– apresentado na fonte Amatic. A Amatic, por sua vez, apresenta traços desenhados à mão, com variação de espessura e um ar de imperfeição. Além disso, por aparentar irregularidades, considera-se que ela traz uma sensação de espontaneidade Vale lembrar que, no design, elementos visuais que parecem “feitos à mão” são normalmente usados para mensagens de caráter orgânico, acolhedor e informal. Provavelmente não é o tom que você procura se escrevesse este título na capa de um relatório científico, por exemplo.

– apresentado na fonte Permanent Marker. Levando o exemplo anterior a uma intensidade maior, a fonte Permanent Marker é uma fonte manuscrita que simula a aparência de uma escrita feita com um marcador permanente. Adicionalmente, ela apresenta traços grossos e irregulares, imitando a pressão da caneta ao escrever. Com esses elementos, é possível expressar criatividade, ousadia e energia. Por conseguinte, a mensagem visual que se subentende é, mais uma vez, a de algo informal e artesanal.

Percepções e impressões

Vamos usar a impressão de formalidade e regularidade da fonte, para criar uma escala de aparência de ‘profissionalismo/amadorismo’. Neste critério, estaríamos considerando que quanto mais sisuda e formal a fonte, mais qualificada(o) a(o) interlocutor, e quanto mais espontânea e livre, mais amadora(o). Poderíamos então colocar nesta ordem: Times, Ubuntu, Amatic e Permanent Marker:

Apesar disso, alguém que involuntariamente enxergue características cursivas e bem delineadas de uma “letra feminina” na fonte Amatic, ao mesmo tempo em que considere o Permanent Marker como uma “letra masculina’ poderia perfeitamente inverter as duas neste nosso ranking imaginário.

Em seguida, numa escala de ‘inovador/obsoleto’, onde levamos em consideração a imprevisibilidade das formas como indicador de originalidade e criatividade, e a presença de serifas como um marcador de tradição, eu apostaria na sequência: Permanent Marker, Ubuntu, Amatic e Times:

Note que minha percepção de que a Amatic seria mais obsoleta do que a Ubuntu é puramente pessoal: eu me lembro que quando comecei a usar as Apresentações do Google, a quase uma década, a Amatic era uma das minhas fontes favoritas para títulos. Então eu a vejo e acho uma fonte datada, porque me remete à uma época em que eu elaborava minhas apresentações e peças gráficas sem muito conhecimento sobre comunicação visual, e sei que isso acontecia há pelo menos 10 anos.

E isso é bom ou ruim?

A interpretação da mensagem como ‘confiável/questionável’ pode variar dependendo dos valores pessoais e do repertório das pessoas, levando em consideração suas percepções sobre o profissionalismo e amadorismo. Ou seja, a escolha da fonte utilizada pode exercer uma influência marcante nessa percepção. Para alguns, uma fonte profissional e sóbria pode transmitir confiança e credibilidade, enquanto outros podem associar uma fonte mais informal ou excêntrica a um interlocutor questionável ou pouco confiável. É interessante observar como algo aparentemente trivial, como a escolha da fonte, pode impactar a forma como a mensagem é recebida e interpretada pela subjetividade de diferentes pessoas.

Resumindo

A interpretação da mensagem como ‘confiável/questionável’ pode variar de acordo com os valores pessoais e repertório das pessoas, considerando o que elas associam com o profissionalismo ou amadorismo. E tudo isso simplesmente pela escolha da fonte!

Ficou com alguma dúvida? Lembrou de um tema que gostaria de ver por aqui?
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E, se ficou curiosa(o), a fonte que tenho usado no blog atualmente é a Roboto Mono.

  • Ela é monoespaçada, o que significa que cada letra ocupa o mesmo espaço horizontalmente. A Roboto Mono é muito utilizada em programação, edição de código-fonte e design gráfico, devido à sua legibilidade e clareza em ambientes digitais. É uma fonte considerada moderna, com linhas retas e aparência limpa, o que a torna uma boa candidata para projetos que exigem precisão e organização visual.

É isso, até a próxima!

Descrição da imagem de capa:
Um fundo em renderização 3D cor de rosa neutro, onde se vê uma espécie de palco arredondado liso, com quatro níveis, e no topo, suspenso no ar está a palavra "FONTES". Cada letra está escrita usando um caractere de uma das fontes citadas no texto. 

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