Usando Aprendizagem Baseada em Problemas em Grandes Grupos

Publicado por André Garcia em

Síntese do artigo: “Estratégia Educacional Baseada em Problemas para Grandes Grupos: Relato de Experiência”, Sílvia Fernandes Ribeiro da Silva ET AL, 2015. Revista Brasileira de Educação Médica. 39(4): 607 – 613.

O texto procura, utilizando-se de um relato de experiência, apresentar alternativas a duas preocupações apresentadas, muito frequentemente, por docentes do ensino superior:

  1. O uso de metodologias ativas para engajar novas gerações de estudantes e
  2. Como aplicar estas metodologias em grandes turmas.

Neste sentido, o artigo relata a utilização do método CDP – Ciclo de Discussão de Problemas em um grupo em disciplinas do Curso de Medicina, da Universidade de Fortaleza – UNIFOR, detalhando suas características operacionais e etapas necessárias.

O texto parte da constatação da necessidade de mudança no emprego de metodologias educacionais, dado que estes novos estudantes, pertencentes à geração Y , apresentam dificuldade de engajamento em aulas predominantemente passivas, onde “as pedagogias centradas na transmissão do conhecimento não são adequadas” (p. 608). Além disto, os autores complementam esta ideia utilizando-se das constatações de Lindeman (1926) sobre o ensino de jovens e adultos: (i) satisfação de necessidades, (ii) aprendizagem centrada na vida, (iii) importância da experiência, (iv) necessidade de serem autodirigidos, (v) importância das diferenças individuais. Portanto as motivações destes alunos seriam mais de caráter instrumental, ganhando importância a utilização de métodos que possibilitem a resolução de problemas cotidianos, individuais ou coletivos e também de caráter profissional.

A metodologia, utilizada neste caso, é uma variação da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), onde são apresentadas situações da vida real para estimular a motivação, criatividade, pensamento crítico e capacidade de desenvolver soluções originais. Em termos organizacionais, os estudantes são divididos em grupos de 8 a 12 membros, auxiliados pelo professor-tutor, que “partilha com os alunos a responsabilidade de determinação da quantidade e sequência de informações a serem aprendidas” (p. 608). Abaixo apresentamos, resumidamente, o contexto e as etapas de implantação do CDP:

CONTEXTO

A administração superior da Unifor, desde 2003, tem investido na formação de seus docentes do Centro de Ciências. Em 2005, 78% dos professores já contavam com algum treinamento sobre novas metodologias. Além da formação, a Universidade implantou em 2012 o currículo integrado para cursos de saúde. Em seus cursos, os estudantes são matriculados em turmas de 50 alunos para as conferências e 25 para os ciclos e aulas de laboratórios. Verifica-se, então, que a implantação de novas metodologias foram acompanhadas de formação do corpo docente e reestruturação curricular.

A dinâmica deste relato de caso envolveu dois momentos presenciais para cada problema apresentado: um de análise e outro de resolução, englobando 12 passos, que iremos resumir abaixo

  • Momento de Análise do Problema
    1. Leitura do problema: um ou mais alunos fazem a leitura do problema, onde se esclarecem os termos e palavras desconhecidas. Os temas escolhidos podem ser de interesse comum a todos os cursos envolvidos ou a um curso específico.
    2. Elaboração das questões: grupos apresentam questões que consideram relevantes para o desenvolvimento do assunto e resolução do problema, onde cada relator registra no quadro branco a questão de seu grupo.
    3. Agrupamento das questões: colaborativamente, os alunos eliminam as questões redundantes.
    4. Chuva de ideias: discussão sobre as perguntas elaboradas, onde o professor coordena o debate de acordo com os objetivos de aprendizagem do módulo
    5. Elaboração dos objetivos de aprendizagem: com o auxílio do professor, alunos identificam as lacunas de aprendizagem que precisam ser preenchidas para a consecução dos objetivos do módulo.
    6. Avaliação da dinâmica pelos alunos e professor: grau de dificuldade, motivação, participação, dinâmica e trabalho em grupo são avaliados e reportados ao professor.

Após estas etapas cumpridas presencialmente, os alunos têm uma semana para estudo individual ou em grupo, tomando como base os objetivos da aprendizagem.

  • Momento de resolução de problemas
    1. Leitura dos objetivos de aprendizagem: um relator escreve no quadro os objetivos de aprendizagem que levaram à resolução dos problemas apresentados previamente.
    2. Relato das referências: são discutidas aqui as fontes de pesquisa, sua importância e validade.
    3. Discussão dos objetivos da aprendizagem: discussão da resolução dos problemas pelos grupos, onde acontece o processo de reelaboração do conteúdo, apresentando-se os erros e acertos dos grupos em relação ao conteúdo.
    4. Síntese: cada grupo faz um quadro resumido dos tópicos discutidos, onde um é escolhido para discussão e fechamento do problema.
    5. Elaboração de pendências: na síntese, novas lacunas de aprendizagem podem surgir, que serão discutidas no próximo problema.
    6. Avaliação da dinâmica: idem item da primeira parte, agregando a experiência de pesquisa e resolução.

As avaliações contempladas em todo esse processo, conforme o método aplicado, são feitas em três etapas: avaliação de desempenho durante as atividades, avaliações escritas e a autoavaliação.

O relato de caso conclui que o emprego desta abordagem já sinaliza benefícios na construção do conhecimento, mas não apresenta dados dos resultados obtidos. Para maiores detalhes dos procedimentos e as teorias envolvidas, recomendamos a leitura integral do artigo, conforme link abaixo.


Artigo original, com todas as fontes
http://www.scielo.br/pdf/rbem/v39n4/1981-5271-rbem-39-4-0607.pdf


André Garcia

Formado em Sociologia, Mestre em Ciência Política, Especialista em Jornalismo Científico e Doutor em Educação, Profissional da Comunicação e Administrador do Blog Ring.

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