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O menino que descobriu o vento como fonte de energia e venceu a seca

 

Foto: Netflix/Divulgação

 

Quantas vezes você já recarregou o seu smartphone hoje? Alguma vez parou para fazer essa conta? Talvez não, se você tiver eletricidade disponível ao alcance de uma tomada (ou de uma bateria externa). Mas o garoto William Kamkwamba e sua família precisavam pensar sobre isso o tempo todo. Produtores rurais no Malawi, na África, eles não tinham acesso nem à eletricidade nem à água encanada. A falta desses recursos deixava sua família à mercê das secas, que comprometiam as plantações, sua fonte de renda. Para completar, o acesso à educação por ali era escasso, só quem podia permanecer na escola era quem podia pagar por ela.

Em meio a esse cenário, com uma hélice de ventilador de trator, peças de bicicleta, pedaços de cano e outros itens catados no lixo, William Kamkwamba, de apenas 13 anos, transformou uma ideia em prática: construiu um “cata-vento” para salvar a sua comunidade da fome. O start veio depois que o garoto tomou contato com um livro sobre energia eólica, aquela que é gerada a partir do vento. A história, baseada em fatos reais, é retratada no filme “O menino que descobriu o vento”, produção original da Netflix, que estreou no serviço de streaming em março de 2019.

O longa, dirigido por Chiwetel Ejiofor (“12 anos de Escravidão”), que também interpreta o pai de William, é inspirado no livro homônimo, escrito por Kamkwamba e pelo jornalista Bryan Mealer, publicado em 2009.

 

 

A invenção de William e o papel das energias renováveis em comunidades sem acesso a um sistema de distribuição

O que William fez foi criar uma tecnologia para gerar eletricidade por meio de uma fonte de energia renovável abundante na região, a eólica, que cresceu 12% no mundo em 2018. A invenção tinha uma função muito clara na cabeça dele: trazer água para irrigar as plantações de sua comunidade que foram destruídas pela forte seca na região.

Em um relato publicado no HuffPost US, ele contou que o insight veio depois que ele entrou em contato com livros de ciência de uma biblioteca local, pelos quais diz ter se apaixonado, e descobriu como funcionavam os motores e a eletricidade. “Um outro livro dizia que um moinho poderia bombear água e gerar eletricidade. Bombear água significava irrigação. Uma defesa contra a fome. Então eu decidi construir um moinho sozinho”, lembra Kamkwamba no TEDGlobal2009.

Mas para construir essa solução para salvar sua família e comunidade da fome, esse jovem de apenas 13 anos teve de passar por muitos desafios. Para descobrir o que aconteceu com William e sua família depois de sua invenção, recomendamos que assista o filme. Sinalizamos que o debate que ele levanta é pra anteontem: mais de 1 bilhão de pessoas ainda não têm acesso à energia elétrica, de acordo com o relatório “Monitorando o ODS 7: Relatório de Progresso Energético 2018”, publicado pelas Nações Unidas, Banco Mundial e Organização Mundial da Saúde (OMS). A maioria delas está no continente africano. A meta é que em 2030 cada uma dessas pessoas tenha eletricidade em suas casas.

Pensando na realidade brasileira, embora tenhamos avançado bastante nos últimos anos, 0,95% da população ainda está sem acesso à energia elétrica, segundo a publicação  “Quem ainda está sem acesso à energia elétrica no Brasil?”, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), o que corresponde à quase 2 milhões de pessoas, se pensarmos que o Brasil tem 208,4 milhões de habitantes. A maioria se encontra na Região Norte do país em lugares dispersos ou de difícil acesso. O documento ainda ressalta a importância das fontes renováveis de energia (como a dos ventos, a do sol, a da água e das plantas. Sim, você está lendo certo, das plantas)  para essas comunidades que ainda não estão ligadas à grande rede que compartilha a eletricidade gerada no país, o chamado Sistema Interligado Nacional.

Nesses locais, a eletricidade é gerada localmente, nos quais os geradores a diesel ou gasolina ainda são muito usados. Mas, como aponta o IEMA, eles têm desvantagens em relação às tecnologias renováveis, porque poluem o ar, têm um custo de combustível e manutenção mais caros, são mais barulhentos e quebram com maior frequência. Uma das soluções apontadas, por exemplo, é utilizar esses geradores de forma complementar às fontes de energia renovável disponíveis no local, como a fotovoltaica, eólica, hidráulica e biomassa.

Não por acaso, dentre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, está o  ODS 7, “Energia Limpa e Acessível”, com o intuito de “assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todas e todos”. Os ODS são compostos por 17 objetivos que precisarão ser atendidos em 2030 como um esforço mundial para salvar a Terra e o que vive nela..

A história do menino William mostra que o acesso à água e à energia é uma questão urgente que permeia aspectos políticos, sociais, econômicos, tecnológicos e ambientais e que está longe de ser um problema isolado. Você já parou para pensar nisso? Nós, por exemplo, ficamos pensando em quais seriam as histórias de cada uma das outras milhões e milhões de famílias como a do William.

Texto: Sarah C. Schmidt

Revisão técnica: Rodolfo Gomes

Energias do Futuro: prospecção tecnológica

O Brasil possui um grande desafio nas próximas décadas para buscar soluções para atender os crescentes requisitos de serviços de energia e, ao mesmo tempo, satisfazer critérios de economicidade, segurança de suprimento, saúde pública, garantia de acesso universal e sustentabilidade ambiental. Esses critérios implicam em significativos esforços em P&D que deverão ser iniciados imediatamente e com esforços continuados nos próximos anos para que possamos garantir que a esperada demanda de energia em 2030-2050 possa ser feita de maneira sustentável e de acordo com os princípios assinados na COP 21 em Paris.Futuro

Hoje vou re-publicar um post antigo sobre um estudo que fizemos em 2008. Coloco aqui o Relatório referente a um projeto de pesquisa que fizemos para o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos – CGEE, órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

O estudo teve como objetivo realizar uma revisão do estado da arte das
principais tecnologias de energia tendo como horizonte os períodos de 2030 e 2050 a partir de uma extensa revisão da literatura recente tanto no âmbito nacional como internacional. Foram também analisadas, a partir da literatura existente, as tendências apontadas com relação à evolução do consumo de energia, e uma análise sobre desafios e oportunidades para o setor energético em áreas consideradas de interesse público.

Muita coisa ainda continua atual, mas como continuamos a trabalhar no tema procurarei atualizar alguns grupos de tecnologias que vem demonstrando extraordinários progressos nos últimos anos como solar e tecnologias de armazenamento de energia.

O estudo encontra-se no link abaixo:
Jannuzzi, Gilberto M., P. H. M. Sant’Ana, e R. D. M. Gomes. 2008. “Energias do Futuro”. Brasília: CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos.
http://dx.doi.org/10.13140/RG.2.1.2344.1760.