Macaúba: uma nova era na produção de óleo vegetal

A ciência sempre esteve visando produtos que mudassem o patamar de algum ramo científico de forma completa. Hoje, com esse post, apresento a vocês uma das linhas de pesquisa do nosso laboratório na área de bioenergia: A PALMA MACAÚBA. Recentemente publicamos um artigo relacionado a esse trabalho e sugiro que leiam [1].

A palmeira macaúba (Acrocomia aculeata, 2n = 30) é uma palmeira nativa da América, pertencente à família das Arecaceae. É uma espécie oleífera arbórea, perene, heliófila, monóica, com um único tronco entre 4 e 15 m de altura e 20-30 cm de diâmetro. Acrocomia aculeata tem sido documentado para habitar áreas do norte da Flórida, México e Antilhas ao sul do Paraguai e norte da Argentina, e é considerada a palmeira mais difundida no Brasil e pode ser encontrada principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Ela cresce naturalmente em grandes populações, e é adaptada a diferentes ecossistemas e pode ser usada para reabilitar pastos degradados ou em sistemas agroflorestais.

A macaúba possui um grande potencial de produção de óleo, semelhante ao dendê (Elaeis guineensis), cuja produção global atingiu 69 milhões de toneladas em 2017, representando 34% da produção mundial de óleo [2]. A produtividade de plantas nativas selecionadas de macaúba pode chegar a 5000 kg de óleo por ha-¹.ano-¹ [3-4], tornando-se uma matéria-prima barata para a produção de petróleo. Além disso, a palma da macaúba é considerada uma nova cultura de matéria-prima com óleo, com um papel potencial como matéria-prima ambiental e socialmente benéfica na América do Sul. Seu cultivo em larga escala deve ser realizado em áreas de proteção permanente, pastagens, áreas perturbadas e terras cultivadas. A Figura 1, extraída de Colombo, CA et al., 2017, mostra a planta em seu habitat, assim como seu fruto, na qual podemos ver suas dimensões.

Figura 1.
A- Planta adulta de palmeira Acrocomia aculeada; B – cacho de frutas; C- Detalhe da fruta; D- Aberto em florescimento; E- Detalhe do florescimento, com flores femininas localizadas na região da base e flores masculinas na região apical (Retirada de Colombo, CA et al.,2018).

Apesar de sua incipiente domesticação e uso atual baseado em seu caráter extrativista, a macaúba possui diversos usos, com múltiplos produtos de sua exploração incluindo alimentos, cosméticos, ração animal e biocombustíveis. Aliás, podemos notar na Figura 2 que, dado um cenário ótimo de produção, a Macaúba tem uma produção mais elevada que o próprio Dendê e outras plantas comercializadas no Brasil, mostrando assim o poder comercial da Macaúba.

Figura 2.
Produtividade da macaúba no Brasil em comparação com outras oleaginosas em um cenário conservador e otimista (400 plantas.Ha-¹) (Retirada de Colombo, CA et al.,2018).

Atualmente, o interesse renovado por esta nova matéria-prima aumentou o interesse comercial e pode levar à propagação de plantas sem qualidade agronômica, o que inviabilizaria sua competitividade. Sendo assim, precauções devem ser tomadas no uso de espécies de matérias-primas não domesticadas, pois possíveis variações biológicas e diversidade genética são observadas na macaúba em diferentes ambientes de ocorrência. Neste contexto, os marcadores moleculares são considerados uma ferramenta essencial para identificar e selecionar plantas superiores para adoção em culturas comerciais de grande escala, estabelecimento de coleções nucleares, criação de hortas e início de estudos de reprodução.

Nesse contexto que vem a importância de nosso trabalho recém publicado [1], que tem o objetivo de fornecer um conjunto polimórfico de marcadores microssatélites, que permitirão melhorar a compreensão da diversidade genética, caracterização genotípica e estrutura genética de A. aculeata, gêneros de Acrocomia e outros importantes fatores ambientais e comerciais de espécies de palma.

|Agradecimentos|

Gostaria de agradecer a recém doutora no tema deste post, Bárbara Bazzo, que se dedicou a este trabalho e me proporcionou um grande aprendizado em identificação de microssatélites e outras aplicações utilizando-se da Bioinformática.

Referências

[1] Bazzo, B. R., de Carvalho, L. M., Carazzolle, M. F., Pereira, G., & Colombo, C. A. (2018). Development of novel EST-SSR markers in the macaúba palm (Acrocomia aculeata) using transcriptome sequencing and cross-species transferability in Arecaceae species. BMC plant biology, 18(1), 276. doi:10.1186/s12870-018-1509-9

[2] USDA . United States Department of Agriculture. 2018.

[3]. Evaristo AB, Grossi JAS, de CO CA, Pimentel LD, Motoike SY, Kuki KN. Actual and putative potentials of macauba palm as feedstock for solid biofuel production from residues. Biomass Bioenergy. 2016;85:18–24. doi: 10.1016/j.biombioe.2015.11.024.

[4]. Colombo CA, Berton LHC, Diaz BG, Ferrari RA. Macauba: a promising tropical palm for the production of vegetable oil. Oilseeds Fats Crop Lipids. 2018;25:9.

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Sobre Lucas Miguel

Bacharel em Matemática Aplicada e Computacional, mestre em Ciência da Computação pela UNICAMP, e doutor em Bioinformática pela mesma universidade, atualmente é pós-doutorando em Bioinformática no CEPID/CCES - Centro de Engenharia e Ciências Computacionais. Possui como linha de pesquisa integração de ômicas e simulação metabólica.

Uma resposta para Macaúba: uma nova era na produção de óleo vegetal

  1. Muito interessante o tema visto que os óleos vegetais são extremamente impactantes na saúde dos seres humanos. Parabéns pelo artigo.

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