Se a Amazônia inspirou e brilhou no filme Avatar (2009), agora é a vez do oceano invadir as salas de cinema e sensibilizar o público para a urgente necessidade de nos reconectarmos para preservá-lo. O diretor James Cameron, conhecido pelos filmes grandiosos como Titanic (1997) – que lhe deu o Oscar de melhor filme, direção, além de outros 11 – acerta ao dedicar a nova aventura Avatar: o caminho da água aos encantos do oceano, que ocupa 71% do planeta e é fundamental para nossas vidas.

As 3 horas e 12 minutos do novo filme, que lidera a bilheteria nacional há mais de 3 semanas, podem ser longas para quem espera uma história com muita ação e explosões, mas encontra trechos mais tranquilos e filosóficos. Mas os efeitos especiais são de tirar o fôlego e levam o espectador a comparar as belezas do mar com os encantos da floresta encantada de Pandora do primeiro Avatar.

Dentre essas belezas estão os seres mágicos que lembram águas-vivas, corais, peixes, arraias e baleias que submergem nas profundezas e chamam a atenção para o fascínio dos seres e sua fragilidade frente a ganância e o poder destrutivo dos humanos ou humanoides. Os biomas apresentados nos remetem às águas cristalinas do Caribe ou do Pacífico e a tecnologia cinematográfica e computadorizada é tão impressionante que sentimos com bastante realismo a fluidez da água, a textura dos seres e a violência dos ataques.

Efeitos especiais fantásticos para um mergulho no oceano

“Tive este romance com o oceano durante minha vida toda”, confessou Cameron em um vídeo sobre o filme da National Geographic. Além de ser fascinado por mergulho desde criança, ele rodou o filme sobre a tragédia que levou o maior navio turístico do mundo a naufragar junto com a vida de mais de 1500 passageiros no oceano Atlântico, o Titanic e financiou expedições com um mini-submarino que ajudou a mapear os destroços do navio há 3.800 metros de profundidade em 2005. As cenas do acidente tocaram o público que viu um gigante da tecnologia naval ser cortado como uma folha de papel por um iceberg. Cenas que lembram Titanic afundando dão a sua graça no novo Avatar, além de contar com a atuação da atriz inglesa Kate Winslet, a mocinha do Titanic, agora no papel de Ronal, que vive na água.

A história de ficção não cansa de estabelecer paralelos e metáforas com a nossa relação (ou a falta dela) com a natureza. Os seres Na’vi vivem de forma simbiótica, integrada, com os seres e o ambiente, e também se conectam com eles por meio de suas tranças com enervações que lembram fibras óticas, assim como o povo Neytiri das florestas, que no segundo filme abandona seu bioma para evitar a perseguição dos humanoides.

E não são apenas os animais que são homenageados, mas também os povos das florestas e os nativos que vivem em contato íntimo com o oceano, como de alguns países do pacífico que

“Ter a experiência embaixo d’água, a magia e o mistério, talvez reconecte as pessoas com o que estamos perdendo no presente neste planeta”, afirmou Cameron na entrevista na NatGeo. Se ainda não foi ver Avatar: o caminho das águas, prepare um lanchinho reforçado e mergulhe neste épico que nos provoca a pensar no futuro que queremos para a humanidade.


Germana Barata

Jornalista de ciência, mestre e doutora em história social. É pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri) da Unicamp e editora dos blogs Ciência em Revista e Um Oceano.

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