Divulgação Científica de Matemática

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O formalismo matemático às vezes é exagerado aos padrões da vida cotidiana. Até mesmo o método científico já é um tanto absurdo em nossa realidade, na qual obter sucesso em 3 ou 4 tentativas nos parece suficiente para determinar um “método absolutamente seguro e fielmente testado”.

Assim, o formalismo matemático que visa desenvolver uma tautologia em torno dos fatos está muito longe de uma realidade que define “verdades” a partir de alguns poucos resultados empíricos. Com isso em mente, o foco deste blog é abordar a argumentação matemática, a formação de suas propriedades e aplicações por meio de relações com o mundo. Os posts foram desenvolvidos para abordar temas que, embora artificiais, sejam cômicos ou capazes de despertar a curiosidade do leitor, às vezes relacionando-os em contextos de ficções literárias/audiovisuais, construções lúdicas ou outros aspectos considerados de lazer, ligados a um campo totalmente abstrato que é o formalismo matemático. A partir destas construções de significados próprios, esperamos promover a valorização do estudo da matemática formal, o interesse em demonstrações, além de apresentar de maneira leve diversas propriedades e teoremas de naturezas poucos contextualizáveis.

Dessa forma, considero este blog uma coletânea de textos de divulgação científica, pois tento apresentar a matemática vinculada a uma formação semelhante à monástica, levada pelos chamados “matemáticos puros”, a um meio termo no qual a pessoa comum possa ler e entender essas construções abstratas. O foco neste caso não é o ensino de matemática, embora através da leitura desses textos e de suas abordagens diferenciadas, este aprendizado possa ocorrer ou ser utilizado pelos professores como recursos para suas práticas didáticas.

De fato, existem assuntos legais para conversar em meio a uma pizzaria, e pouco provável que seja algum dos posts desse blog. Por vários anos percebo que estes são assuntos mais chatos do que política, futebol ou catástrofes, as pessoas simplesmente não se reúnem em pizzarias para ouvir o quão surpreendente um evento probabilístico foi, ou como conjuntos se relacionam. Tampouco estes são temas do currículo que interessem a estudantes ou concurseiros.

Dessa forma, quando me propus a trabalhar com divulgação de ciências na área da matemática, tentei ser legal, falar de coisas legais, atrair a galera legal… isso fracassou, falhei novamente e depois novamente, até que entrasse num projeto de blogs científicos. A magia deste grupo é sua própria existência como uma comunidade, pois nela apoiávamos uns aos outros para aumentar a divulgação e levar os temas “chatos” até aqueles que os achem divertidos. No início deste trabalho precisava definir um tema para o blog, e então seguindo com a proposta que já trabalhava anteriormente, decidi relacionar a ludicidade com as estruturas rígidas do formalismo matemático. Assim não seria nem uma coisa nem outra, para o azar de vários matemáticos que já vieram me criticar sobre “minha demonstração não estar 100% completa”.

Com isto em mente, o blog se fez com um nome que remeteria a matemática de múltiplas formas e com um significado inalterado para diversos idiomas, um número que não surgiu naturalmente, apesar de ser “natural” vermos ele em todos os locais, o Zero.

Percebi neste período trabalhando junto a outros blogs de divulgação científica, que o trabalho no blog Zero era bastante peculiar, pois a matemática no contexto da divulgação muitas vezes parece centrada no seu ensino como conteúdo curricular. As pessoas não chegariam a um matemático com perguntas práticas sobre como funciona o micro-ondas, como se prolifera um vírus… e mesmo que chegassem a resposta provavelmente seria: eu não sei. Nossa área é centrada em um tema de natureza mais abstrata e ao mesmo tempo distante do nosso mundo prático e utilitário. Apesar disso há uma gama de conceitos e conteúdos interessantes que quando temos tempo suficiente para discuti-los, notamos que o “entender” é o verdadeiro benefício deste estudo. Saber como escolher uma pizza utilizando otimização, ou mesmo ler um meme da internet sobre π, são várias inutilidades que reunidas já não são tão desinteressantes e divulgá-las é um tanto trabalhoso, porém gratificante de forma diretamente proporcional.

O principal estímulo para este trabalho foram minhas percepções do próprio mundo com suas propriedades matemáticas, as quais, quando tento contar aos outros, percebo uma imensa dificuldade de entendimento. É como se eu visse as coisas de maneira muito simples, e apenas uma explicação verbal não fosse o suficiente para outras pessoas entenderem. Então comecei esta produção com o intuito de contar algumas dessas coisas “divertidas” que vejo o tempo todo, e que é mais fácil de explicar com textos, cálculos e desenhos descritivos.

Por exemplo, se há uma relação bijetora entre os membros de um grupo do WhatsApp e os alunos de um curso, todos no grupo serão alunos e todos os alunos estarão no grupo.

Relação bijetora

Alunos do curso

Grupo do WhatsApp

João→

Maria→

Pedro→

Júlia→

←João

←Maria

←Pedro

←Júlia

Se há uma relação injetora dos alunos do curso no grupo do WhatsApp, teríamos certeza de que todos os alunos estão no grupo, mas não poderíamos garantir que todos no grupo seriam alunos.

Relação injetora

Alunos do curso

Grupo do WhatsApp

João→

Maria→

Pedro→

Júlia→

João

Maria

Pedro

Júlia

Cláudio

Da mesma forma, se há uma relação sobrejetora dos alunos do curso no grupo do WhatsApp, teríamos certeza de que todos no grupo são alunos, mas não poderíamos dizer que todos os alunos estão no grupo.

Relação sobrejetora

Alunos do curso

Grupo do WhatsApp

João

Maria

Pedro

Júlia

←João

←Maria

←Pedro

Assim, uma relação bijetora é ao mesmo tempo injetora e sobrejetora. Um conceito bastante simples e presente em módulos de disciplinas com acompanhamento a distância:

1. Não queremos pessoas externas ao curso no grupo;

2. Não queremos deixar ninguém do curso fora do grupo.

Se há uma relação bijetora entre os participantes do curso e os membros do grupo, então temos a certeza de que estes dois interesses são atingidos. De forma análoga, se temos a turma dividida para trabalhar em vários projetos, cada grupo deve ter uma relação sobrejetora com a turma (apenas alunos deste curso participarão do grupo), mas não injetora (não queremos a turma toda reunida em um só projeto).

Crédito da imagem de capa:
https://xkcd.com/435/​

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Quem escreve os posts?

4 comentários em “Divulgação Científica de Matemática

  • 24 de junho de 2020 em 20:07
    Permalink

    Seus posts são lindos, querido! Matemática fica divertido sabe…

    Resposta
    • 24 de junho de 2020 em 21:23
      Permalink

      Obrigado querida 🙂 para ajudar a perder o medinho de matemática

      Resposta
  • 26 de junho de 2020 em 16:49
    Permalink

    Orgulho de ter você como parceiro de divulgação científica

    Resposta
    • 26 de junho de 2020 em 19:32
      Permalink

      🙂

      Resposta

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