No Zero a gente leu “Einstein: o que você quer saber?” de Robert Snedden

Lembro dos muros de uma escola em que trabalhei um grafite de Einstein e a fórmula E = mc². Parece que as pessoas simplesmente adoram essa figura e essas letras associadas, sem mesmo entender o que isso significa ou quem foi esse homem.

Então… admito que sabia muito pouco sobre ele, o que estudei na graduação envolvia Física Mecânica, Termodinâmica e Eletromagnetismo. Só fui rever um pouco de Física depois do Mestrado quando montei um projeto de Doutorado envolvendo o Ensino de Mecânica Quântica (já mencionei isso em alguns posts). Enfim, para montar esse projeto o professor Aguinaldo (da Unesp de Bauru) me passou suas notas de aula dessa disciplina e comecei a estudar bastante esse assunto (mas porque estou falando de Mecânica Quântica?).

Pois bem, no final do século XIX as teorias Físicas passavam por uma série de problemas. Vários pontos em que os modelos davam errado começaram a aparecer. A princípio são tratados como exceções, ou criam-se regras específicas para aquele comportamento. Mas a medida que o número de exceções observadas aumenta, parece que a teoria atual já não serve mais, e faz-se assim necessário adotar novos modos de enxergar as coisas.

Nesse sentido, as leis de Newton para o movimento pareciam apresentar graves problemas quando aplicadas a distâncias micros e macros. No caso das distâncias micros, tínhamos o movimento de moléculas, átomos, elétrons… enquanto que nas distâncias macros tínhamos os corpos celestes. No sentido de explicar o movimento em distâncias micros, temos a Mecânica Quântica. Já para explicar o movimento em distâncias macros, temos a Teoria da Relatividade.

Einstein está ligado à Teoria da Relatividade ao propor um movimento no qual a velocidade da Luz é uma constante inalterada independente do observador. Indo na direção contrária à ideia de que possamos acelerar um objeto de maneira constante até que ele ultrapasse a velocidade da luz (visão Newtoniana). Pois, como a velocidade da Luz na Teoria da Relatividade é constante, temos que um objeto acelerado chegará a um ponto em que em vez de ganhar velocidade, começará a ganhar massa!

Pois a energia (E) de sua aceleração não pode ser interrompida (dado que estamos acelerando o objeto), então, como a velocidade da Luz (c) é sempre a mesma, temos que a energia se converte em Massa (m). Ou seja, objetos próximos da velocidade da Luz vão se tornando cada vez mais pesados, e consequentemente mais difíceis de acelerar. Precisaríamos de cada vez mais energia, e essa energia ia se convertendo em Massa… daí, aquela fórmula “E = mc²”, ou, Energia é igual à massa vezes velocidade da luz ao quadrado.

Uma consequência dessa fórmula (e talvez por isso tão famosa) é que a massa de um átomo pode ser convertida em energia! Daí o princípio para a bomba atômica… mas esse assunto já é complicado demais para eu tentar explicar.

Enfim, não fiquei comentando sobre Mecânica Quântica no começo desse post a toa. Apesar de Einstein ter trabalhado diretamente pouco nesse campo da Física, ele foi um severo crítico dessa área. Einstein vivia em discussão contra essa área justamente por não acreditar que a aleatoriedade pudesse existir no universo, e que fosse apenas uma falta de precisão dos nossos instrumentos na hora de inferir que algo ocorreu de forma aleatória.

Com isso, Einstein colaborou bastante ao se opor com experimentos mentais que tentariam desestruturar a Mecânica Quântica e a medida que cada experimento mental era refutado, essa área ia se fortalecendo.

Acho esse na verdade o ponto mais interressante que esse livro todo trouxe a tona. Pois a crítica e oposição racional a um tema, tem muitas vezes mais a fortalecê-lo do que o apoio e incentivo ingênuo. Por exemplo, meu trabalho com demonstrações de teoremas, eu adoro isso, acho que é uma coisa inovadora e que pode auxiliar muito a aprendizagem… mas sei que preciso de críticos muito duros para me forçarem a enxergar aspectos que até então por meu otimismo e paixão pelo tema, venho ignorando (e sequer percebo). Nesse sentido, por mais que a gente goste de uma teoria, ter quem a critique não é ruim (desde que as críticas sejam sérias). E se por ventura sua teoria não resistir a alguma crítica ou contraposição a ela, isso também é bom, pois indica que sua teoria talvez não fosse forte o bastante ou até mesmo, não fosse verdade.

Assim, em meio ao que estudei de Mecânica Quântica vi bastante desse universo micro, das suas fórmulas e a medida que lia esse livro (“Einstein: o que você quer saber?” de Robert Snedden) enxergava um pouco dos pontos que a princípio a gente pensa em criticar (se sentindo inovadores por termos essa ideia) nos experimentos mentais propostos. Realmente, nem Mecânica Quântica e nem Relatividade são assuntos fáceis de se entender a primeira vista, talvez eu tenha entendido esse livro um pouquinho mais fácil pois já tinha em mãos várias das peças desse quebra-cabeças que envolveu a ruptura da Física no final do século XIX. Mas acredito que é uma leitura com um nível de dificuldade “aceitável” para a maioria das pessoas (provavelmente se perderão em vários momentos, mas nem por isso o prazer que o livro proporciona diminuirá).

Acredito que o livro tenha feito um bom apanhado não só da teoria e do trabalho de Einstein, como também do cenário social, histórico e político que girou em torno desse homem. Que apesar de ter cometido alguns erros científicos, o maior dos erros que ele se arrepende, foi ter sugerido ao presidente dos Estados Unidos, a criar uma bomba atômica.

Agradeço à Editora M.Books pelo livro cortesia “Einstein: o que você quer saber?” de Robert Snedden, que possibilitou a produção desse texto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *