Zero

Blog de Ciência da Unicamp

V.15. Ed. 1

Pra quê vou usar isso na minha vida?

Pra quê vou usar isso na minha vida?

Essa frase é dita comumente por diversos estudantes, seja no Ensino Fundamental, Médio ou Graduação. Porém, as respostas são variadas, tem aqueles professores que fazem um malabarismo conceitual para justificar a importância desses conteúdos, outros dizem que é importante porque cai na prova, e há ainda quem diga que não é importante, mas é divertido, e isso só já basta.

Mas a Matemática está, sem nenhuma sombra de dúvida, presente a todo o instante na nossa vida, inclusive para nos ajudar naqueles momentos que ninguém gosta de viver, isto é, quando estamos doentes e precisamos nos medicar.

Você deve se lembrar que ao prescrever uma receita, o médico especifica a quantidade que precisa tomar. Ele olha um pouco pro teto, faz hummmmmmm e diz “tome tantos ml da medicação 3x ao dia, por 7 dias”.

Mas como o médico chegou à conclusão da administração da dosagem a fim de curar uma enfermidade?

Será que todo médico é um gênio que te olha, e intui magicamente quanto da dosagem você precisa? Isso pode até ser verdade para alguns casos onde a experiência profissional poderia encher uma enciclopédia. Mas via de regra, há um segredo naquele papel que a maioria de nós jogamos fora logo ao pegar qualquer caixinha de remédio, a bula.

Nela há um tópico chamado “posologia”, que traz as instruções sobre o uso do medicamento, isto é, o número de vezes e a quantidade de medicação a ser utilizada a cada dia.

Por meio dessa informação, o médico decide a quantidade necessária para o paciente usar a medicação a cada dia.

Mas, a fim de nos resguardarmos de possíveis erros médicos, podemos analisar se a conclusão do médico de fato está correta, utilizando um assunto que estudamos nos anos finais do Ensino Fundamental: a regra de três.

Em toda embalagem de medicamento, como podemos ver na imagem abaixo, há uma razão entre a quantidade de determinada substância e a quantidade em mililitros do líquido.

Por meio dessa informação descrita no rótulo do remédio, da bula e de outras informações adicionais, conseguimos ver se o médico está correto na administração da medicação.

Observe: A título de exemplo: de acordo com a bula do medicamento fostato sódico de prednisolona, a dose pediátrica inicial pode variar de 0,14 a 2 mg/kg de peso por dia, administrados de 3 a 4 vezes por dia. Suponhamos que o médico receite para uma criança com massa corporal de 20 kg, 10 ml da medicação. Vamos ver se o médico administrou de forma correta?

1,5 mg ———- 1 kg (dados da bula)
X ——————- 20 kg
X = 30 mg (quantidade necessária da medicação em miligramas)

Convertendo para mililitros (ml), temos:
3 mg —— 1 ml (dados do rótulo)
30 mg —— x
X = 10 ml (quantidade líquida que o paciente precisa tomar)

O médico acertou!


Como referenciar este conteúdo em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023/2018):

SILVA, Henrique Alexandre. Pra quê vou usar isso na minha vida?. In: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Zero – Blog de Ciência da UnicampVolume 15. Ed. 1. 1º semestre de 2026. Campinas, 18 de maio de 2026. Revisão de: SILVA, Emanuelly de Paula Dias da, 18 maio. 2026. Disponível em: https://www.blogs.unicamp.br/zero/6398/. Acesso em: <data-de-hoje>.

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