Senhorita Green
Senhorita Green é uma jovem de 34 anos, que aproveitou seus 15 dias de férias para velejar um pouco seu Dingue (um barco a vela individual) em alto mar. Navegando por águas nunca antes vistas, tão longe de onde partiu que nem as estrelas por ali, reconhecia (não que ela reconhecesse estrelas em qualquer lugar do mundo), ela se depara com uma corrente marítma de grandes proporções (em comparação a ela).

Como ela só chegou até o módulo básico do seu curso de velejação, ela ficou atônita frente a natureza, e não soube o que fazer, além de aceitar seu destino e deixar o barquinho seguir rumo a esse evento estranho.

Logo que entra nesta corrente marítma, ela tem impressão que estava em um movimento circular… Então como tudo o que ela via era água e céu, na falta de um referencial inercial sobre o que estava acontecendo, ela pega três dos seus remos sobressalentes, que por coincidência tem formato de setas, e joga-os no mar na direção em que a corrente parecia mover-se.

Então senhorita Green estimou a distância que o remo a sua frente havia se distanciado tanto de modo linear K metros, quanto circular P metros. Com essas duas medidas, ela pode determinar sua distância até onde deveria ser o centro dessa corrente maritima circular.

Ela sabia que para um mesmo ângulo de abertura Q em graus, teremos tanto a base K de um triângulo isósceles, com as arestas medindo o raio R do círculo, quanto o comprimento P deste arco de círculo. Assim:
P = R*Q
sen(Q/2) = (K/2)/R

Organizando as expressões, senhorita Green chegou em:
P = R*Q
K = 2*R*sen(Q/2)
Fazendo a razão entre P e K (ambos valores inicialmente conhecidos), a senhorita Green pode eliminar o R, e determinar o valor do ângulo.
P/K = (R*Q)/(2*R*sen(Q/2)) = Q/(2*sen(Q/2))
Depois, determinando Q, ela pode definir o valor do raio R, substituindo Q em qualquer uma das duas equações iniciais.
Empolgada com o resultado, senhorita Green decidiu tirar uma selfie sua nesse momento especial.

Mas depois de fazer algumas poses ridículas que jamais mostraria pra ninguém, percebeu que em vez de tirar foto, estava gravando. Antes de apagar a gravação para liberar espaço na memória e tirar suas selfies, assistiu ao vídeo e viu que o remo levou T segundos para mover-se a distância P metros. Assim, ela percebeu que dava para determinar a velocidade do remo na água, fazendo P/T.
Pensativa a respeito do que poderia fazer com aquela última informação, senhorita Green começou a rascunhar em seu caderninho de bordo.
Se supormos que a vorticidade W (medida que quantifica a rotação das partículas de um fluido) for constante, então a circulação do campo F de velocidades na água pode ser descrito como:
F = W*pi*R², ou seja, o campo de velocidades é a vorticidade vezes a área da superfície afetada.
Porém, como ela sabia a velocidade do remo (P/T), era possível descrever a circulação do campo F, como:
F = 2*pi*R*(P/T), ou seja, a velocidade do remo percorrendo o contorno da circunferência.
Igualando ambas as expressões, ela chegou em:
W*pi*R² = 2*pi*R*(P/T)
Isolando a vorticidade W, ficou:
W = 2*P/(T*R)
Feliz de ter encontrado essa medida, ela foi logo postar a descoberta nas redes sociaise ninguém nunca mais a viu…
Como referenciar este conteúdo em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023/2018):
SILVA, Emanuelly de Paula Dias da. Senhorita Green. In: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Zero – Blog de Ciência da Unicamp. Volume 15. Ed. 1. 1º semestre de 2026. Campinas, 15 de junho de 2026. Disponível em: https://www.blogs.unicamp.br/zero/6406/. Acesso em: <data-de-hoje>.
