Felicidade microbiologista (V.2, N. 5, 2016)

As pessoas adoram ouvir histórias de cientistas, de como aquelas pessoas que não “trabalham”, só “estudam”, descobrem e inventam coisas todos os dias. E não é assim mesmo?

Fico possesso quando escuto algo do gênero. Outro dia, uma amiga ex-fumante, bradou aos 4 ventos que eu não trabalhava, era sustentado pelo governo para “apenas” estudar. Pois eu perguntei: “Como você parou de fumar? Fez promessa, oração?”. A resposta: “Eu tomei remédio…”. Não preciso nem dizer que a discussão acabou por ali mesmo…

O trabalho do cientista é árduo, e na maioria das vezes não é reconhecido como merecia ser. Muitos de nós não possuem carteira assinada (ou seja, sem benefícios trabalhistas) e as jornadas de trabalho não se resumem a 8h diárias. Essas jornadas podem ter 8, 12, 20, 30h de trabalho contínuo!!! Sim, meus colegas e eu já ficamos 30h seguidas no laboratório (várias vezes, diga-se de passagem) para acompanhar o crescimento, ou morte, de algum micro-organismo. Escreverei futuramente sobre algumas destas pesquisas.

Mas quando você escolhe trabalhar com VIDA, mesmo que microscópica, você está sujeito a isso. Como diria uma antiga professora minha “vá pular carnaval com os esporos”. Sim, finais de semana, feriados, dia de pagamento, aniversário, etc. Os micro-organismos não tiram folga, e por consequência, você que escolheu trabalhar com eles, também não tira.

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E lá eu quero outro tipo de profissão para mim? Claro que não!!! AMO o que faço, e faria essa escolha todas as vezes que fosse possível. As recompensas de nossos trabalhos, nossas pesquisas, são infinitamente superiores aos pontos negativos. A satisfação de ver todo seu trabalho, toda sua dedicação, ser reconhecida e aplaudida pela comunidade científica é ímpar. Agora, ver que seu trabalho realmente está fazendo a diferença na vida das pessoas, não tem preço!

Como diria um personagem muito querido, “trabalhamos nas sombras para servir à luz”.

Pretende começar na vida de laboratório, mais precisamente na microbiologia? Escreva! Me procure, venha trocar algumas ideias! E continue acompanhando o blog!

Antes de ser macroscópico, o mundo foi, é, e sempre será, microscópico.

Rafael Djalma Chaves

Doutor em Ciência de Alimentos (FEA/Unicamp), especializado em Microbiologia de Alimentos. Pesquisas desenvolvidas com micro-organismos patogênicos e deterioradores (Staphylococcus, Salmonella, Listeria, Bacillus, fungos e leveduras). Nas horas vagas, consumidor ávido de cinema e video-games!

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