Se é para brincar, eu brinco em casa! Por que o fono ‘só’ brinca na terapia?

Texto de Larissa Kelly Rodrigues Da Silva
Graduanda em Fonoaudiologia na Unicamp

No primeiro post desse blog desmistificamos o brincar como o [Mito 2] da Fonoaudiologia. Curiosamente, não se trata de um mito, é verdade!
Esse post pretende explicar um pouco melhor esse tema!

Muitas pessoas questionam o motivo do fonoaudiólogo brincar “tanto” durante as terapias, principalmente naquelas de linguagem, com questionamentos do tipo: “Meu filho não consegue falar problema e o fono dele só brinca!” , ou“Meu filho tem 4 anos e quase não fala, e o fono só quer saber de brincar!”.

E depois vem a angústia: “Se é para brincar, eu brinco em casa!”, “Devo continuar levando meu filho?”, ou “Converso com o fono ou troco logo por outro?” Não faça nada antes de ler este texto! Vamos entender o objetivo dessas brincadeiras.

A importância do brincar

O brincar é uma atividade inerente ao universo da criança, um modo de ela assimilar diversas informações do cotidiano, tais como a sua cultura, os padrões sociais, as relações interpessoais e até a própria realidade.

O famoso psicólogo Jean Piaget diz ser reveladora as estruturas comportamentais, sociais e linguística no brincar infantil. Em cada etapa do desenvolvimento da criança há diferentes maneira de jogar e de brincar.

O brincar no trabalho fonoaudiológico

A brincadeira durante terapia é um recurso técnico que possibilita saber se a criança está engajada com as atividades, tornando a experiência mais enriquecedora e eficaz. Isso evita que as atividades não passem de simples repetição de uma lista de palavras, por exemplo, o que é maçante e cansativo.

Brincar é investimento no trabalho, na aprendizagem e na produção de sentido do seu filho. A terapia tem um objetivo a ser alcançado e a brincadeira permite que ele seja adquirido de maneira leve e divertida, aumentando o tempo de atenção e interesse da criança na atividade.

O brincar também permite ao terapeuta acessar o funcionamento da linguagem nas mais diversas situações cotidianas do pequeno indivíduo, podendo, assim, individualizar o trabalho terapêutico. Todo o material trazido na terapia permite a criança se colocar no papel de sujeito e relacionar-se com o outro, permitindo ao fonoaudiólogo um trabalho clínico eficiente.

É mesmo necessário brincar durante a terapia, não? Ainda têm dúvidas sobre para que serve as brincadeiras que o terapeuta tem feito? Pergunte para ele o objetivo dessa atividade e como ela pode auxiliar na terapia. Converse!

Ao brincar, a criança aprende a aprender!

Para saber mais:

CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA. Sistema de Conselhos Lança Campanha de Fonoaudiologia na Primeira Infância. Site oficial, 24 de setembro de 2018. https://www.fonoaudiologia.org.br/cffa/index.php/2018/09/sistema-de-conselhos-lanca-campanha-de-fonoaudiologia-na-primeira-infancia/.
Acesso em: 05 de agosto de 2020.

PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1978.

POLLONIO, Claudia Fernanda; FREIRE, Regina Maria Ayres de Carvalho. O brincar e a clínica fonoaudiológica. Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Disponível em: https://www.pucsp.br/linguagemesubjetividade/PDF/Dissertacao%20Cludia%20Pollonio.pdf.
Acesso em: 05 de agosto de 2020.

Sobre Thiago Oliveira da Motta Sampaio 8 Artigos
Professor de Psicolinguística e Processos Cognitivos na UNICAMP; Divulgador da Ciência, Scicaster e "Spiner" (Spin de Notícias) no Portal Deviante (www.deviante.com.br); e Embaixador da Olimpíada Brasileira de Linguística (www.obling.org).

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