O segredo das suculentas

Uma planta suculenta
Gymnocalycium quehlianum | Foto: Fábio Raya

Suculentas — ah, as suculentas! — Elas são o delírio febril dos colecionadores de plantas, e a alegria dos vendedores de Garden Centers.

Com seus formatos peculiares, geométricos e até cerebrais, encantam admiradores em todo o globo. Apesar de o cultivo desse tipo de planta ser muito antigo, recentemente elas ganharam destaque porque são, em sua maioria, plantas pequenas e pouco exigentes, o que as tornam ideais para varandas e janelas ensolaradas.

Com tanta diversidade de cores e formas é muito comum a gente se perguntar: afinal o que faz uma planta ser considerada suculenta?

O que é uma suculenta?

“Suculenta” é um termo generalista e não uma categoria taxonômica utilizada na botânica.

Trata-se de uma denominação para plantas que têm a capacidade de acumular água em alguma parte do seu corpo (caule, folhas ou raízes).

Por exemplo, a primeira imagem que nos vem a cabeça quando falamos de suculentas é das folhas carnosas e rechonchudas das Echeverias, ou os caules redondos e grossos dos cactos.

Os mais curiosos e atentos ainda podem se lembrar das raízes das rosas-do-deserto (Adenium obesum) e das Zamioculcas, que apesar de serem plantas de sombra, também são consideradas suculentas.

Suculentas
Fenestraria aurantiaca | Foto: Fábio Raya

Plantas de deserto?

É muito comum associarmos suculência com plantas de deserto, porque essa característica é muito difundida em regiões que tem regime de chuva irregular.

Entretanto, a suculência pode aparecer em diferentes ambientes!

Um belíssimo exemplo disso são os cactos epifíticos da mata atlântica, como Rhipsalis, que habita as copas das árvores do sudeste do Brasil.

Pode parecer estranho, mas mesmo em florestas úmidas, as copas das árvores podem ser ambientes secos, já que as epífitas não têm acesso à água retida no solo. Assim, elas podem usar estratégias muito semelhantes às encontradas nos desertos para tentar capturar e estocar o máximo possível de água.

Vemos muitos casos assim na botânica, desde modificações anatômicas, como a própria suculência, até mudanças no metabolismo.

Lithops lesliei subsp. lesliei | Foto: Fábio Raya

Por exemplo, vocês sabiam que as delicadas orquídeas têm o mesmo metabolismo que os gigantescos mandacarus? Ambas as plantas fazem fotossíntese CAM, que utiliza até 80% menos água. A suculência é, portanto, uma questão muito atrelada ao microclima e geralmente está associada a falta de água. 

Dicas de cultivo de suculentas

Apesar das suculentas serem muito diferentes entre si, nós preparamos algumas dicas de cultivo para você dominar a arte de “suculentar”, e ter belas plantas — para deixar todos os seus amigos no Instagram com inveja.

Ao chegar com aquele vasinho lindo em casa, faça o seguinte:

1. Encontre um local ideal para o desenvolvimento de suas plantinhas

Suculentas adoram a iluminação solar, então se você planejava deixar essas belezinhas sobre a mesa do escritório ou na estante sem iluminação solar direta repense sua estratégia.

Essas plantas necessitam de pelo menos algumas horas de sol direto, então procure deixá-las em locais que forneçam essa condição, caso contrário ela poderá sofrer.

Uma maneira de saber se sua planta está em um bom local é acompanhar o crescimento. As echeverias, por exemplo, perdem o formato de roseta e crescem verticalmente, ficando parecidas com mini árvores. Este é um processo chamado de estiolamento, causado pela falta de luz.

Entretanto se sua plantinha já estiver parecendo uma árvore de natal, o que você pode fazer?

Para não correr o risco que queimar sua suculenta, você deve expor o vasinho ao sol gradativamente. Comece colocando o vaso, durante a manhã, sob sol direto, por 2-3 horas. Depois, tente aumentar este tempo, um pouquinho por semana. 

Suculenta
Copiapoa calderana | Foto: Fábio Raya

2. Quando e como regar as suculentas

As suculentas gostam de água? Sim, assim como todo ser vivo, o que elas não toleram é solo encharcado e não drenado. A dica é regar quando a terra estiver seca.

Vasos com furos são muito importantes para garantir uma boa drenagem.

Outra dica é misturar 1/3 de areia lavada com o substrato ou terra vegetal. Assim, a água não acumula e você evita o encharcamento do solo.

Para saber se a suculenta está bem hidratadam aperte a folha entre o polegar e o indicador:

  • se ela estiver firme é porque a rega está certa;
  • se a folha estiver murcha/mole pode regar com maiores frequências.

3. Processo de adubação e poda

No outono e na primavera as plantas tendem a crescer, então é uma boa hora para fornecer adubação.

Existem no mercado formulações próprias para cactos e suculentas, mas geralmente um replantio com adição de terra vegetal, passando para um vaso maior, são suficientes para garantir o bom desenvolvimento. 

O bom desenvolvimento é também garantido com boas podas!

Sim, essas plantas podem e devem ser podadas. As suculentas em forma de roseta muitas vezes ficam com o caule alongado e a roseta apenas na ponta do caule. Quando isso ocorrer, basta cortar aproximadamente 3 cm abaixo da roseta e colocar em um novo vaso para que ela enraíze. 

Suculentas são especiais

Não existe uma receita única para todas as suculentas, pois cada uma tem suas especificidades.

A graça do cultivo é ir descobrindo o que cada plantinha da sua varanda prefere.

O cultivo é justamente essa descoberta, portanto não desista se acontecer de algumas plantas partirem dessa para uma melhor, persista e entre nesse maravilho mundo de aprendizados.

Ótimo cultivo! 

Autores

Luciano Delmondes de Alencar M.Sc

Agroecólogo, mestre em genética, melhoramento vegetal e biotecnologia e doutorando em genética e biologia molecular. Atualmente é servidor público federal no IFSP e coordena a SmartBiofactory: uma biofábrica inteligente. É um colecionador entusiasta de cactos e outras suculentas, seu projeto de doutorado busca compreender a evolução de um gênero de cactos endêmicos do Brasil através de biologia molecular.

Fábio Trigo Raya, M.Sc.

Biotecnologista, geneticista e empreendedor. Apaixonado por plantas de deserto e especialista em biotecnologia vegetal. Atua principalmente com melhoramento genético visando resistência a estresses abióticos, bioeconomia, produção de biorrenováveis no semiárido e desenvolvimento de produtos biotecnológicos. É co-fundador da ECRA Biotec onde colabora com projetos de P&D e produção.

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2 Comentários

  1. Sou apaixonada por suculentas
    Estou começando a conhecer esse mundo mágico das plantas
    Muito obrigado pala informações valiosas 🌹🌿

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