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Esse blog, por muitas vezes, abordou a importância dos microorganismos na natureza. Todos os ciclos biogeoquímicos (como o do carbono, fósforo ou nitrogênio) possuem alguma etapa que seja estritamente microbiana. Além disso, observamos que cada nicho, por mais extremo que possam ser suas condições, possuem no mínimo algum tipo de microorganismos (nos casos mais extremos Archaeas).

Atualmente, os cientistas têm estudado a importância da presença de determinados tipos de microorganismos nos nossos intestinos. Eles são capazes de atuar em conjunto com o sistema digestório humano, isto é, são capazes de “digerir” materiais que escapam da digestão no trato gastrointestinal superior. Assim, através de processos fermentativos (pois como sabemos, o nosso intestino é um ambiente anóxico) são capazes de fornecer nutrientes e energia para nós seres humanos.

Entretanto, como nada na natureza é simples, essa fermentação ocorre em etapas. Estas etapas são realizadas por diferentes grupos funcionais de microorganismos ligados numa cadeia trófica. Por exemplo, comunidades microbianas hidrolíticas secretam enzimas que digerem substratos complexos em moléculas mais simples e de fácil assimilação para elas e para outros grupos de bactérias também. Outro exemplo, o hidrogênio produzido no processo de fermentação é eliminado através de sua transferência interespecífica (Archaeas metanogênicas, bactérias sulfato-redutoras e outras). Como o excesso de hidrogênio diminui a eficiência dos processos fermentativos, essa eliminação é de grande importância para o ecossistema formado no intestino e, desta forma, para a saúde dos seres humanos.

Assim, podemos observar que nossa saúde é diretamente ligada a estrutura das comunidades microbianas presentes em nossos intestinos. Grandes mudanças nessa estrutura podem ser extremamentes danosas para nossa saúde. Hoje podemos observar a grande quantidade de anúncios de iogurtes dizendo serem capaz de corrigir a “flora” (por que eles não concertam isso????) intestinal. Entretanto, podemos observar que essa dinâmica não é tão simples como eles mostram nos comerciais. Muito ainda tem que ser estudado nessa área. E com o avanço de técnicas de biologia molecular que são capazes de identificar os grupos de microorganismos presentes no nosso aparelho digestório muito ainda será descoberto nessa área.

Fonte: FEMS Microbiology Ecology

Referência:

Chassard, C. et al. 2008. Assessment of metabolic diversity within the intestinal microbiota from healthy humans using combined molecular and cultural approaches. FEMS of Microbial Ecology 66:496-504

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