O novo manual de negócios sustentáveis – Resenha

livro

Se você espera alguma coisa nova nesse manual, esqueça, não tem nada muito novo ou diferente do que você já tem ouvido, visto e lido sobre sustentabilidade, ou melhor, sobre negócios sustentáveis por ai. O novo do título se refere ao manual anterior, lembra apenas que esse é mais recente que o anterior. Um amigo me lembrou que de fato o objetivo de um manual não é trazer nada novo, manuais são sistematizações de coisas que já existem, mas uma vez se tratando de sustentabilidade (um tema bem novo) eu esperava mais novidades, confesso, me empolguei com o título esperando coisas realmente novas e não foi o que aconteceu.

O livro serve como um ótimo início para quem não tem muita noção do que é sustentabilidade e quer aplicá-la ao seu negócio. É uma ótima base, dá pra ter uma noção bem real do que deveriam ser negócios sustentáveis.

O que eu acho que faltou no livro foram exemplos, eu realmente esperava mais cases, muitas vezes é mais fácil entender por meio de exemplos, mesmo que fictícios.

“Mais e mais, sustentável é escolhido para indicar tudo o que desejamos, mas não sabemos como definir exatamente: uma forma aparentemente mais sofisticada para dizer bom ou justo. Só que bom e justo parecem conceitos ingênuos ou simples demais para muitos diplomatas, ativistas ambientais ou empresários, enquanto sustentável e suficientemente obscuro para deixar entender que se trata de algo bem mais complexo e elaborado, sem dizer o quê.” Roberto Smeraldi

A única coisa que achei um pouco desnecessária no livro foi o último capítulo: Como montar um plano de negócios sustentáveis, não o capítulo todo, mas a parte prática que ele ensina exatamente como fazer um plano de negócios, explicando Forças de Poter, análise SWOT, valor presente líquido, taxa interna de retorno, eu espero esse tipo de coisas num livro de estratégia de empresas, finanças, esses detalhes são perfeitamente dispensáveis num manual de negócios sustentáveis, eu acho. Tudo bem um plano de negócios é um plano de negócios e provavelmente nenhum investidor vai te dar muita bola se você não fizer isso como manda o figurino, mas estamos falando de negócios sustentáveis, ele poderia ir direto ao ponto.

 

Esse livro foi gentilmente cedido pela Publifolha. Obrigada, Reinaldo pelo contato!

Sustentabilidade é decoração, novo conceito (eu acho).

placasolar

Pois bem, chegou um e-mail na minha caixa postal com o título Moda e Sustentabilidade. E veio junto essa foto ai de cima. Como meu último post perguntava o que era sustentabilidade pra você eu fiquei na dúvida sobre o que é sustentabilidade para quem escreveu o e-mail. Até respondi o mail perguntando isso. Mas na realidade a pergunta que eu gostaria de ter feito é: o que tem de sustentável usar placas solares como objeto de decoração? Hein, hein, hein? Ainda bem que não fui só eu que não entendi.

O que é sustentabilidade pra você?

Já tem um tempo eu mandei um mail para várias pessoas perguntando o que era sustentabilidade pra elas, pouquíssimas pessoas responderam, a ideia era juntar tudo isso num post e ver o que as pessoas pensam sobre sustentabilidade.

Como outro dia me perguntaram nos comentários o que era sustentabilidade pra mim resolvi retomar a ideia desse post e publicá-lo. As duas primeiras declarações eu peguei em alguma publicação que não me lembro agora qual era, as outras consegui por e-mail ou então com a ajuda do Hugo que também num passado distante perguntou isso para a lista de e-mail dele. Segue as opiniões…

 

“Sustentabilidade é um caminho sem volta. Com o tempo, a situação voltará à sua normalidade e quando a poeira baixar, quem tiver feito a lição de casa, certamente estará melhor posicionado no mercado e com diferencial competitivo em relação à concorrência” Maria Luiza Pinto, Diretora Executiva de Desenvolvimento Sustentável do Grupo Santander

“Sustentabilidade não é algo a mais, mas uma maneira diferente de fazer negócios. É um alvo móvel, que você nunca acerta, vai apenas se aproximando dele, tentando prever seus próximos movimentos. Em termos de cadeia, sustentabilidade não é apenas fazer alguma coisa boa, ou respeitar a lei. Significa conhecer e tornar transparente a relação com os fornecedores, por entender que os insumos são parte integrante de seu produto ou serviço. O aspecto mais crítico é que os impactos indiretos de uma atividade, via de regra, são muito mais sérios e importantes que os diretos. Em vez de esconder ou externalizar os passivos, o empreendedor preocupado com sustentabilidade os assume e transforma as iniciativas para superá-los em vantagem competitiva em relação aos seus concorrentes.” Roberto Smeraldi, Diretor da Ong Amigos da Terra Amazônia Brasileira.

De forma bem resumida: “Sustentabilidade pra mim é construir sem destruir” 🙂 Edney Souza, Diretor de Operações da Pólvora Comunicações

 
“Integrar-se à natureza e protegê-la para que continue nos proporcionando a possibilidade de existir por muitos e muitos anos.” Gustavo Pimentel, economista, especialista em eco-finanças.


“Sustentabilidade é uma palavra que está super na moda, mas acredito que poucas pessoas param pra pensar o que um estilo de vida verdadeiramente sustentável exigiria de cada um de nós, se isso é possível, ou mesmo se é isso que realmente queremos. Pra falar a verdade, me pergunto se sustentabilidade não seria uma utopia. O homem primitivo já causava impactos sobre o meio ambiente ao seu redor (por exemplo, várias espécies animais desapareceram da América antes mesmo da colonização pelos europeus, em função da caça predatória dos povos que aqui já habitavam) quando as populações humanas ainda eram pequenas. Minha visão de sustentabilidade é um bocado negativa, eu sei.

O fato é que não acredito em sustentabilidade nos moldes de hoje: produtos “verdes” que parecem que tiram toda a culpa de consumir, como se esses produtos tivessem impacto zero sobre o meio ambiente. Fico feliz que os movimentos por estilos de vida mais simples e menos materiais estejam crescendo mundo afora. Afinal, luxo hoje não é só possuir bens, mas ter tempo, saúde, amigos…” Nathália Allenspach, bióloga, Recicle Blog.

Pra mim, sustentabilidade não é um tema novo, e sim um tema esquecido, que as pessoas estão relembrando agora. Deveria ter sido assim desde o começo da era industrial. Fabio Yabu, escritor e desenhista, Mude o Mundo.

Sustentabilidade é viver nos limites do possível. É escolher entre uma de duas restrições: taxa de renovação dos serviços e funções ecossistêmicos e taxa de assimilação e dejetos.

Porque um dos dois?  Porque se um permitir expansão de 2,5% e o outro, de 1,8%, prevalecerá a segunda restrição: o crescimento não pode ser superior a 1,8%. Herman Daly explica bem isso. Clóvis Cavalcanti, economista.

É um pensamento, uma ideia, um projeto, um estilo de vida para pessoas e empresas, que envolve melhorias na sociedade, no meio ambiente e mudanças no modo de pensar a economia. Paula Signorini, bióloga, Rastro de Carbono.

 

Sustentabilidade é uma atitude que utilize de alguma forma os recursos naturais, gere riquezas e que não o esgote em longo prazo, pensando em esgotar não somente em acabar mas em termos qualitativos também. Luiz Bento, ecólogo, Discutindo Ecologia.

 

Sustentabilidade significa reconhecer que somos a parte menos importante e mais vulnerável de um sistema vivo no qual todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos. As principais razões de haver a vida na Terra, inclusive a humana, não deriva da iniciativa nem do poder humano, portanto, esse entendimento deve levar a total revogação da nossa atitude em relação aos seres vivos e aos ecossistemas, na qual os tratamos como se fossem infindáveis, inalteráveis e permanentes. O pensamento humano respaldado pela pseudo-ciência economia trabalha a idéia de modo perpétuo ao adotar leis da física de dois séculos atrás, relacionadas com a mecânica ou com a locomoção. Por essa razão, o conflito entre o sistema econômico-humano e o planeta só tende a aumentar e não diminuir enquanto idéias estapafúrdias, como crescimento econômico gerador de bem estar social, não forem removidas da sabedoria universal. 

O conflito é muito simples, pois a economia possui três características que a definem:

1) linear (extrai, produz, consome, descarta num ciclo exagerado de extenso desperdício e ineficiência  e o mito do jogar fora ou deixar os países mais avançados exportar sujeira, produção suja e viver de exportação de bens e recursos às custas de ecossistemas ainda existentes no mundo em desenvolvimento, tudo isso a custo zero),

2) infinita (produz crescimento exponencial contínuo de coisas, alimentos, pessoas, etc.) e

3) degenerativa (introduz materiais degenerativos nos ecossistemas como transgênicos, queima de combustíveis fósseis, compostos químicos, metais pesados, etc.). 

A natureza e o planeta, sistema maior do qual a economia e nossa sociedade é um subsistema dependente , é justamente o oposto:

1) circular (reaproveita tudo  com um ciclo fechado  em si mesmo e uma solução é a economia reaproveitar tudo ao máximo  e parar de fazer de conta que é um sistema aberto),

2) finita (a finitude territorialmente é óbvia demais embora a infantilidade dos economistas tente negar que sobre um território finito não há problema alguma acumular um estoque crescente de carros, casas, coisas,  poluição de todos os tipos, cacarecos e pessoas nem buscar uma demanda infinita por energia, quando já desperdiçamos mais da metade da energia disponível para nosso consumo desnecessário) e

3) regenerativa (a água é um bom exemplo, porque não só poluímos a água, como usamos além da sua capacidade de reposição e vários países estão caminhando para esgotamento de estoques hídricos simplesmente porque extraem mais do que os
aquíferos recebem e bons exemplos dessa atrocidade são os Estados Unidos e a China, mas Brasil vai pelo mesmo caminho ao destruir o Cerrado e a Amazônia).

O chocante de toda essa discussão tardia sobre sustentabilidade é que até agora seus principais mentores não atacaram a ciência econômica cujos modelos mirabolantes não há uma só variável  representativa da contribuição inigualável e irreproduzível dos recursos naturais e seus serviços ecológicos.  Enfim, não há uma só variável sequer para água, sem a qual não teríamos nada  e os economistas assumem total neutralidade, reversibilidade e previsibilidade dos processos econômicos em relação ao planeta e sua natureza. Com isso teimosamente acreditam que a economia pode ser maior que o planeta, embora seja uma impossibilidade física e ecológica. Essa inversão de eixos propiciada por esse conhecimento falso dos economistas precisa ser  feita urgentemente, porque até agora toda discussão sobre sustentabilidade tem sido ingênua, marginal, inútil e não deteve um segundo sequer o caminho suicida pelo qual segue nossa espécie animal e toda a vida desse planeta.

Sem um modelo social, político, histórico, cultural que concilie localmente nossas vidas com o planeta, com a natureza e com os demais seres vivos, revogando o desperdício, a ausência de noção dos limites da Terra não só não iremos atingir a sustentabilidade tão almejada como iremos desaparecer de um planeta ainda banhado em sol entregue apenas à vida bacteriana.

(Créditos à Nicholas Georgescu-Roegen e a Stephen Jay Gould em grande parte dessa definição) Hugo Penteado, economista, autor do livro Ecoeconomia Uma nova abordagem, Nosso Futuro Comum.

 

E pra mim? O que é sustentabilidade? Pra mim acho que as palavras que mais combinam com sustentabilidade é equilíbrio e parcimônia e a grande dificuldade de ser sustentável é que o ser humano ainda não aprendeu a ter nem ser nenhuma das duas coisas o tempo todo. E digo isso em qualquer área da vida, seja nos relacionamentos, nos negócios, no modo como consumir, trabalhar, encarar as coisas, viver. A humanidade ainda é muito ansiosa, desesperada, gananciosa, a sustentabilidade tem outro ritmo que tem tudo a ver com o ritmo da natureza e como a existência do ser humano ainda é muito breve pra história do Planeta ele ainda não aprendeu a lidar com isso. Só resta saber quanto tempo ele vai demorar pra entender isso e se vai dar tempo de recuperar o que já foi perdido. E sim, esse papo de sustentabilidade pra mim é utópico vamos ficar eternamente tentando ser sustentáveis, pois é assim que a natureza é, ela não é parada, ela vive buscando o equilíbrio o tempo todo, sempre vai aparecer alguma coisa ou alguém pra desestabilizar as coisas e vamos continuar na luta pra manter um equilíbrio dinâmico.

 

Ainda em tempo, usem os comentários pra dizer o que é sustentabilidade pra você!

Procura-se vaga

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Pra quem não sabe estou sem trabalho desde meados de novembro. Estava trabalhando com supervisão ambiental de obras de rodovias e por conta do fim do contrato eu tirei férias, é tirei férias pois não me dediquei em procurar um emprego ou um trabalho. Mas com o início do novo ano achei que já era hora de dar uma olhada no mercado.

Ai resolvi criar um anúncio de procura-se trabalho, afinal por que só as empresas podem dizer como querem um candidato? Eu também quero dizer como quero uma empresa para trabalhar, ou como eu gostaria que fosse meu trabalho dos sonhos.

 

Procura-se trabalho:

Empresa que valorize seu empregado individualmente, que realmente esteja preocupada não apenas em dar lucro e fazer seus produtos/ serviços para agradar clientes, mas em prestar seus serviços de forma ética, responsável, respeitando o planeta e todas os seres vivos que estão a sua volta.

Assuntos relacionadas a sustentabilidade/ meio ambiente são os que mais me interessam, os temas abordados por esse blog são um bom referencial sobre o que eu gosto de fazer, pensar, me preocupar. Também me interesso bastante pelo mundo da internet e mídias sociais e se pudesse juntar meio ambiente e internet seria um ótimo diferencial para a vaga.

A empresa não precisa ser a número 1 em sustentabilidade e responsabilidade social/ ambiental, aliás nem precisa ter alguma experiência com o assunto, caso ela tenha interesse em ter esses conceitos verdadeiramente inseridos em sua realidade e vontade de melhorar já está de bom tamanho.

Nenhuma dessas exigências são obrigatórias para o aceite da vaga, são apenas referências, caso a vaga se encaixe em algumas das exigências e acredite que uma pessoa com vontade de mudar o mundo, que aprende rápido, questionadora e realista seja capaz de preenchê-la é o suficiente para nos contratarmos!

Um lugar quase lindo

Eu sei que o grande assunto do momento em Angra dos Reis são os deslizamentos que aconteceram e todas as suas consequências, mas não vou falar disso aqui, a mídia tradicional tá fazendo seu papel (bem ou mal, mas tá fazendo), mas esse tipo de coisa que eu vou mostrar não vira manchete de jornal, afinal, não mata ninguém, não é nada trágico (do ponto de vista que dê ibope) e não tem ninguém chorando porque perdeu tudo que tinha.

Mas eu acho bem triste ver uma praia maravilhosa com a que conheci lá ser tratada desse jeito.

Veja a foto abaixo, essa é a Praia do Dentista, provavelmente num dia de semana na baixa temporada, você consegue se imaginar nessa água verde esmeralda e nessa areia branca? Pois bem, lindo né?

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Praia do Dentista, Angra dos Reis, Ilha da Gipóia.

Agora veja como é essa praia na alta temporada, no fim do ano. Infelizmente você só pode ver, não pode sentir o cheiro, é um cheiro insuportável de gasolina, enquanto você nada na beira da praia, entre centenas de barcos, você sente o cheiro de gasolina, é lamentável, parecia mais que eu estava num porto do que numa praia que é ponto turístico de Angra dos Reis. E para ajudar, esqueça qualquer tipo de vista que você possa ter do mar a partir da praia, você só vê barcos e mais barcos, é literalmente um congestionamento de barcos. O pior ainda foi quando comentamos com o “guia” do passeio, um nativo da ilha, sobre a poluição pela quantidade de embarcações ele falou na maior inocência que “os barcos novos não poluem tanto”… Ai meus sais!

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Praia do Dentista.

A minha consciência fica um pouco menos pesada em relação a minha visita a essa praia pois o barco que me levou lá não parou nessa praia e sim do outro lado da ilha e eu fui caminhando até lá por uma trilha. Essa praia pra mim era a menina dos olhos do passeio e de fato é muito bonita, mas essa quantidade de barcos praticamente atracados na areia e o cheiro forte de gasolina conseguiram me deixar triste. Como disse meu namorado “a Praia do Dentista está com cáries”.

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