in musicologia

Da música à musicologia

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José Fornari (Tuti) – 02 de janeiro de 2019

fornari @ unicamp . br


Música é uma atividade que fascina e intriga a humanidade desde tempos imemoriais. Não há registro histórico de que tenha existido uma sociedade ou comunidade, por menor ou mais antiga que fosse, que não tivesse uma forma de expressão musical. A palavra “música” vem do grego “mousiki” o que quer dizer a “arte das musas”, as 9 deusas da mitologia grega que inspiram a criação humana, em termos de criatividade e produção de conhecimento, nas áreas da literatura, das ciências e das artes.

A origem da música parece anteceder a da linguagem. Existem evidências arqueológicas de que nossos antepassados desenvolveram primeiro a capacidade de se comunicar por interjeições, ou seja, sonoridades com regularidades rítmicas e tonais, como aquelas encontradas na música, antes de desenvolverem a capacidade de abstração mental necessária para a atribuição de significados semânticos a sons particulares, para nomes, objetos e ações específicas, de onde se desenvolveu a linguagem. 

Existem relatos de comunidades que não desenvolveram conceitos básicos, como a noção de duração de tempo, formas de contagem de objetos ou seres, nomes para diferentes cores, ou mesmo um conceito religioso ou mitológico que explicasse as suas origens. No entanto, estes sempre apresentam música e linguagem . Este é o caso dos Pirahãs, um povo indígena brasileiro que habita as terras de Humaitá, no Amazonas. Os pirahãs não sabem contar, distinguir cores ou sequer acreditam em divindades, mas apresentam uma linguagem tonal, pela qual eles se comunicam falando, cantando ou até mesmo assobiando.

Habitantes da tribo Pirahã
Fonte: Meet the Pirahã

Música, assim como a linguagem, é uma comunicação sonora. No entanto, estas cumprem funções bastante distintas. Música, apesar de eventualmente conter um certo grau de significado, normalmente não apresenta um conteúdo semântico complexo, como é o caso da linguagem. De um modo geral, as músicas que são espontaneamente geradas pelas comunidades, costumam expressar conteúdos emocionais e afetivos, estando muitas vezes ligadas a rituais, cerimonias ou até a determinados estados de espírito. A linguagem apresenta a função de entendimento do mundo através da categorização de sons referentes a objetos, ações e atributos. Tanto música quanto linguagem se valem da modulação sonora de regularidades rítmicas, tonais e de intensidade para compreender e expressar o mundo e a mente humana. Música e linguagem são assim irmanadas e até compartilham as mesmas regiões cerebrais durante o seu processamento. Ambas são atividades exclusivas e ubiquamente humanas e são formas de comunicação sonora que transmitem conceitos distintos porém igualmente relevantes, tanto para o indivíduo quanto para a sua interação comunitária. Através do estudo da música, é possível investigar a essência de uma parte fundamental da natureza humana; o entendimento, o gerenciamento e a expressão de emoções.

Como se sabe, o significado do sufixo “logia” é “o estudo de”. Aplicando este sufixo à palavra “música”, tem-se o termo “Musicologia” que significa, em linhas gerais, o estudo da música, em todas as suas formas, expressões, aplicações, perspectivas e objetivos. Assim, entendemos aqui que Musicologia é o termo geral que se refere a todos os tipos de pesquisa em música, desde a sua composição e performance até a sua apreciação. Tal estudo envolve diferentes áreas e disciplinas do conhecimento humano, como a matemática, a física, a filosofia, a história, a sociologia, a antropologia, a fisiologia, a psicologia, a neurologia, as ciências computacionais e a neurociência. 

As maiores vertentes da musicologia são: Musicologia histórica, Etnomusicologia, Teoria musical e Musicologia sistemática.

Musicologia histórica é o campo mais estabelecido da musicologia, e com maior número de publicações. Este trata basicamente do estudo da história da composição musical erudita européia, ou seja, a música ocidental registrada em notação musical. Acredita-se que a origem da musicologia histórica ocorreu no século 18 DC, com a publicação do livro “Storia della musica”, de Padre Giovanni Battista Martini (1706-1784). A musicologia histórica baseia-se principalmente no estudo documentacional das obras musicais e de seus compositores, a partir da análise de suas partituras e documentos de época relacionados à obra e à vida do seu compositor. 

A Etnomusicologia originou-se no final do século 19 DC, com o surgimento da gravação sonora, o que permitiu, pela primeira vez, o registro fonográfico e o consequente estudo da música que não era registrada na forma de notação musical; como é o caso das músicas folclóricas, populares, indígenas, de alguns povos não ocidentais, ou de povos e comunidades sem métodos ou tradições do registro notacional de sua expressão musical. O termo Etnomusicologia vem de 2 palavras de origem grega: ethnos (que significa “povo ou nação estrangeira”) e música. O termo foi cunhado pelo pesquisador e músico holandês Jaap Kunst. Atualmente, a etnomusicologia se dedica ao estudo da música como fenômeno antropológico, ou seja, a partir do estudo etnográfico dos aspectos, origens e impactos sociais e especialmente culturais do fenômeno musical. Deste modo, a etnomusicologia concentra-se especialmente no estudo da música como patrimônio cultural imaterial. Isto ocorre através de uma abordagem predominantemente qualitativa do estudo das tradições e expressões culturais musicais. 

A Teoria musical trata do estudo dos métodos e práticas que permitem aos compositores e produtores musicais criarem obras melhores, de modo mais eficiente e coerente, dentro de uma determinada perspectiva estética vigente, ou atrelada a um estilo, gênero, arranjo, época, localidade, necessidade mercadológica ou ideológica. Sua abordagem é predominantemente empírica, ou seja, baseia-se na experiência musical do teórico, e engloba disciplinas diversas, como a matemática, a acústica, a percepção musical e a semiótica. 

A Musicologia sistemática é o termo que se refere ao estudo empírico, sistemático e portanto fortemente quantitativo da origem, natureza e apreciação do fenômeno musical. Alguns estudiosos argumentam que a origem da musicologia sistemática vêm da Grécia antiga, tendo suas raízes nos estudos de Pitágoras, Platão, Aristóteles e Aristóxeno. No entanto, o termo só foi cunhado no final do século 19 DC, por Guido Adler, que, nos moldes de outras disciplinas da época, no caso, o direito e a teologia, propôs uma divisão similar ao estudo da música, entre duas grandes disciplinas, a musicologia histórica e musicologia sistemática, sendo que esta última se dedicaria exclusivamente a descobrir e a estudar as leis fundamentais que regem a criação, a expressão e a apreciação musical. A musicologia sistemática é a área da musicologia que apresenta a maior interdisciplinaridade, ou seja, a cooperação entre diversas áreas do conhecimento humano para o estudo da música. A musicologia sistemática trata da pesquisa empírica, baseada na análise de dados, do fenômeno musical como um todo, envolvendo as mais diversas disciplinas, tais como: a acústica, a fisiologia, a psicologia, computação, estatística e neurociência.

Fonte: Zatorre et al. “When the brain plays music” (2007) 

Futuramente, falarei com mais detalhes a respeito destas áreas da musicologia. Minha intenção aqui foi apresentar um panorama geral da musicologia tentando deixar claro como a pesquisa em música parece mesmo ser uma área inesgotável de investigação. A essência imaterial da expressão musical é fortemente atrelada ao tempo, porém vagamente vinculada ao espaço, o que confere um aspecto inefável a esta arte, que expressa e exprime o âmago da experiência humana na sua forma mais profunda e definitiva. 

 

Referências:

[1] Steven Mithen. “The Singing Neanderthals”. 2007

[2] Aniruddh D. Patel. “Music, Language, and the Brain”. 2007

[3] Carlos Sandroni. Apontamentos sobre a história e o perfil institucional da etnomusicologia no Brasil. UFPE. Foto: Tiago de Oliveira Pinto.

[4] Zatorre, R. J., Chen, J. L., & Penhune, V. B. (2007). When the brain plays music: auditory–motor interactions in music perception and production. Nature Reviews Neuroscience, 8(7), 547–558. doi:10.1038/nrn2152


Como citar este artigo:

José Fornari. “Da música à musicologia”. Blogs de Ciência da Universidade Estadual de Campinas. ISSN 2526-6187. Data da publicação: 2 de janeiro de 2019. Link: https://www.blogs.unicamp.br/musicologia/2019/01/02/1/




De la Música hacia la musicología

traducción: Miguel Clemente Rubio

miguelclementesaxo @ gmail . com

09 de abril de 2019

El arte de la música es una actividad que produce fascinación e intriga a la humanidad desde los tiempos más inmemoriales. Partimos de que no existe ningún registro histórico en el que no haya existido una sociedad o comunidad, por pequeña o antigua que sea, que no haya tenido una pequeña forma de expresión musical. La palabra “música” proviene del griego “mousiki” lo que viene a significar “arte de las musas”, las nueve diosas de la mitología griega que inspiran la creación humana, en términos de creatividad y producción de conocimientos, dentro de las áreas de literatura, de las ciencias y de las artes.

Las musas Fuente de referencia: http://www.webwinds.com/thalassa/muses2.htm

El origen de la música por lo que parece ser es un antecesor del lenguaje. Existen evidencias arqueológicas de que nuestros antepasados desarrollaron primero la capacidad de comunicarse mediante interjecciones, es decir, sonoridades con regularidades rítmicas y tonales, como aquellas encontradas en la música, anteriormente de haber desarrollado la capacidad de abstracción mental necesaria para atribuirles significados semánticos a los sonidos particulares, para nombres, objetos y acciones específicas, de donde se desarrolló el lenguaje1.

Hay indicios, a través de relatos de comunidades que no desarrollaron conceptos básicos, como la noción de duración del tiempo, formas de contaje de objetos o seres, nombres para diferentes colores, o incluso un conceptos religiosos o mitológicos que expliquen sus orígenes. Sin embargo, estos siempre presentan música y lenguaje. Este es el caso de los Pirahãs, un pueblo que habita las tierras de Humaitá, en Amazonas. Los pirahãs no saben contar, distinguir colores incluso ni si quiera creen que divinidades, aunque estos poseen un lenguaje tonal, por el cual, se comunican hablando, cantando o incluso hasta a mediante silbidos.

Habitantes de la tribu Pirahã. Fuente: Meet the Pirahã

Música, así como lo es el lenguaje, es una comunicación sonora. Aunque estas cumplen funciones bastantes diferentes. Música, a pesar de que en diferentes momentos eventuales contienen un cierto grado de significado, normalmente no presentan unos contenidos semánticos complejos, como es el caso del lenguaje. De modo general, las músicas que son creadas de forma espontánea por las comunidades, acostumbran expresar contenidos emocionales y afectivos, estando muchas veces unidas a rituales, ceremonias o incluso hasta con determinados estados de espíritu. El lenguaje representa la función de comprensión del mundo mediante la categorización a través de sonidos de objetos, acciones y atributos. Música y lenguaje se basan en la modulación sonoras, regularidades rítmicas, tonales y de intensidad para comprender, expresar el mundo y la mente humana. Música y lenguaje están poseen una unión tan fuerte que hasta comparten las mismas regiones cerebrales durante su procesamiento. Ambas son actividades exclusivas y omnipresentementehumanas siendo formas de comunicación sonora que transmiten conceptos distintos, aunque igualmente relevantes, tanto para el individuo como para su interacción comunitaria.

Mediante el estudio de la música, es posible investigar la esencia de una parte fundamental de la naturaleza humana; la comprensión, el gerenciamiento y la expresión de emociones2.

Como se sabe, el significado del sufijo “logia” es “el estudio de”. Aplicando este sufijo a la palabra “música” se obtiene el término “Musicologia” que significa, en líneas generales, el estudio de la música, en todas sus formas, expresiones, aplicación, perspectivas y objetivos. De esta forma, entendemos que la Musicologia es el término general que se refiere a todos los tipos de investigación en música, desde su composición e interpretación hasta la apreciación. Dicho estudio envuelve diferentes áreas y asignaturas de conocimiento humano, como las matemáticas, la filosofía, la estética, la historia, la sociología, la antropología, la filosofía, la psicología, la neurología, las ciencias computacionales y la neurociencia.

Las mayores vertientes actuales de la musicología son: Musicología histórica, Etnomusicología, Teoría musical y Musicología sistemática.

Musicología histórica es el campo de la musicología más establecido y con mayor número de publicaciones. Esta trata básicamente del estudio de la historia de la composición musical culta europea, o sea, la música occidental registrada en notación musical. Se cree que el origen de la musicología histórica ocurrió en el siglo dieciocho (S. XVIII) con la publicación del libro “Storia della musica”, del Padre Giovanni Battista Martini (1706-1784). La musicología histórica se basa principalmente en el estudio documental de las obras musicales y de sus compositores, a partir del análisis de sus partituras y documentos de la época relacionados a la obra y a la vida de su compositor.

Fuente: https://archive.org/details/storiadellamusic00mart/page/n7

La etnomusicología se originó en el final del siglo diecinueve (XIX), con el surgimiento de la grabación sonora, lo que permitió, por la primera vez, el registro y el consiguiente estudio de la música que no era registrada en notación musical; como es el caso de las músicas folclóricas, populares, indígenas, de algunos pueblos no occidentales, o de pueblo y comunidades sin métodos o tradiciones del registro de notación de su expresión musical. El término Etnomusicologia viene de dos palabras origen griego: ethnos (que significa “pueblo o nación extranjera”) y música. El término fue acuñado por el investigador y música holandés Jaap Kunts. En los días actuales, la etnomusicología se dedica al estudio de la música como fenómeno antropológico, es decir, partiendo del estudio etnográfico de los aspectos, orígenes e impactos sociales y especialmente culturas del fenómeno musical. De esta forma, la etnomusicología se concentra especialmente en el estudio de la música como patrimonio cultural inmaterial. Esto ocurre mediante un abordaje predominante cualitativo de las tradiciones y expresiones culturales musicales.

La Teoría musical trata del estudio de los métodos y prácticas que permiten a los compositores y productores musicales que creen obras mejores, de modo más eficiente y coherente, dentro de una determinada perspectiva estética vigente, o vinculada a la de un estilo, género, arreglo, época, localidad, necesidad mercadológica o ideología. Su abordaje es predominantemente empírico, o sea, se basa en la experiencia musical de lo teórico, englobando diferentes disciplinas, como las matemáticas, la acústica, la percepción musical y la semiótica.

La musicología sistemática es el término que se refiere al estudio empírico, sistemático, por lo tanto, fuertemente cuantitativo del origen, naturaleza y apreciación del fenómeno musical. Algunos estudiosos argumentan que los orígenes de la musicología provienen de la Grecia antigua, teniendo sus raíces en los estudios de Pitágoras, Platón, Aristóteles y Aristógenes. Sin embargo, este término solamente fue acuñado en el final del siglo diecinueve (XIX), por Guigo Adler, que, siguiendo las bases de otras disciplinas de la época, en el caso, el derecho y la teología, propuso una división similar al estudio de la música, entre dos grandes disciplinas, la musicología histórica y musicología sistemática, siendo que esta última se dedicaría exclusivamente a descubrir y a estudiar las leyes fundamentales que rigen la creación, la expresión y la apreciación musical. La musicología sistemática es el área de la musicología que presenta mayor interdisciplinariedad, es decir, la cooperación entre diversas áreas del conocimiento humano para el estudio de la música. La musicología sistemática trata de investigación empírica, se basa en el análisis de datos, del fenómeno musical como un todo, envolviendo la más diversas disciplinas, tales como: la filosofía, la fisiología, la psicología, la computación, la estadística y la neurociencia.

Fuente:Zatorre et al. “When the brain plays music” (2007)

Futuramente, se hablará con más detalles entre la relación de estas cuatro áreas de musicología. La intención del presente trabajo fue presentar un panorama general de la musicología intentando dejar claro como la investigación en música parece, incluso, ser un área inagotable de investigación. La esencia inmaterial de la expresión musical está fuertemente vinculada al tiempo, aunque vagamente vinculada al espacio, lo que le otorga un aspecto inefable a este arte, que expresa y exprime el centro de la experiencia humana en su forma más profunda y definitiva.

Referencias bibliográficas:

[1] Steven Mithen. “The Singing Neanderthals”. 2007

[2] Aniruddh D. Patel. “Music, Language, and the Brain”. 2007

[3] Carlos Sandroni. Apontamentos sobre a história e o perfil institucional da etnomusicologia no Brasil. UFPE. Foto: Tiago de Oliveira Pinto.

[4] Zatorre, R. J., Chen, J. L., & Penhune, V. B. (2007). When the brain plays music: auditory–motor interactions in music perception and production. Nature Reviews Neuroscience, 8(7), 547–558. doi:10.1038/nrn2152

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