O homem há de voar

Quem nunca ouviu falar do famoso Santos Dumont, o “pai da aviação”? Ele foi o responsável por construir o 14-bis em 1906, com o qual recebeu um prêmio por realizar um vôo em Paris de 220m. Com certeza você deve estar se perguntando o que um aviador pode ter a ver com um post de bioinformática, e hoje eu posso te garantir: muita coisa.

Talvez as coisas ainda estejam um pouco confusas, claro que aqui não estamos falando da pessoa, e sim de um supercomputador instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) na cidade de Petrópolis – RJ que recebeu esse nome em homenagem ao grande inventor brasileiro. Esse equipamento foi adquirido no ano de 2015 por um acordo Brasil/França e hoje atendende pesquisadores de diferentes áreas, entre elas engenharia, química, física, biologia, geofísica, astronomia e bioinformática.

Prova da importância do tema é a reportagem “Prova de velocidade” na revista Pesquisa FAPESP de novembro, que classifica o Santos Dumont como um dos quatro supercomputadores brasileiros que se encontram entre os Top 500 do mundo, enquanto países como a China e Estados Unidos possuem cerca de 160. Além disso, a reportagem chama atenção para a capacidade de processamento de 1 quatrilhão de operações por segundo, que corresponderia a uma velocidade 1 milhão de vezes maior que de um laptop comum.

Santos Dumont (Foto extraída do site: http://www.lncc.br/lncc/supercomputador.php?idt_noticia=988)

É nesse ponto que ocorre o encontro perfeito, a tecnologia fornecendo os recursos necessários para que a ciência brasileira possa atingir um patamar aceitável dentro da pesquisa mundial. E como já havia sido comentado em muitos outros posts, a necessidade de supercomputadores na análise de dados biológicos torna ainda mais importante a aquisição desse tipo de máquinas no país.

Espero que assim como o aviador, esse supercomputador represente o primeiro passo para que a bioinformática decole rumo a um mar de novos conhecimentos.

“Há um ditado que ensina ‘o gênio é uma grande paciência’; sem pretender ser gênio, teimei em ser um grande paciente. As invenções são, sobretudo, o resultado de um trabalho teimoso, em que não deve haver lugar para o esmorecimento.”  Santos Dumont

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Sobre Sheila Tiemi Nagamatsu

Formada em Biotecnologia pela UFSCar, Dra. em Genética e Biologia Molecular com ênfase em Bioinformática na UNICAMP, apaixonada por desenvolvimento pessoal e, atualmente, pós-doutoranda em YALE na área de psiquiatria.

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