No Zero a gente leu “Os Segredos Matemáticos dos Simpsons” de Simon Singh

Ler “Os Segredos Matemáticos dos Simpsons” de Simon Singh foi uma experiência que fechou muitas lacunas em minha vida de matemático fã de humor. Para começar, me alegra descobrir que parte dos roteiristas e produtores de Simpsons largaram suas carreiras na Matemática, Física e Engenharia, para escrever comédia e acabaram oportunizando que muita matemática viesse aos episódios de Simpsons.

De fato, quando falamos no campo de atuação dos matemáticos, talvez venha em mente ensinar e depois algumas coisas relacionadas à cálculos, previsões, estimativas … talvez trabalhar na indústria, em bancos, ou mesmo em projetos computacionais… mas é interessante a forma como Simon Singh apresenta a experiência dos roteiristas de Simpsons (e também os de Futurama), relacionando as habilidades de resolver teoremas associadas à criar piadas.

Tipo, alguém tem uma ideia de piada envolvendo o Teorema de Bolzano-Weierstrass, mas ela não chega nem a ser uma ideia, muito menos é engraçada, está mais para uma possibilidade crua de fazer humor… então começa o trabalho de olhar esta ideia, modelá-la em diferentes arranjos e formas até que se obtenha alguma piada minimamente aceitável.

Simon Singh é um autor que gosto bastante, principalmente do livro “O Último Teorema de Fermat” que li em 2016 quando um professor do departamento de computação soube que eu era matemático e estava matriculado na disciplina dele da pós em computação, e veio todo animado, me emprestando um livrinho de 200-300 páginas em inglês dizendo que tinha adorado e que eu ia gostar também… realmente, gostei bastante, nem sei como consegui ler ele na época com um inglês tão amarrado, mas acho que a forma como o Simon Singh escreve ajudou bastante. Esse autor conecta bastante os fatos e contextos, fazendo com que a leitura se apoie em outros elementos e fique assim mais leve.

Mas voltando ao livro em si, a parte mais emocionante e que finalmente tenho um argumento sólido para dizer graças à essa leitura, é porque considero Futurama melhor que os Simpsons! (na real sempre disse isso, e as pessoas sempre duvidaram de mim).

O fato é, Futurama tem um teorema próprio! Sim, um teorema da matemática foi desenvolvido apenas para que o enredo do episóio “Quero meu corpo de volta” fosse concluído.

O teorema envolve permutações de mentes entre corpos de duas pessoas com algumas restrições.

Entre outras coisas, o livro discute sobre como os Simpsons e Futurama inseriram piadas matemáticas em diversos contextos e também sobre em que se apoiam essas piadas, relacionando-as com contextos históricos em que elas ocorreram, até mesmo a questão de porque todos os personagens (com exceção de um) possuem 8 dedos e eles utilizam o sistema decimal? São pontos bem interessantes que o autor apresenta e discute, sem deixar que o leitor se perca nos cálculos.

O livro tem ainda uma parte final no capítulo sobre piadas matemáticas, em vários níveis de complexidade para entender (ou achar graça), que vai desde o Ensino Fundamental até o Doutorado. A parte triste dessas piadas, é que muitas delas só fazem sentido no idioma original, assim, a versão traduzida do livro é um pouco menos divertida.

De forma geral, achei um ótimo livro e já tinham me recomendado em diversas ocasiões… basicamente quando você fala com alguém que está fazendo divulgação científica de matemática, há uma chance maior do que 0 dela te indicar esse livro (também há uma chance maior do que 0 de sermos mortos por um pato em rasante)

Ganhei esse livro no meu aniversário de 30 anos como presente dos meus pais, obrigado mamis e papis esse post não existiria sem vocês 🙂


Como referenciar este conteúdo em formato ABNT (baseado na norma NBR 6023/2018):

SILVA, M. H. de P. D. da. No Zero a gente leu “Os Segredos Matemáticos dos Simpsons” de Simon Singh. In: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Zero – Blog de Ciência da Unicamp. Volume 7. Ed. 1. 1º semestre de 2022. Campinas, 20 jan. 2022. Disponível em: https://www.blogs.unicamp.br/zero/3637/. Acesso em: <data-de-hoje>.

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