Nem só de natal vive o pinheiro

Foto de um pinheiro

Pinheirinho, de Natal/

Verde e lindo/

Natal! 🎵

Em época de jingle bell, o pinheiro se torna a planta de maior destaque nas nossas casas, nos comércios, e em vários outros lugares; mas e nos outros meses? Qual a importância do gênero Pinus para a agricultura e nossa vida cotidiana?

Vamos mostrar neste texto a importância da utilização das espécies de Pinus, e como ela está presente na sua vida.

Vamos lá?

Pinheiro: a planta de semente nua

O pinheiro é uma planta gimnosperma, que vem do latim gymnos = nua e sperma = semente, ou seja, as gimnospermas produzem sementes, mas sem produzir frutos.

Elas são diferentes das angiospermas, que tem a proteção de suas sementes dentro de um fruto.

Planta conífera

Devido ao seu formato cônico, os pinheiros — Pinus — são conhecidos também como plantas coníferas.

A estrutura em forma de cone, onde ficam as sementes, é chamada de estróbilo, e a planta pode produzir o estróbilo tanto feminino, quanto masculino.

Folhas de um pinheiro com sementes amostra

As coníferas são sempre-verde, ou seja, tem folhas o ano inteiro.

Suas folhas muito finas são chamadas de agulhas e existem mais de 550 tipos de coníferas. As espécies mais conhecidas são os cedros, os ciprestes, os abetos, os zimbros, os lariços, os pinheiros, as sequóias e os teixos.

As coníferas são consideradas os seres vivos mais altos, pesados e antigos da Terra. No Brasil, temos três espécies nativas, que são: 

  • Araucaria angustifolia 
  • Podocarpus lambertii
  • Podocarpus selowii

No entanto, a conífera que mais possui valor comercial no país são os pinheiros.

As plantas do gênero Pinus são utilizadas na produção de madeira, extração de celulose e produção de lápis e papel, entre outras coisas. A casca do pinheiro pode ser utilizada como substrato na produção de mudas e até para fins ornamentais.

Cultivo de pinheiro no Brasil

No Brasil, as espécies do gênero Pinus vêm sendo plantadas há mais de um século.

Foram inicialmente introduzidas para fins ornamentais, e somente a partir da década de 1960 foi iniciado o plantio de pinheiro em escala comercial, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do País.

Os plantios com Pinus no Brasil fizeram parte de uma estratégia de desenvolvimento na década de 1960 e foram ampliados pelos incentivos fiscais para plantios florestais.

Essa estratégia tinha como objetivo garantir os suprimentos de matéria prima para a indústria madeireira, que vinha crescendo no país.

Foi entre as décadas de 1970 e 1980 que as plantações de pinheiros foram as principais fontes de matéria-prima para o desenvolvimento da indústria florestal, abastecendo um mercado altamente diversificado.

Esta ação política é considerada um marco na silvicultura brasileira. Incentivos do governo foram dados até o ano de 1986, fazendo com que, até hoje, tenha participação fundamental na economia do país. 

Uso de Pinus

São aproximadamente três mil empresas no Brasil que utilizam Pinus em seus processos produtivos.

As plantas podem atingir até 30 metros de altura e têm sua madeira usada, principalmente, pelas indústrias de:

  • madeireiras
  • de serrados e laminados
  • de chapas
  • de resina
  • de celulose e papel.

A madeira de pinus tem sido destinada à indústria laminadora, para a fabricação de compensados (MDF, MDP e OSB); para a indústria de serrados ou usada para a fabricação de móveis. Até o resíduo da indústria tem sido aproveitado como biomassa para geração de vapor e energia.

Placa de madeira

Locais de plantio

Atualmente, 30% de toda a floresta plantada no Brasil é de Pinus. Essa é a segunda espécie florestal mais plantada, ficando atrás somente do eucalipto.

Os maiores plantios comerciais de pinus estão concentrados, principalmente, nos estados: Paraná (38%), Santa Catarina (31%), Rio Grande do Sul (10%), Minas Gerais (8%) e São Paulo (9%).

Espécies de pinheiro

São duas as principais espécies de Pinus utilizadas em território nacional: Pinus elliottii e Pinus taeda.

O Pinus elliottii é uma espécie nativa da região Sul dos Estados Unidos, onde é amplamente utilizado para produção de madeira para processamento mecânico, produção de celulose, papel e extração de resina.

O Pínus taeda ocorre naturalmente em toda a região no Sul e Sudeste dos Estados Unidos, desde o estado de Delaware até o Leste do Texas e, ao Sul, até o centro da Flórida. E é essa espécie que tem a maior área plantada no Brasil, chegando até 1 milhão de hectares. Sua madeira é destinada para produção de celulose, papel, madeira serrada, chapas e madeira reconstituída.

Pinus Taeda

Outras espécies, como Pinus caribaea e Pinus oocarpa, oriundos do Caribe, também foram introduzidas e plantadas em menor escala.

Espécies tropicais como P. caribaea, P. oocarpa, P. tecunumanii, P. maximinoi e P. patula, também foram utilizadas para plantios experimentais, possibilitando, assim, o estabelecimento destas espécies em todo o Brasil, conforme a adequação para cada região ecológica.

É importante destacar que essa madeira plantada é essencial para a conservação das florestas nativas, e supre cada vez mais a demanda atual de madeira, sem contar que a fibra de celulose extraída da madeira de Pinus é muito apreciada, por se uma fibra de tipo longa e ser necessária na fabricação de papéis que exigem maior resistência ao rasgo e estouro, e melhor absorção de tinta.

Ciência na produção de Pinus

As florestas de Pinus são feitas a partir de mudas, e essa fase do processo produtivo é extremamente importante e decisiva para o sucesso da plantação.

As mudas podem ser criadas tanto via sementes, quanto via propagação vegetativa — que nada mais é que fazer clones de uma planta mãe e produzir mudas a partir desses clones.

Para identificar e produzir matrizes cada vez mais eficientes e melhores, o melhoramento genético de Pinus é realizado por instituições de pesquisa e indústrias que utilizam para o plantio comercial. 

O objetivo principal dessas organizações: produzir árvores com boa densidade de madeira, crescimento rápido, bom diâmetro de galhos, forma dos galhos. Tudo isso é levado em conta na hora de escolher plantas que poderão ser usadas comercialmente.

Além disso, a tecnologia da cultura de tecidos vem sendo cada vez mais utilizada nesse processo.

Para acelerar a produção das mudas e selecionar as plantas-mãe de maneira mais eficiente, as plantas de Pinus estão sendo multiplicadas em laboratório.

Essa técnica garante uma muda livre de pragas e doenças, além da produção em larga escala.

Assim como para outras culturas, a preocupação com as mudanças climáticas também está em pauta na produção de pinheiros. Algumas pesquisas mostram que variações nos aumentos de temperaturas e chuvas influenciaram positivamente no incremento de crescimento desta espécie. 

E é por isso que o conhecimento a respeito da influência das variáveis ambientais sobre o  crescimento de árvores de valor comercial é muito importante e precisa ser cada vez mais estudado.

Espero que toda vez que você ver um pinheiro de Natal, você lembre que ele está todo lindo e enfeitado para essa festa especial, mas que existem muitas florestas de Pinus que são responsáveis por movimentar a economia madeireira no Brasil.

Autor

Dr. Francisco Humberto Henrique

Engenheiro agrônomo, pesquisador, mestre e doutor em genética, melhoramento de plantas e biotecnologia. Tem experiência no desenvolvimento de projetos em melhoramento de plantas, fitossanidade e cultura de tecidos. Atualmente trabalha como criador de conteúdo agro e divulgador científico. Acredita que somente com o conhecimento e a informação de qualidade podemos fazer a diferença em nossa sociedade.

Principais fontes

Bernet, M. R. et al., Influência de variáveis ambientais no incremento radial dos anéis de crescimento de Pinus taeda L. Research, Society and Development, v. 9,n. 3. 2020.

Embrapa Florestas, Sistema de Produção de Pínus, n.5, 2 ed. 2014. Disponível em: https://www.spo.cnptia.embrapa.br/conteudo?p_p_id=conteudoportlet_WAR_sistemasdeproducaolf6_1ga1ceportlet&p_p_lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_count=1&p_r_p_-76293187_sistemaProducaoId=3715&p_r_p_-996514994_topicoId=3228. Acesso em: 01 dez. 2020.

Embrapa, Transferência de Tecnologia Florestal. Perguntas e Respostas – Pinus. 2020. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/florestas/transferencia-de-tecnologia/pinus/perguntas-e-respostas. Acesso em: 01 dez. 2020

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