Minha vida era mais sustentável quando eu tinha a minha mãe

Esse post poderia ter sido escrito na blogagem coletiva do Dia das Mulheres, deveria ter sido publicado no dia das Mães, mas só pensei nesse assunto no dia das Mães quando estava dentro de um avião numa escala em Brasília.

Gostaria muito de tê-lo publicado no dia das mães, mas estava sem computador, sem Internet, essa perda de “timing” me fez pensar seriamente em comprar um smartphone. O máximo que consegui foram algumas anotações num caderninho.

Mas antes tarde e meio fora de contexto do que nunca, principalmente em se tratando da minha mãe.

Minha mãe teve uma relevância absolutamente gigante na minha vida pra me tornar a pessoa com consciência ecológica que sou hoje. Desde que me entendo por gente em casa separamos o lixo, imagina a novidade há uns 20 anos ao se falar em separar lixo. Tinha um hospital na minha cidade que juntava sucata das pessoas para poder arrecadar mais dinheiro, era um hospital fundado por um Frei, com objetivos filantrópicos. Acho que foi por conta dessa separação em casa que me perguntei pela primeira vez para onde ia o lixo e percebi que não deveria ser um lugar muito agradável uma vez que ninguém gostava muito de tê-lo por perto.

Essa talvez tenha sido a primeira lição de meio-ambiente, que eu me recordo, que tenho da minha mãe, mas depois dessa vieram tantas outras que provavelmente ela fazia sem se dar conta que era sustentável. Aliás enquanto ela viveu essa palavra nem era tão famosa como hoje. E olha que nem faz tanto tempo assim que ela se foi.

Uma fez, acho que logo depois do apagão e da economia de energia que todos no país se esforçaram a fazer (alguém se lembra no longínquo 2001?), perguntei pra ela por que o aparelho de som não estava na tomada e ela óbvio disse que era pra economizar energia, eu sem noção fui lá e coloquei-o na tomada pelo simples luxo de poder ligar o som com o controle remoto quando raramente usava-o e estava em casa. Foi só eu virar as costas pra ela ir lá e desligá-lo novamente.

Na mesma época do apagão meu pai resolveu trocar o aquecedor de água elétrico que nós tínhamos em casa por um a gás. Só que a água quente demorava muito pra chegar até o chuveiro e por isso perdíamos muita água, qual solução encontrada? Não foi só 1 mas 2 soluções: 1) todo mundo da casa passou a tomar banho no banheiro mais próximo do aquecedor e 2) baldes eram colocados estrategicamente embaixo do chuveiro até a água esquentar, essa espera rendia pelo menos meio balde de água a cada banho. Água essa que era usada para dar descarga ou lavar o banheiro.

Um dia em casa me surpreendi com uma sacola estranha na entrada da cozinha, perguntei de quem era e minha mãe respondeu: é a sacola que uso para ir no mercadinho quando preciso comprar alguma coisa, não pego mais aquelas sacolas plásticas… E essa resposta não me foi dada ano passado quando a moda das ecobags apareceram por ai.

A água da máquina de lavar nem preciso dizer que era totalmente aproveitada, tanto para lavar o quintal como para lavar os banheiros, isso sem contar que ela mesma enchia a máquina com baldes para deixar a máquina menos tempo ligada (ás vezes ela exagerava, eu sei).

Se até hoje uso em casa sabão feito de óleo de cozinha é por culpa dela, ela conseguiu encontrar uma pessoa que produzia esse sabão e trazia em casa e ela ainda fazia propaganda para todos os conhecidos.

Na cozinha então, nem se fala, fazia feira toda semana, só comprava ovos caipiras, só comíamos o molho de tomate feito por ela, bebíamos suco de laranja natural todos os dias e ainda sempre que podia comprava produtos locais e orgânicos de uma pequena feira de produtores que tinha no caminho de casa para a escola que trabalhava como voluntária.

Sem contar que ela não dirigia, só andava a pé, de ônibus ou de carona.

Fico pensando como ela reagiria a esse blábláblá todo pelo mundo, nos últimos tempos, de coisas que ela sempre fez sem precisar de campanhas publicitárias milionárias ou algum artista famoso pra dar o exemplo. Ela lia muito e dizia sempre que fazia isso ou aquilo por que leu em algum lugar.

Mãe, preciso ter acesso às suas leituras pois provavelmente lá deve ter a resposta para o próximo passo que deveremos dar para podermos continuar existindo nesse Planeta.

2 Comments

  • consecutivo
    19 de maio de 2008 - 15:24 | Permalink

    lendo esse post pensei brevemente em duas coisas… primeiro em como minha mae eh o oposto disso! Moro em um condominio de classe alta, onde sou vizinha de medicos renomados, uma senadora e etc… um dia chego no elevador com minnha mae e leio um texto feito pela filha da promotora do sexto andar, dizia que era para aproveitarmos a agua da maquina de lavar para lavar o carro. Minha mae leu o anuncio e disse “que ridiculo, vc acha que eu vou fazer isso?”Eu como estudando de engenharia ambiental e ambientalista que sou ja desisti de “conscientizar” ela, ela simplesmente nao tem vontade de mudar e pronto! entao me calei e deixei passar… mas fico imaginando que de fato toda aquela publicidade e conscientizacao atinge uma parcela muito pequena da populacao. No fim das contas as pessoas são assim por natureza (como sua mae) ou simplesmente nao sao!

  • Claudia Chow
    19 de maio de 2008 - 20:17 | Permalink

    Bom, eu acredito q conscientizacao ambiental existe sim, td bem q para algumas pessoas demora mais, é mais dificil, mas sempre a possivel, principalmente se a gente começar desde pequeno!

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