As polêmicas fraldas descartáveis (?)

No Faça a sua Parte está uma discussão sobre o assunto fraldas descartáveis (aqui, aqui e aqui), diante de tanto burburinho eu não consigo parar de pensar que o problema tem que ser pensado um pouco antes.

Vamos a alguns fatos, as pessoas com menos condições financeiras e menos acesso a educação também usam fraldas descartáveis! Sempre tenho que fazer trabalho de campo nas favelas de SP e SEMPRE encontro fraldas descartáveis pelas ruas das favelas. E qual a população que mais tem filhos?

Acho que a pergunta que deve ser feita antes de decidir qual fralda você vai usar no seu filho é: Você, o mundo, o meio ambiente realmente precisa de mais uma pessoa?

Não sou a favor das fraldas descartáveis nem totalmente contra, acho que elas são úteis em algumas ocasiões e podem ser usadas, desde que com parcimônia, como tudo no mundo, só por que o carro polui vou negar os benefícios que ele nos traz?

Acho super válida a preocupação das pessoas de usarem ou não as fraldas descartáveis, mas a parcela da população que mais tem filhos não se questiona nenhuma vez quanto ao número de filhos ou se deve ou não usar fraldas descartáveis. E isso é o que realmente me preocupa.

A China está pensando na possibilidade de acabar com a lei do filho único, você já parou pra pensar na quantidade a mais de gente que vai nascer e provavelmente consumir não só mais fraldas descartáveis mas mais alimento, água, energia?

A discussão sobre as fraldas é muito valiosa mas vamos nos lembrar de pensar globalmente, as fraldas só são as primeiras pegadas que um ser humano deixa no planeta e todo o resto que vem depois? O planeta vai ser capaz de dar conta do recado, com a população crescendo todos os dias 200.000 pessoas, descontados os mortos? E será que a geração presente vai deixar alguma coisa para as próximas gerações?

Bom, não pretendo ter filhos, não quero transmitir a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Sim, parafraseando Memórias Póstumas de Brás Cubas, bem pessimista…

6 Comments

  • Silvia
    20 de maio de 2008 - 15:57 | Permalink

    Claudia, acho que todos os questionamentos são importantes. Sim, a população está crescendo desenfreadamente, e isso precisa mudar também. É mais uma coisa na lista de itens que precisam ser mudados. E isso também cai na questão da conscientização que o Afonso mencionou lá no Faça.Recentemente, alguém lá do Faça (acho que foi a Lucia Freitas) passou o link para uma entrevista com o ecoeconomista Hugo Penteado (veja lá no blog Carbono Zero, a Luz fez uma chamada sobre a entrevista, muito boa, por sinal). Ele fala de diversas questões, inclusive da questão populacional.Sim, a população carente também usa fraldas descartáveis, infelizmente. E espero que essas pessoas, além de serem educadas para ter menos filhos, aprendam a viver de outra maneira.Na minha opinião, não ter filhos não é a solução. Se ninguém tiver filhos, a gente não precisa mais se preocupar com o desenvolvimento sustentável, porque aí a humanidade acaba e tudo volta a ficar na mais santa paz… 🙂

  • Claudia Chow
    20 de maio de 2008 - 17:52 | Permalink

    Silvia, o Hugo é meu amigo e ainda nao tinha conseguido assistir a entrevista dele no Programa da Marilia Gabriela, brigada pela indicação do link!! Acho q nem ele sabia a entrevista ja tava on-line. Já visitou o blog dele? http://nossofuturocomum.blogspot.comRealmente nao ter filhos nao é a solucao, mas o controle de natalidade é preciso já! Mas até isso é dificil…

  • D. Afonso XX, o Chato
    20 de maio de 2008 - 20:53 | Permalink

    Cláudia,Comentar sobre o problema das fraldas não significa excluir os demais e sequer julgar que esse é “O” maior problema. Sem dúvida, até talvez seja muito pequeno diante dos que colocaste no teu post. Mas devemos falar sobre tudo, né?

  • Anonymous
    21 de maio de 2008 - 20:08 | Permalink

    Malthus está se provando certo.

  • Hugo Penteado
    27 de maio de 2008 - 21:05 | Permalink

    Malthus está se provando certo… esse comentário me remeteu a outra idéia que queria escrever aqui. Em primeiro lugar, crescimento populacional contínuo num planeta finito é parte do problema, a outra parte é nosso materialismo, que cresce seis vezes mais rápido que o crescimento populacional. Somos os únicos bichos exossomáticos, que vivemos com coisas fora do nosso corpo (exo, fora, soma, corpo). Mesmo que o tamanho da população estanque, isso não significa que não teremos maiores desafios. Aí vejo o pessimismo da Cláudia Chow bem justificado. Se os chineses atingirem o nível de consumo per capita dos asiáticos, mesmo nesse caso, eles irão consumir nesse momento a produção mundial de quase tudo. O nível per capita dos asiáticos é superior ao dos chineses, que são na média muito pobres e muito, mas muito inferior ao dos europeus, britânicos, europeus e estadunidenses. Não há a menor possibilidade da China atingir o nível de consumo per capita dos países ricos, declarou os analistas do Barclays em uma palestra em Londres que deixou os investidores ouvintes atônitos. Os desafios só aumentam… quando começamos a analisar mais profundamenta a encruzilhada na qual a humanidade está.Malthus errou não porque preveu mais a capacidade de aumentarmos a produção de alimentos para atender demandas esganiçadamente maiores. Ele dizia que a produção de alimentos crescia numa progressão aritmética e a população numa produção geométrica. A produção na verdade cresceu mais do que o necessário para atender as populações cada vez maiores e a teoria malthusiana fracassou, caiu em descrédito. Mas é Nicholas Georgescu Roegen que faz o resgate, também contrário às idéias de Malthus. Segundo Rogen, Malthus não errou porque não previu a capacidade de aumentar a produção de alimentos de acordo com o tamanho da população, Malthus na verdade errou ao dizer que a população humana poderia crescer sempre, desde que crescesse muito devagar. Ou seja, as populações humanas poderiam aumentar infinitamente, desde que respeitassem o crescimento devagar dos alimentos…Meu amigo Márcio Jappe me falou de uma teoria que preciso estudar: quanto maior a oferta de alimentos, maior a população. Sei que é uma armadilha dizer isso, difícil inverter a relação, mas isso quer dizer que a transformação de natureza, animais e vegetais em seres humanos é um processo que se possibilitou, que se viabilizou até agora, mas isso não significa que não irá sofrer um revés tremendo. Deve sofrer, por conta do que significa isso para o equilíbrio planetário. O que está acontecendo agora é que estamos atingindo esse limite que nós infringimos, mas isso não significa que a teoria malthusiana estava certo. Ela nunca esteve, pelo motivo exposto por Roegen e beira o argumento idiota do Julian Simon que dizia que a humanidade poderia ser um trilhão de pessoas. Pode, igual as células cancerígenas e as cepas de vírus. É de alarmar que um opositor do planeta, o Bjorn Lomborg, um estatístico que resolveu dar palpite no conhecimento das ciências da terra, acabou se convertendo nisso que ele é hoje após ler um livro de Julian Simon. Julian Simon, Malthus e Lomborg têm todos algo em comum: a litania do eterno crescimento, do desmazelo com o simples fato que somos e sempre seremos eternamente dependentes da natureza.Deus perdoa sempre.Os homens raramente.A natureza nunca.(autor desconhecido)Hugo Penteadonossofuturocomum.blogspot.com

  • 10 de outubro de 2009 - 10:00 | Permalink

    Por favor,
    faço atualmente um trabalho sobre fraldas descartáveis e
    bioagradáveis.
    Encontrei uma marca (moltex oko) que usa milho em sua composição.Mas estou tendo dificuldades em adquirir o produto, uma vez que o mesmo não é fabricado no Brasil.
    Alguém saberia me dar alguma informação sobre esse produto
    ou similiar?
    Obrigada.

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