O PIB e o que ele representa

Ontem teve na FGV um evento de lançamento do livro “Compêndio de Indicadores de Sustentabilidade de Nações”, infelizmente não pude comparecer, mas depois do evento o Luiz Algarra twittou o que deve ter sido algumas das impressões e constatações do seminário que além da autora do livro, Anne Louette, contou com a presença de outras figuras da sustentabilidade do Brasil.

Eis os twitts do @algarra que me fizeram parar para pensar:

“Quando disponibilizamos conhecimento livre na internet, e milhões aprendem, não aumenta o PIB.”

“Quando você reduz o consumo de medicamentos, cai o PIB! Ou seja, saúde não traz desenvolvimento. Que incongruência!”

“Uma praia livre não gera recursos econômicos. Loteada gera PIB. A restrição aos bens livres gera riqueza?”

“Recursos ilimitados em um planeta limitado? Só um idiota ou um economista para acreditar nisso.”

“Todo trabalho voluntário não gera PIB.”

Ou seja, pra que serve o PIB? Segundo a WikipediaO produto interno bruto (PIB) representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região (quer seja, países, estados, cidades), durante um período determinado (mês, trimestre, ano, etc). O PIB é um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia com o objetivo de mensurar a atividade econômica de uma região.
Na contagem do PIB, considera-se apenas bens e serviços finais, excluindo da conta todos os bens de consumo de intermediário (insumos). Isso é feito com o intuito de evitar o problema da dupla contagem, quando valores gerados na cadeia de produção aparecem contados duas vezes na soma do PIB
.”

Mas veja lá nos twitts acima, várias coisas boas não acrescentam absolutamente nada no PIB!!

Que o PIB é falho qualquer pessoa de bom senso deve concordar, não dá pra acreditar que apenas o que gera dinheiro representa as maiores riquezas de um país, alguém tem alguma dúvida de que a Amazônia representa uma riqueza imensa para o nosso país? Pois bem, sabe quanto ela vale para o PIB intacta? Zero! Agora se a gente for lá e cortar todas as árvores e transformar em carvão, sim, ai vale, a gente calcula por quanto vai vender o carvão e pronto, acrescentamos uns números a mais no PIB! Bizarro… 

Conversando via e-mail com o Hugo ele tocou num ponto super importante, enquanto os valores não mudarem não vai adiantar criar novas métricas. Vai, até adianta pra tentar contrapor o PIB, mas vai ser só um acessório que as pessoas vão achar bonitinho, enquanto não mudar a ideia de que acumular bens e valores é o que representa de melhor num ser humano quem vai levar realmente a sério outra métrica?

O governo trabalha pra aumentar o PIB, não necessariamente a qualidade de vida, há a crença que melhorando a renda melhora necessariamente a qualidade de vida, agora me responda, o que melhora vida de um analfabeto, desempregado, com uns 3 filhos pequenos para criar ter um telefone celular? Ao comprar um celular e colocar créditos, há uma contribuição para o PIB, mas o que melhorou de verdade na vida dessa pessoa?

9 Comments

  • 3 de junho de 2009 - 14:13 | Permalink

    Eu me lembro de ter lido algures uma crítica mais contundente ainda sobre esse método de aferição pelo PIB. O argumento é que, quanto maior for a concentração da renda, menor significado social o PIB tem.
    O “remédio” para isso é a tributação progressiva, com o governo se encarregando de redistribuir a riqueza pela população. Só que isso tem uma armadilha: nos países onde a renda é fortemente concentrada, os governos costumam estar nas mãos dos maiores beneficiários por essa concentração e estes legislam em causa própria (através de “representantes” do povo comprados com um status melhor do que o de suas origens).
    A chave do problema – como sempre!… – é a educação. Com uma educação melhor, a plebe deixa de se iludir que um celular de cartão é uma melhora significativa em suas condições de vida e pode até chegar a perceber (sonhar não custa nada…) que o progresso coletivo traz melhores resultados do que melhoramentos puntuais em suas vidinhas miseráveis.

  • 3 de junho de 2009 - 19:46 | Permalink

    Oi, Claudia. Parabéns pelo blog! Passei por aqui pela primeira vez hoje e gostei muito, vou visitar mais. Achei ótima sua reflexão sobre o PIB, me lembrou um artigo do economista Ladislau Dowbor que li recentemente. Chama-se “O debate sobre o PIB: estamos fazendo a conta errada”. Acho que você vai gostar! Dê uma olhadinha aqui: http://www.dowbor.org/metadata_search.asp?search=descapitaliza%E7%E3o
    Beijão!

  • 4 de junho de 2009 - 09:41 | Permalink

    Oi Claudia! Muito interessantes as colocações. Só fiquei pensando na questão do conhecimento livre na internet. Será que são milhões de pessoas mesmo que aprendem? A impressão que tenho é que, infelizmente, a maior parte da população não consegue aproveitar tão bem assim a internet como ferramenta para educação.

  • 4 de junho de 2009 - 10:25 | Permalink

    Nao sei se milhoes aprendem Natalia, mas que milhoes tem acesso isso é fato. A oportunidade é dada, nao é como a educacao de qualidade no Brasil que pouquissimos tem acesso.
    Nesse caso o que conta é que o serviço de colocar essa informação na rede, alguem aprender e se beneficiar disso de alguma forma e nao haver aumento de 1 real no PIB, entende? A wikipedia é um exemplo.

  • 4 de junho de 2009 - 10:27 | Permalink

    Oi Tatiana, obrigada! Vou dar uma olhada no texto! Volte sempre!

  • 4 de junho de 2009 - 10:30 | Permalink

    É João, só a educacao vai nos salvar das trevas da ignorancia!!! 🙂 Acho educacao o ponto chave, na minha opiniao vem antes até do meio ambiente… Sem educacao td é só lavagem cerebral.

  • 7 de junho de 2009 - 02:56 | Permalink

    Confesso orgulhosamente que as frases que twittei são transcrições ou inspirações do Prof. Ladislau Dowbor, entusiasta anti-PIB que palestrou no encontro de lançamento do Guia da Sustentabilidade as Nações, n FGV.
    Ladislau atualmente é professor titular no departamento de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, nas áreas de economia e administração. Continua com o trabalho de consultoria para diversas agencias das Nações Unidas, governos e municípios, bem como do Senac. Atua como Conselheiro na Fundação Abrinq, Instituto Polis e outras instituições.
    Ultimamente Laduslau Dowbor tem trabalhado no desenvolvimento de sistemas descentralizados de gestão, particularmente no quadro de administrações municipais, envolvendo sistemas de informação gerencial, políticas municipais de emprego, políticas integradas para criança de risco e gestão ambiental. Textos técnicos disponíveis na home-page http://dowbor.org

  • 20 de outubro de 2009 - 14:47 | Permalink

    Bom, Olá para todos. Realmente o nosso Mundo é muito estranho! só para a reflexão: Uma guerra gera PIB pra caramba, vejam só tudo terá que ser reconstruido…
    No Butão, éstá em pratica um outro indice FIB, traduzido como felicidade interna bruta, esse sim contempla a educação, a qualidade vida… vale a pena pesquisar mais.
    abs,

  • Daniel
    2 de junho de 2010 - 22:49 | Permalink

    Não há dúvida que qualquer indicador tem suas exceções. Ainda mais se tratarmos de intangíveis como conhecimento.
    Mas dizer que trabalho voluntario nao gera PIB, conhecimento grátis nao gera PIB.. apenas se olharmos diretamente para a ação causadora, pois indiretamente, estas ações promovem mudanças que (se não fossem grátis) não aconteceriam.

  • Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado.

    Skip to content