Ser sustentável é difícil, acredite!

4597080456_dc0820dbb8_b Imagem: http://goo.gl/UMfKX

Quantas pessoas você conhece que podem ser consideradas preocupadas com a causa ambiental? Eu conheço poucas, mas poucas mesmo, aliás, devo conhecer muitas que se preocupam, mas por preguiça, desinteresse ou desinformação (quero muito acreditar que é pelo terceiro motivo) fazem pouco ou fazem pela metade.

Outro dia li num comentário de algum vídeo que as pessoas eram hipócritas pois não trocavam o prato num restaurante de buffet para evitar lavar mais um prato, mas quando iam tomar banho ligavam o chuveiro e ficava brincando com o cachorro ao invés de entrar logo no banho. Bom, já ouvi dizer que essa de não trocar de prato é lenda pois ao usar o mesmo prato você aumenta a chance de contaminação e é preferível gastar mais água que a chance de transmissão de doenças entre as pessoas e/ou estragar a comida.

Mas esse tipo de exemplo é o mais comum de se ver. Eu por exemplo conheço pessoas que separam o lixo de casa, mas vão de carro na padaria da esquina, ou ainda separam o lixo da cozinha, mas esquecem do lixo do resto da casa, como por exemplo o rolo de papelão do papel higiênico, a embalagem do shampoo ou o papel da mala direta que chegou pelo correio. Compram comida orgânica, mas deixam todas as luzes da casa acesa o tempo todo. Não comem carne vermelha por conta do desmatamento ou pelos maus tratos dos animais, mas comem salmão que vem lá do Chile e deve ter uma pegada de carbono monstro

E ai, como faz? Não faz nada já que fazer tudo beira o impossível? Eu não tenho essa resposta, mas acho que se você quer ser ecologicamente correto e todo o blablabla que foi criado de uns tempos pra cá por conta do aquecimento global, da sustentabilidade, da responsabilidade socioambiental, comece a prestar atenção em TODAS as suas ações e tente reformá-las, eu tenho plena consciência que não é nada fácil, eu mesma não dou conta de tudo por uma série de motivos e tenho alguns dos meus pecados ambientais confessados. O que não dá é pra ser ecochato, encher a boca para dar sermão nas pessoas que não fazem isso ou aquilo sabendo que ninguém é capaz de ser impacto zero e ações individuais e isoladas significam pouco para mudar de fato os rumos da humanidade.

Discussão - 10 comentários

  1. Acredito, Cláudia, aliás sei que é muito difícil, por vários motivos: mesmo quem está informado, não consegue abarcar toda a informação; mesmo quem está atento, não consegue estar sempre atento a tudo. Mesmo quem está motivado, por vezes desanima com a falta de “apoio” dos que rodeiam e ignoram…
    O caminho da sustentabilidade individual tem de ser feito de modo consciente e progressivo, porque somos seres de hábitos e levamos décadas a ganhar maus hábitos…
    Aliás, a vida da sociedade actual é tão mais insustentável quanto mais consumista e desinformada do essencial.
    Há que empreender essa viagem, esse caminho para a sustentabilidade, tentar informar e levar outros.
    Parabéns pelo blogue
    O planeta não espera… mas os seres humanos também não mudam de um dia para o outro.
    Vamos insistindo, batalhando, melhorando…

  2. Me pergunto sempre o quanto de culpa é imputada às ações das pessoas comuns, e enquanto isso as grandes corporações e empresas fazem menos ainda. Gostaria de saber se existe um cálculo que indica o “peso” relativo das ações individuais e das ações corporativas, empresariais ou de grupos econômicos sobre a sustentabilidade. Por exemplo, está cientificamente provado que o transporte coletivo diminui significativamente o impacto ambiental? Mas e o transporte coletivo a diesel X transporte individual a álcool? Será que alguém já fez este cálculo? Eu sinceramente gostaria de saber.
    Excelente postagem para fomentar a reflexão.

  3. Claudia Chow disse:

    Roberto, não sei em relacao à emissao de poluentes, mas com certeza com relação ao transito o transporte coletivo é infinitamente melhor que o transporte individual, imagine 20 carros com uma pessoa dentro em cada e o espaço q isso ocupa na rua e imagine 20 pessoas dentro de um onibus e o espaço q isso ocupa. Não tem comparação, o rendimento de um onibus com 20 pessoas dentro é muito maior que um carro com uma pessoa. Acho q esse artigo do Tasso Azevedo ajuda a responder sua pergunta: http://goo.gl/zAKGG

  4. Chloe disse:

    Olá Claudia,
    bem legal vc levantar essas questões. Pelo menos faz com que nós leitores pensemos a respeito.
    Concordo que é impossivel fazer tudo.
    Da minha parte, também tenho vários ‘pecados ambientais’, mas faço o melhor que posso.
    Seria mesmo interessante/importante que se estudasse mais o impacto individual, e que isso fosse amplamente divulgado.
    Infelizmente a falta de informação/explicação colabora, e muito, para que a maioria das pessoas façam menos do que poderiam.
    Dizer ‘Faça isso ou aquilo para salvar o planeta!’ é muito vago; as pessoas (eu inclusive) precisam entender o significado de cada um desses imperativos e a consequência de se segui-los ou não.
    Talvez assim houvesse maior empenho na mudança de atitude.
    Abç. ; )
    C.

  5. Oi Claudia,
    Quanto ao trânsito, teu argumento me parece totalmente convincente. Mas com relação aos poluentes, não sei. Morei em Vancouver 6 meses, e lá existem muito poucas linhas de ônibus a diesel. A maioria é elétrico. Fico pensando porque não fazem isso aqui. Será que a rede de transmissão de eletricidade não aguentaria? Será que o fornecimento não seria o suficiente? Ou será que os interesses políticos e comerciais falam sempre mais alto?

  6. maria disse:

    não entendi a coisa da contaminação por não trocar os pratos. afinal, a contaminação seria entre algo que comi e algo que eu mesma vou comer em seguida. como isso aumenta minhas chances de exposição a uma bactéria maligna?
    não costumo trocar o prato porque acho desnecessário. e de maneira geral, qualquer desperdício (de energia, de material, de água…) me dá aflição.

  7. Andy disse:

    Oi Claudia,
    Bem interessante a materia!
    Realmente não existem pessoas 100% sustentaveis isso pq o modo de vida imposto pela nossa sociedade não colabora pra isso. A gente tende a agir de forma sustentavel quando temos “tempo” de analisar o que será feito, porém na correria do dia a dia, acabamos optando por soluções mais praticas e obviamente não sustentaveis a fim de facilitar nossa vida. Infelizmente!
    Mas creio que se cada pessoa realizasse pelo menos uma ação sustentavel no seu dia a dia, ainda assim sairiamos no lucro.
    Gostaria de aproveitar e dividir com o pessoal do blog o ranking das 10 cidades mais limpas do mundo, segundo ranking da Mercer com 50 cidades http://migre.me/3Hv5U
    Abraço

  8. luanda disse:

    O que você citou pode se enquadrar no que chamamos de falso moralismo. É importante reconhecer que não estamos fazendo tudo de modo ecologicamente correto, mas devemos fazer o máximo possível, para isso, é imprescindível que reconheçamos nossos erros e tenhamos a humildade para modificar velhos atos.
    Parabéns pelo post!

  9. […] No final do artigo da Lonely Planet a autora cita a frase do Sapo Kermit (antigo Caco) ‘it’s not [always] easy being green’ (não é fácil ser (sempre) verde), como eu já disse antes: Ser sustentável é difícil, acredite! […]

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