Encararia esse banho para economizar energia e água?

Já se imaginou no chuveiro vendo a água do banho escorrendo pelo ralo e caindo de volta na sua cabeça enquanto enxágua o shampoo? E se você estivesse amando esse banho ao invés dessa cara de eca que está fazendo agora?

Gato com touca de banho rosa em fundo rosa e a frase "Encara esse banho?"
Crédito: adaptada de foto de Anna Shvets no Pexels

Não, você não estaria com problema. Esse chuveiro existe e a água sai até mais limpa do que a que vem da rua. Além do que economiza até 80% de energia elétrica. Pelo menos é o que diz a turma da Orbital Systems que trouxe para os terráqueos um chuveiro elétrico desenvolvido pelo seu fundador para ser usado em Marte.

Calma que aqui não tem jabá, é que as ideias que usaram tem tudo a ver com o que falamos em duas postagens anteriores sobre chuveiros elétricos que economizam energia (primeira postagem e segunda postagem). Esta é a terceira e última delas. Vamos recapitular rapidamente essas postagens para o gato aí de cima.

Recapitulando a evolução dos chuveiros

O objetivo dessa série é mostrar a evolução dos chuveiros elétricos para falar da diferença entre o uso racional da energia e a eficiência energética. Ilustramos isso compartilhando alguns resultados de medições que realizamos em chuveiros de várias residências.

Na primeira postagem falamos que os chuveiros elétricos com múltiplas posições de temperatura são econômicos para o bolso, mas não são eficientes energeticamente. Economizaram 17,2% em média no consumo de eletricidade em comparação com chuveiros de três posições (inverno, verão e desligado) por nos oferecerem um “cardápio” maior de temperaturas para escolher.

Já a segunda postagem foi sobre chuveiro elétrico com um recuperador de calor acoplado, cujo resultado das medições trouxe uma redução média de 42% no consumo de eletricidade dos banhos dos consumidores. O truque para esse salto de 17,2% para 42% foi reciclar parte do “calor” da água antes dela ir embora pelo ralo. Isso, sim, foi incorporar eficiência energética no chuveiro, pois se pode chegar na mesma temperatura quente de banho consumindo menos eletricidade.

O pulo do gato do chuveiro

Gato pintado de verde para parecer um gato marciano com touca de banho rosa. Com frase dizendo "Sou o Omar. De Omarciano..." com um emoji de alienígena achando a piada fraca.
Adaptada de foto de Anna Shvets no Pexels e de ícone “Sad” por mohammad no NounProject.com

Tá, mas e o chuveiro marciano nessa história toda? De acordo com seu criador, ele pode economizar 80% de eletricidade também reciclando. “Mas, Rodolfo, o outro reciclava tão mal assim para ser só 42% de economia?”. Boa pergunta, mas não.

O chuveiro da segunda postagem poderia recuperar ainda mais energia da água quente se aumentássemos a área do recuperador de calor. Quanto maior a superfície de contato, mais calor (energia térmica, na verdade 🤓) se recupera. Mas aí ele ficaria mais caro, maior e poderia nem mais caber dentro do box do chuveiro. Mas dá para melhorar, sim. Se tiver alguma ideia, traz aqui. De toda forma, não foi fazendo nada disso que o tal chuveiro “da Nasa” fez. 

Tá, mas como ele chegou a 80% então? O pulo do gato está em sair da caixinha. Por que reciclar apenas parte do calor se podemos recuperar a própria água quente que saiu pelo ralo com todo “calor” contido nela? Pois é isso que esse chuveiro sueco-marciano faz.

Esse chuveiro é como uma pequena estação de tratamento d’água. Com o uso de um filtro e de uma lâmpada de luz ultravioleta para purificar a água e livrá-la de cabelos, germes, bactérias, outros bichinhos e resíduos, a água volta limpa para nosso banho. Inteligente, não é?

Pensar fora da caixa ajuda a expandir a criatividade.
Crédito da foto: adaptada de “Cat photo created by freepik – www.freepik.com”. A frase é parte de letra da música “Maybe Not” de Cat Power. Vale ouvir se não conhece..

Chuveiro inteligente (e com ego de limpeza)

Calma que tem mais. Ele possui sensores de impureza e de temperatura. O de impureza detecta o quanto a água que entra pelo ralo está suja. Se estiver mais suja do que o sistema de tratamento é capaz de limpar, essa água vai embora. Se não, o chuveiro irá tratá-la para voltar ao banho. Essa conferência é feita vinte vezes por segundo. Já o de temperatura checa o quanto a água precisa ser aquecida depois de tratada para chegar na temperatura de banho escolhida pelo usuário.

Com o mundo cada vez mais conectado no wi-fi, até com as coisas tendo internet também, o chuveiro não podia ficar de fora. As informações de uso e economia de energia e água são registradas em um aplicativo para conferirmos (alerta para pensar: como fica a segurança da informação?🦹🕵️).

Além disso, alguém pode se perguntar: como a água sobe de volta, já que o chuveiro recircula a água do banho? O sistema possui uma bomba d’água para fazer isso. Mesmo com a bomba e a lâmpada ultravioleta consumindo eletricidade, a ideia de aproveitar a própria água quente ainda assim traz economia de até 80% de energia.

Além de energia, economiza água 

Mas a economia não para por aí. O principal objetivo da criação do chuveiro foi aproveitar ao máximo o uso da água, pois ela é um bem cada vez mais valioso para nosso planetinha azul (imagine em Marte…). Segundo o fabricante, ele pode economizar até 90% da água do banho se comparado a um chuveiro tradicional.

Em tempos em que as tarifas de eletricidade e de água só aumentam, assim como os impactos ambientais das ações humanas, esse chuveiro é uma boa solução, não acha? Ele já tem sido usado em hotéis e clubes, por exemplo. Ganhou um concorrente também, querendo oferecer um produto mais barato, o Flow Loop. Esses chuveiros promovem um grande salto de inovação quando se trata de banho.

Mas conta aí, você agora encararia tomar esse banho com a água que saiu do próprio ralo?

Rodolfo Dourado Maia Gomes

Formado em engenharia mecânica e com mestrado em Planejamento de Sistemas Energéticos, atua como pesquisador no International Energy Initiative - IEI Brasil. As áreas de interesse são em política energética, científica e tecnológica para eficiência energética e fontes renováveis de energia e também nos estudos sociais da ciência e tecnologia.

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