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A chegada do sistema de rádio e TV digital pode não ser uma boa notícia para os ETs que estão “dando uma espiadinha” na Terra através de nossas transmissões radiofônicas. Segundo o renomado Dr. Frank Drake, as transmissões via satélite e os sinais digitais são fracos demais para ir muito além da órbita terrestre. Mas isso também pode ser uma explicação para a ausência de canais de TV extraterrestres.

O Dr. Drake tornou-se famoso há cinquenta anos como fundador do SETI [Search for Extraterrestrial Intelligence], o primeiro programa científico dedicado à busca de vida inteligente fora da Terra. Drake também é autor de uma famosa equação para estimar o número de planetas habitados por seres inteligentes. O método de pesquisa do SETI baseia-se na radioastronomia e é bastante simples: usa radiotelescópios para tentar interceptar sinais de rádio ou TV de outro planeta.
Isso só é possível por que emissões radiofônicas potentes não são retidas pela atmosfera e espalham-se pelo espaço em todas as direções à velocidade da luz, criando uma espécie de bolha radiofônica centrada no planeta emissor. Nos primórdios da TV e, principalmente do rádio, usavam-se antenas de até 1.000.000 de watts de potência para as transmissões. Tanto é assim que antigas estações AM das chamadas ondas curtas alcançavam vários continentes. Muito antes das web-rádios, era possível ouvir rádios de outros continentes com aparelhos valvulados!
Mais por menos
Entretanto, a partir dos anos 60, teve início a era do FM no rádio e do uso da comunicação por satélite. Todo mundo sabe que rádios FM têm um sinal fraco — embora a qualidade de recepção seja melhor — e um alcance máximo 100km. Já os sinais enviados para satélites, embora sejam direcionados para o espaço por grandes antenas,  usam uma potência é muito pequena — apenas 2 watts. E o que o satélite “perde”, e portanto vai pro espaço, é apenas uma fração desses 2 watts. Como o sinal se enfraquece com a distância e o espaço entre os sistemas solares é muito grande, o que chegaria às antenas dos nossos vizinhos seria apenas uma fração da fração de 2 watts. Se eles não tiverem um bom sistema de amplificação jamais vão receber o sinal digital. E hoje, a quantidade de sinais que vaza para o espaço é ainda menor, pois grande parte de nossas comunicações passa por cabos e fibras óticas.
O estouro da bolha
Tudo isso significa que, depois de se expandir por apenas 80 anos-luz espaço afora — numa galáxia com 100.000 anos-luz de diâmetro —, a bolha radiofônica da Terra vai, em breve, se tornar tão fraca que será praticamente indetectável. Parafraseando Carl Sagan (1934-1996), co-fundador do SETI, isso faria de nós mais um “pálido ponto cego” em termos radiofônicos.
Não é à toa que ainda não fomos “descobertos”. Além de termos dominado as comunicações radiofônicas há pouco tempo, nós aprendemos a transmitir mais por menos. Embora isso seja elogiável do ponto de vista energético e tecnológico, isso nos torna isolados num sentido cósmico.
Amplificadores Estelares
Como o Dr. Drake sempre suspeitou que as civilizações extraterrenas sejam mais antigas e, portanto, mais avançadas do que nós isso pode não ser problema para eles. Eles ainda podem nos ouvir se tiverem as ferramentas certas. Eles poderiam, por exemplo, amplificar os sinais radiofônicos de outras civilizações, inclusive a nossa, usando a chamada lente gravitacional formada pela estrela em redor da qual orbitam. 
A lente gravitacional é um fenômeno descrito por Albert Einstein (1879-1955). Segundo Einstein, grandes massas de matéria, como as estrelas, são capazes de curvar o espaço-tempo ao redor delas e a luz que passa em suas proximidades. Como sinais de rádio nada mais são do que um tipo de luz invisível, o sol de nossos vizinhos poderia amplificar os nossos fraquíssimos sinais digitais. Igualmente, o campo gravitacional do nosso sol também seria capaz de amplificar sinais extraterrestres, ainda que não saibamos como captar esses tipo de sinal. Entretanto, isso só seria possível se os dois sistemas solares estiverem alinhados, o que é bastante improvável.
Sem sinal
Pode ser porém, que nós simplesmente tenhamos perdido a oportunidade de captar os sinais analógicos (os mais potentes) de outras civilizações. E por uma questão de tempo. Se realmente forem mais avançados do que nós, nossos vizinhos desenvolveram a comunicação digital muito antes de inventarmos as antenas de rádio. Esses sinais teriam passado por nós como se nada houvesse por aqui. Se for assim, é muito provável que já no início de nossa radioastronomia nós estivéssemos procurando por sinais nas potência e frequência erradas. Nós podemos ter passado os últimos 50 anos procurando por sinais analógicos onde só há sinais digitais. Pode ser esse o motivo pelo qual nunca “demos uma espiadinha” na TV ou no rádio de nossos possíveis vizinhos.
Eu imagino seres acompanhando, a vários anos-luz daqui, nossa guerra fria, com suas ameaças nucleares. Por essa altura, com o enfraquecimento dos nossos sinais, eles podem ter desistido de se comunicar por achar que já nos autodestruímos. O que, com certeza, não seria muito difícil de acontecer nessa época de terrorismo, fundamentalismo e intolerância.

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