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Robinson Crusoé não foi totalmente ficcional. A história do náufrago solitário criada por Daniel Defoe foi baseada na vida de Alexander Selkirk (1676-1721), um marinheiro escocês que passou quatro anos em uma ilha desabitada.
Em 1703, Selkirk estava navegando com o corsário William Dampier quando começou a duvidar da durabilidade do galeão do corso, o Cinque Ports. Assim que pôde, o desconfiado marujo escocês decidiu partir de mala e cuia para terra firme. Isso mesmo, ele escolheu voluntariamente ficar sozinho na ilha de Juan Fernández, no Pacífico Sul. Ou quase sozinho: além da roupa do corpo, Selkirk ficou com apenas um mosquete, um pouco de pólvora, cordas,  ferramentas de carpintaria, uma faca e uma bíblia.
Nos primeiros dias, Selkirk foi derrubado pela solidão e pelo arrependimento. Mas rapidamente — afinal era questão de vida ou morte — ele se aclimatou. Na falta de um “Sexta-feira”, o marujo solitário domesticou gatos selvagens (!!)  para caçar ratos, plantou uma horta com nabos, repolhos e pimenta e construiu uma cabana com madeira de um pé de pimenta-da-jamaica. Mais tarde, ele forjou uma faca com o metal de aros encontrados em barris que apareceram na praia e usou-a para caçar cabras selvagens (ele usava suas peles como roupas).
Por duas vezes a ilha foi visitada por tripulações de navios que pararam para reabastecimento. No entanto, em ambos os casos, os visitantes eram espanhóis. Sendo um pirata estrangeiro em território espanhol (hoje Juan Fernández é território chileno), Selkirk sentiu-se ameaçado e, em vez de tentar fugir, se escondeu durante as visitas. Diz-se que em uma ocasião o capitão de um dos navios parou para mijar bem debaixo da árvore onde o marujo escocês estava escondido. Felizmente, ninguém olhou para cima.
O final da história é um tanto surpreendente. Depois de quatro anos e quatro meses vivendo totalmente isolado (ainda não havia bolas de vôlei para chamar de “Wilson”), Selkirk foi resgatado pelo mesmo cara que o abandonou na ilha. William Dampier estava de de volta, mas o náufrago escocês notou que navio não era o mesmo. O Cinque Ports havia afundado após perder os mastros. Embora tenha acabado com sua vida social, a desconfiança do marujo escocês foi a sua salvação.

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