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O que têm em comum Arthur M. Winsfield, Franklin W. Dixon, Carolyn Keene, Laura Lee Hope e Victor Appleton? Todos esses autores são criações de Edward Stratemeyer (1862-1930), um escritor de Newark, Nova Jersey que escreveu (ou teria escrito) cerca de 1.300 títulos. Entre suas principais obras, estão as séries The Hardy Boys, Nancy Drew Mystery Stories, The Bobbsey Twins, Tom Swift e Bomba, the Jungle Boy, considerados clássicos da literatura infanto-juvenil norte-americana. 
Essa literatura infanto-juvenil se tornou bem-sucedida por priorizar o entretenimento em lugar da moralização — além, é claro, da forma como foi produzida. Por sua influência, Stratemeyer pode ser considerado o avô da cultura de séries que caracteriza a TV dos Estados Unidos.

O primeiro volume da
série The Bobbsey Twins (1904)
Em 1893, Stratemeyer começou a escrever para a editora Street & Smith e tornou-se rapidamente popular. Popular até demais, pra dizer a verdade. Em 1906, sua série Rover Boys se tornou um sucesso tão grande que ele não pode mais atender à demanda por mais livros. Para resolver o problema, Stratemeyer concebeu um “sindicato” formado por jovens escritores freelancers, além de copistas, editores e estenógrafos. Em 1910, o sindicato já estava produzindo e lançando até dez novas séries por ano. Apenas como exemplo, a série Rover Boys teve 30 volumes (ou, se preferir, “temporadas”), publicados entre 1899 e 1926 e com 5 milhões de exemplares vendidos.
Cada jovem aspirante a autor recebia de 50 a 250 dólares por um manuscrito que poderia ser produzido em apenas um mês, trabalhando com alguns personagens e um enredo criado pelo próprio Stratemeyer. Depois de revisar e/ou corrigir inconsistências em cada manuscrito, Stratemeyer publicava-o sob um de seus pseudônimos — Captain Ralph Bonehill, Allen Chapman, Roy Rockwood, Frank V. Webster, Alice B. Emerson, Jerry West, Victor Appleton II. Stratemeyer também continuou a publicar títulos sob seu próprio nome. Curiosamente, porém, seus maiores sucessos foram aqueles publicados sob pseudônimos.
Cada volume de cada série, que deveria ser vendido a 50 centavos e ser “tão adulto quanto possível” na aparência, mencionava aventuras de volumes anteriores e antecipava pontos do próximo livro. O sistema de serialização criado por Stratemeyer — que mistura co-autoria com ghost-writing — funcionou tão bem que quando ele morreu em 1930, sua filha conseguiu continuar facilmente com o negócio. Quando, por sua vez, ela morreu em 1982, o sindicato Stratemeyer já estava vendendo mais de dois milhões de exemplares por ano.
Capa de Tom Swift and his Giant Telescope (1939): publicada originalmente entre 1910 e 1941, a série é considerada precursora da ficção científica que surgiria a partir dos anos 1920.
Mais do que isso, o sistema funcionou porque Stratemeyer (e seus jovens co-autores) sempre entenderam muito bem o que os jovens leitores queriam (e ainda querem): “O problema” — explicou Stratemeyer a uma editora em 1901 — “é que muito poucos adultos aproximam-se do coração de um garoto quando escolhem algo para ele ler. Um rapaz bem agitado não tem paciência com aquilo que para ele é lenga-lenga ou que ele considera como um ‘livro de estudo’ sob disfarce. Ele exige heróis de carne e osso de verdade, gente que faça alguma coisa.”

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