Qual é a música mais longa já criada? Dentre as muitas respostas possíveis, a mais provável é a composição chamada Longplayer. Composta pelo músico Jem Finer e outros artistas entre 1995 e 1999, Longplayer é uma peça para sinos tibetanos com duração estimada de 1000 anos. A execução foi iniciada em 31 de dezembro de 1999 e deve terminar nos últimos momentos de 2999.

Cronologicamente ambiciosa, a obra se baseia na aplicação de seis regras precisas para relacionar seis peças de música. Cada uma dessas peças é uma transposição harmônica de uma música-fonte, uma composição original com 20 minutos e 20 segundos de duração. Além da música-fonte, há uma versão uma oitava abaixo, uma sete semitons abaixo, outra cinco semitons abaixo e outras cinco e sete semitons acima.

Seis trechos de dois minutos — um de cada harmônico — estão tocando simultaneamente o tempo todo. Esses trechos são selecionados de modo a não haver repetição alguma durante 1000 anos. Ao fim desse milênio, tudo começa de novo, em um loop milenar. Por razões práticas, desde o começo, Longplayer tem sido executada apenas na forma digital. No entanto, segundo o Longplayer.org,

embora o computador seja um dispositivo barato e preciso no qual Longplayer pode ser executada, é importante — até mesmo para sua própria sobrevivência — que um meio fora do domínio digital seja encontrado. Para esse fim, um objetivo dos primeiros estágios do seu desenvolvimento tem sido pesquisar métodos alternativos de performance, incluindo versões mecânicas, não-elétricas e operadas por humanos.

Ainda segundo o site,

Longplayer surgiu de uma preocupação conceptual da representação e entendimento da fluidez e expansividade do tempo. Embora tenha encontrado forma como uma composição musical, isso também pode ser entendido como um processo vivo com 1000 anos de duração – uma forma de vida artificial programada para buscar suas próprias estratégias de sobrevivência. Mais que uma peça de música, Longplayer é um organismo social, dependente de pessoas — e da comunicação entre pessoas — para sua própria continuidade e existência enquanto comunidade de ouvintes ao longo dos séculos.

Quatro estratégias de sobrevência são propostas: o uso de uma radiofrequência globalmente dedicada, um dispositivo mecânico, um dispositivo computacional e, claro, a performance humana. Destas, apenas a performance humana já foi tentada: um trecho de 1000 minutos (16h40min) foi executado por diversas pessoas em 12 de setembro de 2009. Outra apresentação ao vivo, com três horas de duração, ocorreu durante a comemoração dos dez anos da música, em 31 de dezembro de 2009. Há planos para mais apresentações na Austrália ao longo de 2013 e nos Estados Unidos em 2014.

Embora ainda não tenham sido encontradas soluções extradigitais definitivas, a composição milenar pode ser ouvida em diversos locais do mundo. A primeira instalação foi feita no farol da Trinity Buoy Wharf, em Londres e na Brisbane Powerhouse em Queensland, Austrália. Ao longo da década, foram montados outros “pontos de audição” no Royal Observatory, também em Londres, no Orangery, em Nottinghamshire, no The Long Now Museum & Store em San Francisco e — talvez a locação mais emblemática — na nova Biblioteca de Alexandria, no Egito. Evidentemente, também há uma versão em livestream na internet.


0 comentário

Igor Santos · 23 de maio de 2012 às 10:13

Será que em mil anos evoluirá um culto ao Longplayer e o mundo verá surgir e se desenvolver um monastério baseado na música?
Alguma coisa no estilo Anathem?

A rocha que era pedra | 42. · 29 de maio de 2012 às 9:34

[…] seria possível criar um experimento de longa duração (ou uma instalação artística beeeeeeem longa), envolvendo milhares de toneladas de material e criar sua própria formação rochosa […]

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