O paradoxo do filme de terror

Charles está assistindo um filme de terror sobre uma terrível gosma verde. Ele se arrepia no seu assento enquanto a gosma espalha-se lenta porém inexoravelmente sobre a Terra, destruindo tudo em seu caminho. Logo uma cabeça gosmenta emerge da massa ondulante, com seus dois olhos maliciosos. Ganhando velocidade, a gosma Leia mais…

Margorie McCall, a moça enterrada duas vezes

Lugan, condado de Armagh, Irlanda do Norte, 1705. Margorie McCall morre após uma doença misteriosa e seu corpo é enterrado às pressas. Seu marido, John, era o médico da vila mas não conseguira salvar nem a esposa nem o valioso anel que ela levou para a cova em um de seus dedos. O Dr. John McCall até tentou remover a joia, mas o inchaço do corpo da esposa não lhe permitiu reaver o anel.

Como a Lugan fosse um lugar pequeno, todo mundo sabia do anel. Assim, a recém-finada Miss McCall era o alvo perfeito para os lúgubres ladrões de cemitério. Na mesma noite em que foi enterrada, antes mesmo que o solo se acomodasse, Margorie foi exumada. Os ladrões abriram o caixão, mas também não conseguiram puxar o anel da falecida. Eles estavam prestes a partir para a ignorância — cortar o dedo para levar o anel. Quando a lâmina da faca mutiladora encostou no dedo de Margorie, houve um grito. Três, na verdade.

O primeiro foi de Margorie, que levantou-se do caixão. Ela não estava morta, mas fora enterrada prematuramente. Os outros dois gritos, claro, foram dos ladrões. Assustados, eles teriam simplesmente fugido, jurando jamais voltar a violar túmulos (há quem diga que um deles morreu com o susto). Mal souberam que haviam salvo a esposa do Dr. McCall.

Margorie, por sua vez, também fugiu dali. Não tinha muita agilidade e não estava em seu melhor estado, mas logo percebeu que não precisava de muito esforço. Ela havia sido enterrada no cemitério atrás da Igreja. Sua família morava numa casa perto dali, do outro lado da praça. A Lua cheia lhe iluminava os passos.

Em casa, o Doutor John consolava os filhos quando ouviu batidas bem familiares na porta da frente. “Se Margorie estivesse viva”, pensou ele, “poderia jurar que é ela quem está batendo”. Ao abrir a porta, depara justamente com a esposa, em suas vestes fúnebres e com sangue a escorrer do dedo. Viva, inteira e com o anel.

Era inacreditável demais. O coração de John McCall não resistiu à ressurreição da esposa e o médico bateu as botas ao dar de cara com a ex-falecida esposa. Ele acabaria enterrado na mesma cova onde esteve a mulher.

De volta à vida, Margorie casou-se novamente e teve vários filhos além dos que já tinha. Quando finalmente faleceu, em idade avançada, foi pela segunda vez no mesmo cemitério. Em sua lápide, que já caiu e tornou-se ilegível, lia-se: Margorie McCall: Lived Once, Buried Twice. (mais…)

Poesia Cthulhu

http://scienceblogs.com.br/hypercubic/files/2013/07/Cthulhu_Rising_by_somniturne.jpg

Cthulhu Rising by somniturne (via mobground.net)

Para quem não sabe, os contos de horror cósmico de H. P. Lovecraft (1890-1937) retratam um mundo muito além da compreensão humana. Situado na tríplice fronteira do horror com a fantasia e a ficção científica, seu universo é governado por deuses com aparências capazes de perturbar qualquer mente sã. O primeiro destes contos foi “The Call of Cthulhu”, escrito em 1926 e publicado na Weird Tales de fevereiro de 1928. A Wikisource tem o texto na íntegra (em inglês, of course). O Chamado de Cthulhu é uma tradução para o português disponibilizada pelo Site Lovecraft [pdf em zip].

Mas e se, em vez de contos, Lovecraft tivesse contado a história de Cthulhu em versos? Em 2011, o americano David Jalajel fez de Lovecraft um poeta. Ou quase isso. No poema experimental Cthulhu on Lesbos [Cthulhu em Lesbos], Jalajel pega frases de The Call of Cthulhu e as arranja em cantos safados sáficos com pouca ou mesmo nenhuma consideração pela sintaxe convencional. Eis os primeiros versos, acompanhados de nossa tradução: (mais…)