Glossário de Termos Chave

Elaborado por Maurílio Bonora Junior, Mariene Ribeiro Amorim e Ana de Medeiros Arnt.

Anticorpo →

Famoso componente do sistema imunológico, os anticorpos são um grupo de proteínas com diversas funções relacionadas à defesa do nosso corpo. Podendo ser de diferente tipos e formas, no campo de uma infecção viral (como é o caso da COVID-19), a principal forma de atuação dos anticorpos vai ser a Neutralização, isso é, a ligação dos anticorpos à proteínas do vírus (como a Spike), impedindo essas proteínas de se ligarem a receptores nas nossas células (como o ACE2). Consequentemente, com esse impedimento o virús nao consegue infectar nossas células e se multiplicar.

Assintomático →
É a pessoa que, ao contrair uma infecção, não desenvolve quaisquer sintomas, mas ainda assim possui o agente patológico em seu corpo (como uma bactéria ou vírus), e dessa forma é capaz de transmiti-lo para outras pessoas de forma silenciosa. O grande problema desse tipo de caso é como tal indivíduo não sabe que está doente, ele não procura fazer algum teste de diagnóstico e continua sua vida normalmente, trabalhando, indo ao mercado, academia, far-mácia, shopping, festas, o que aumenta muito as chances de novas pesso-as se contaminarem. No caso específico da COVID-19, especula-se que o nível de infectados em alguns países como o Brasil seja muito mais alto do que o divulgado, mas por boa parte desses serem assintomáticos (ou possuírem sintomas muito brandos e dificilmente perceptíveis), eles estão escapando dos testes e das autoridades de saúde e assim contaminando mais pessoas, mesmo sem ter essa intenção. Especula-se isso pela porcentagem do número de mortes aqui ser muito mais alta do que no resto do mundo, o que indica que muitos casos assintomáticos não estão sendo testados e contabiliza-dos.
Contágio →
Nada mais é do que a transmissão de um patógeno de um organismo para outro. E nós estamos incluídos nisso. Essa transmissão pode ocorrer pelo ar como a gripe comum e a COVID-19, pela água, solo, sangue (como o HIV), por alimentos (em geral contaminados por água e solo), e até por outros animais, como a Dengue, Zika e Chikungunya. Especificamente, o “contágio” é a chamada transmissão direta do patógeno, que pode acontecer de duas formas: imediata e mediada. Na primeira há o contato direto do organismo infectado com o organismo não infectado, pelo toque, e isso leva a transmissão da doença. No segundo caso, o patógeno é transmitido via gotículas de saliva que ficam no ar e podem ser respiradas por outro organismo (não-infectado), que acaba se contaminando. Por fim, a transmissão indireta é aquela que usa quaisquer outros meios inanimados (como o solo, água, alimentos e fômites) e animados (como os pernilongos no caso da Dengue). Os fômites são quaisquer objetos inanimados (maçaneta, celular, chave, interruptor, talher, etc) que é capaz de reter e transportar patógenos (como vírus e bactérias), de um indivíduo para outro. Por isso é de suma importância lavar as mãos e não tocar o rosto quando se está em condições de epidemias e pandemias, pois caso toque em um fômite e depois em alguma mucosa do rosto (olhos, boca, nariz) o vírus que estava nele acaba passando para o organismo.
Fibrose →
É um processo fisiológico, muitas vezes vinculado ao processo de cicatrização interna de um ferimento, que leva a formação de um tecido diferente daquele que havia ali anteriormente. Exemplificando: quando nos cortamos, muitas vezes ficamos com uma cicatriz no lugar daquele corte se ele for muito fundo. Essa cicatriz, em geral não tem nem a cor nem textura da pele que existia ali antes. Isso acontece porque durante o processo de cicatrização houve um acúmulo de fibras de colágeno, que alterou a composição daquele tecido. Dessa forma, ao invés de ter sido produzido um epitélio (o tecido da pele), acaba se formando um tecido conjuntivo (um tipo de tecido mais “fibroso”, justamente por conter mais fibras de colágeno).
Imunidade de rebanho →
A imunidade de rebanho (ou imunidade coletiva) acontece quando uma grande porcentagem da população já está imune a um patógeno. Isso impede que pessoas infectadas contaminem pessoas não infectadas, simplesmente por esse indivíduo infectado estar rodeado (ou em um rebanho) de pessoas imunes que não são capazes de transmitir mais o patógeno, diminuindo a circulação deste dentro daquela população. Esse tipo de imunidade, ou resistência à infecção, pode ser atingida de duas formas: – via vacinação em massa da população – via a infecção natural das pessoas pelo patógeno (acompanhado de um custo altíssimo de vidas perdidas). Esse tipo de imunidade é muito importante para aquelas pessoas que não podem receber a vacina, por exemplo para indivíduos alérgicos à algum componente da vacina, pois a população vacinada (e dessa forma, imunizada contra o patógeno), serve como barreira que impede a transmissão e infecção do vírus nessas pessoas que não estão imunizadas. Contudo, como dito anteriormente, esse tipo de imunidade só acontece quando uma grande parte da população está imunizada (aproximadamente 95%).
Imunização →

É o efeito ou ato de gerar uma imunidade de longa duração contra uma doença infecciosa. Uma pessoa imunizada é aquela que possui anticorpos e células de memória que permitem que tal pessoa consiga combater mais facilmente uma infecção ao entrar em contato com ela uma segunda vez.

Há duas formas de se ocorrer a imunização: naturalmente, quando alguém adquire uma gripe ou outra doença infecciosa do ambiente, e artificialmente, via vacinas. Em ambas as situações, o sistema imune da pessoa trabalha para combater o patógeno ao mesmo tempo que estimula a formação de células de memória e anticorpos, um processo demorado que leva aproximadamente 10-12 dias. Nesse primeiro contato o corpo não se beneficiará dessas células de memória e anticorpos pois, em geral, 12 dias é o suficiente para o sistema imune combater uma infecção.

Contudo, em um segundo contato, essas células e anticorpos serão de grande importância, visto que eles auxiliam no combate ao patógeno, tornando todo o processo muito mais rápido e eficiente. É por causa disso que muitas vezes somos afetados por uma doença uma única vez e nunca mais, como a catapora.

Imunização Cruzada →
Também chamado de imunidade cruzada ou reação cruzada. É o processo que acontece quando um anticorpo produzido contra uma parte X de um patógeno, acaba se ligando a essa mesma parte em outro patógeno, diferente do primeiro mas ainda assim geneticamente parecido com ele. Dessa forma, o combate a esse segunda patógeno se dá de forma mais rápida e eficiente, pois além de montar uma resposta imune própria para esse segundo patógeno, ainda há os anticorpos prévios, que auxiliam no combate a ele. Esse fenômeno acontece, por exemplo, com os vírus do gênero betacoronavirus: os coronavírus humanos (HCoV) e o SARS-CoV-1. Alguns artigos demonstraram um certo nível de imunidade cruzada entre esses vírus e o SARS-CoV-2, causador da COVID-19.
Infecção →
É o processo que envolve a entrada, desenvolvimento e multiplicação de agentes infecciosos/patógenos (em sua maioria microorganismos vivos) no corpo de algum animal. Esses agentes infecciosos podem ser bactérias, vírus, protozoários e fungos. Quando a infecção gera manifestações clínicas, os chamados sintomas, ela é chamada de Doença Infecciosa. Em uma infecção, as células do sistema imune e vários componentes do plasma sanguíneo agem em conjunto para combater o patógeno, o que muito vezes leva a formação de pus, que nada mais é do que o resto de células imunes mortas. É importante não confundir infecção com inflamação. A infecção é causada especificamente por agentes biológicos vivos, enquanto a inflamação é a resposta imune do corpo contra algum agente, seja físico (como o corte de uma faca, o espinho de uma flor ou a torção de um tornozelo), químico (como um veneno ou toxina) ou biológico (aqui entram os agentes infecciosos). Em outras palavras, toda a infecção ocorre junto de uma inflamação, mas nem toda inflamação ocorre por causa de uma infecção.
Período ou Fase de Incubação →
Intervalo de tempo entre a infecção do corpo pelo patógeno até o começo da apresentação dos sintomas clínicos da doença.
Período ou Fase Infecciosa →

Intervalo de tempo em que o organismo é capaz de transmitir o patógeno para outros organismos, de forma direta ou indireta, e para o ambiente. Não coincide necessariamente com a fase sintomática, pois os sintomas podem aparecer só dias depois que a pessoa já está infectada e transmitindo o patógeno. Pode terminar um pouco antes do fim da fase sintomática.

Período ou Fase Pré-sintomática →
Intervalo de tempo em que o organismo já está infectado com o patógeno, já é capaz de transmiti-lo para outros organismo ou o ambiente, contudo, não está apresentando sintomas ainda.
Proteína ACE2 →
Também chamada de ECA2, é uma sigla para Enzima Conversora de Angiotensina 2, sendo na prática um receptor na membrana das nossas células que reconhece um hormônio (a angiotensina 2) e transforma ele em outra molécula. Referente a COVID-19, essa proteína ACE2 é utilizada como porta de entrada do SARS-CoV-2, estando presente em diversos tipos de células no nosso organismo.
Proteína Spike →

Também chamada de espícula ou espinho, é a proteína que dá a “carinha” dos coronavírus como um todo, criando a aparência de uma coroa nestes. No SARS-CoV-2, é a proteína utilizada como chave para entrar nas nossas células, sendo reconhecida pela proteína ACE2. Muitas das vacinas focaram em apresentar essa proteína ao nosso sistema imunológico para desenvolvermos uma resposta imune prévia contra o SARS-CoV-2.

Sintomático →

É a pessoa que entrou em contato com um patógeno (bactéria, fungo, protozoário, vírus) e desenvolveu os sintomas da doença. Quanto mais diferentes e específicos os sintomas, mais simples dos casos serem localizados, testados e contabilizados no número total de infectados para a doença. Já se os sintomas não são tão específicos, o rastreio e diagnóstico se torna mais complicado.

Especificamente para a COVID-19, os principais sintomas são: febre (que pode estar ausente em alguns casos), tosse seca e cansaço. Além destes, outro sintomas que também podem aparecer são: dor de garganta e de cabeça, perda de paladar e olfato, diarreia, coriza, conjuntivite, erupção cutânea na pele e descoloração dos dedos das mãos ou dos pés. 20% do casos pode desenvolver a forma séria da doença, que leva à dificuldade de respirar, falta de ar, insuficiência pulmonar, choque séptico, falência de órgãos e risco de morte.

Trombose →

Formação de coágulos que entopem um vaso sanguíneo e impede a circulação do sangue por ali. Esses coágulos nada mais são do que a forma sólida do sangue, formado pelos seus componentes sólidos (principalmente as plaquetas e hemácias).

Variantes →

Variantes de Interesse (VOI), é um termo destinado àquelas variantes de SARS-CoV-2 que possuem mutações as quais podem afetar a transmissão, o diagnóstico, métodos terapêuticos já conhecidos como a terapia com anticorpos monoclonais, e escapar da resposta imune. Pode ser responsável pelo aumento de casos em uma região, mas tem uma prevalência limitada nos países.

Variante de Preocupação (VOC), é um termo destinado àquelas variantes de SARS-CoV-2 cujas mutações já foram estudadas cientificamente, havendo evidências do aumento da transmissibilidade do vírus, do aumento do número de hospitalizações e óbitos, da redução significativa da neutralização de anticorpos gerados por infecção prévia ou vacinação, e redução da efetividade de tratamentos e vacinas. Pode não ser detectada em testes diagnósticos, sendo necessário alguns ajustes. As VOCs se espalham mais facilmente e podem se tornar prevalentes em regiões e países inteiros.

No presente momento, existem quatros Variantes de Preocupação: Alfa (surgida no Reino Unido), Beta (surgida na África do Sul), Gama (surgida em Manaus, no Brasil) e Delta (surgida na Índia).

Referências:

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