Garrafas, garrafas… briga de bar tamb√©m √© Ci√™ncia!

barfight.jpgImagine o seguinte: voc√™ est√° num bar, e de repente come√ßa uma confus√£o aqui, outra ali… e a pancadaria se torna generalizada.Quem j√° esteve nessa situa√ß√£o (como eu) sabe como uma cena (com “c” viu Sasha?) dessas √© assustadora… principalmente quando as cadeiras do lugar come√ßam a passar voando sobre a sua cabe√ßa.
Uma coisa que nos acostumamos a ver em filmes √© a cl√°ssica “cena da garrafada”. Um z√© qualquer pega uma garrafa e estilha√ßa na cabe√ßa do ser humano ou n√£o mais pr√≥ximo. Em filmes BEM toscos, geralmente o cara se d√° o direito de terminar a cerveja da garrafa que vai usar, antes de mand√°-la com tudo no cuco de algu√©m.
A√≠ voc√™s pensam “Certo, mas do que diabos voc√™ est√° falando? Briga de bar?”
Sim crianças, briga de bar! Mais especificamente, o estudo que comentarei hoje trata do estrago que uma garrafada bem dada pode causar na cabeça de quem a receber. E, claro, estou falando de mais um texto da nossa série IgNobel no RNAm!
ResearchBlogging.orgO trabalho publicado no periódico Journal of Forensic and Legal Medicine foi realizado na Suíça por uma equipe de pesquisadores especializados em Ciências Forenses. E ele trata justamente do estrago que uma garrafada bem dada pode causar na cabeça de quem a receber.
De acordo com os autores do trabalho (e de qualquer um que j√° tenha passado por um apuro desses num risca-facas da vida), quando uma garrafa √© usada como arma para golpear um oponente, podem acontecer duas situa√ß√Ķes b√°sicas: ela se quebra e d√° origem a um ferimento em forma de corte (que pode ser bastante profundo, dependendo do seu azar/sorte), ou, num caso pior, ela n√£o quebra e causa um s√©rio ferimento em forma de concuss√£o.
garrafa1.jpg
Pensando nessa diferen√ßa, os autores investigaram se garrafas de cerveja de 500 ml (humm… ler isso me deu sede) s√£o mais propensas a se quebrar quando est√£o cheias ou vazias. Na outra parte do trabalho, eles avaliaram se uma garrafada possui energia suficiente para causar uma fratura ao cr√Ęnio humano.
drop_tower4.jpgPara testar as propriedades de fratura das garrafas utilizadas, os suíços utilizaram um equipamento chamado torre de queda livre (tradução do termo em Inglês drop tower, corrijam-me se eu estiver errado), que você pode ver na imagem ao lado (a setinha branca mostra o local em que a esfera de metal fica armazenada antes de ser lançada na garrafa).
O experimento foi o seguinte: uma esfera de metal de 1kg foi lançada da torre de diferentes alturas (entre 2m e 4m) numa garrafa de cerveja com um molde de argila que simula a área de impacto de uma pancada com uma garrafa, distribuindo a energia do golpe igualmente. Os resultados, claro, foram analisados em seguida.
drop_tower3.jpg

Garrafa pronta para receber o impacto


As garrafas cheias se quebraram em impactos com 30 J (joules) de energia, enquanto as garrafas vazias precisaram de uma energia de 40 J para se partirem na queda. No entando, nas duas situa√ß√Ķes as quantidades de energia observadas s√£o suficientes para se fraturar um cr√Ęnio humano.
Sem grandes explica√ß√Ķes f√≠sicas, em todas as condi√ß√Ķes experimentais analisadas, foi constatado que as garrafas de cerveja podem fraturar gravemente o cr√Ęnio humano, servindo como instrumentos perigosos em qualquer disputa f√≠sica.
Conclus√£o do artigo: numa briga, tome MUITO cuidado se algu√©m tiver uma garrafa nas m√£os, e, principalmente, pense duas vezes antes de usar uma, agora que voc√™ sabe do estrago que o uso desse tipo de “arma” pode causar.
DanielPowell.jpgAli√°s, se voc√™ ainda n√£o se convenceu disso e quer continuar acreditando nos filmes de pancadaria, d√™ uma olhada na imagem ao lado, retirada de um artigo no site brit√Ęnico de not√≠cias Metro que descreveu um ataque que um adolescente sofreu de um grupo de imbecis.
Se voc√™ tinha alguma d√ļvida sobre o perigo que trazer uma garrafa pr√° uma briga pode ter, espero que tenha desaparecido agora… As minhas com certeza desapareceram.
Quanto ao m√©rito do artigo, entrou na categoria “OK, voc√™s demonstraram algo meio √≥bvio, n√£o acham?” ent√£o, como voc√™s j√° sabem: IgNobel pr√° eles!
Bolliger, S., Ross, S., Oesterhelweg, L., Thali, M., & Kneubuehl, B. (2009). Are full or empty beer bottles sturdier and does their fracture-threshold suffice to break the human skull? Journal of Forensic and Legal Medicine, 16 (3), 138-142 DOI: 10.1016/j.jflm.2008.07.013