Faça infográficos perfeitos para área de biomed

009
Mind the Graph

Aqui vai uma dica preciosa para quem quer fazer uma ciência mais bonita, mais descolada e mais design. E mais fácil e rápida de ser entendida também:

USE INFOGR√ĀFICOS!!!

Use nas apresenta√ß√Ķes, nos posteres em congressos, nas aulas, na tese e nos seus artigos cient√≠ficos tamb√©m. Economize o tempo das pessoas em entender e deixe o mundo mais bonito.

Se voc√™ √© da √°rea de biom√©dicas tenho uma dica melhor ainda: uma ferramenta online que tem todas as ilustra√ß√Ķes e templates que voc√™ precisa. √Č a Mind the Graph. Uma startup 100% nacional com uma qualidade excelente, v√°rios templates e milhares de ilustra√ß√Ķes altamente personaliz√°veis. Troque cores, estilos e formatos das c√©lulas, por exemplo.

O banco de imagens não pára de crescer, e aqui eu selecionei as que eu achei mais  interessantes.

Cientista em pose like a boss

like a boss science
Yeah, science!

Giardia, um cl√°ssico das aulas de biologia

Pesquise no google por PAREIDOLIA
Pesquise no google por PAREIDOLIA

CUIDADO! Isso é uma prensa!

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Ei! Isso t√° gelado!

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Olha o passarinho… er… quer dizer…

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Faça uma história em quadrinho

Usar coca√≠na causa euforia e poderes medi√ļnicos

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=ukJyP5np9fg” title=”Tutorial%20on%20how%20to%20create%20infographics%20for%20Life%20Science%20and%20Health.”]

 

Disclaimer: Eu já comi churrasco na casa do sócio do Mind the Graph, ou seja, sou seu amigo. E também escrevo para o blog da empresa. Se agora você desconfiou de mim, entre lá e dê uma olhada para tirar a prova.

Divertida MENTE, COC√Ēlorido e camisinhas brochantes

Neste epis√≥dio: Divertida MENTE, COC√Ēlorido e camisinhas brochantes.

Coc√ī e camisinha que se colorem quando detectam alguma doen√ßa. Bacana n√©? Ah, mas sei l√°, s√≥ sei que existe.

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=VoflVBNu4U0″]

 

Se n√£o acredita no que dissemos, √ďTIMO! Voc√™ aprendeu algo. Mas para provar, seguem as refer√™ncias:

Deixe seu filho ficar triste
http://vida-estilo.estadao.com.br/blo…

Conheça os vencedores desta edição do Prêmio Jovem Cientista
http://www.cnpq.br/web/guest/noticias…
/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/­2596513

Raymond Wang, Nicole Ticea Win Top Intel Science Fair Awards
http://www.huffingtonpost.ca/2015/05/…

Coc√ī colorido
http://www.echromi.com

http://mulher.uol.com.br/comportament…

Estudantes criam camisinha que muda de cor ao detectar doença sexualmente transmissível
http://oglobo.globo.com/sociedade/sau…

Pílula de glitter
https://br.noticias.yahoo.com/blogs/v…

Seja o dono de uma grande farmacêutica, seu porco capitalista!

Algumas das coisas mais odiadas no mundo atualmente:

As duas primeiras¬†n√£o precisamos explicar, mas √© da √ļltima que vamos falar aqui.

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=85I89ZrwIfU”]

 

Saiu um jogo de simula√ß√£o [tipo SimCity lembra?] chamado Big Pharma, que coloca o jogador no comando de uma dessas ind√ļstrias. Estas s√£o t√£o criticadas por tocarem¬†em uma l√≥gica meio absurda que traz desconfian√ßa nas pessoas: quanto mais doentes, quanto mais doen√ßas, melhor para os neg√≥cios.

Por isso pessoas se revoltam, gritam que essa ind√ļstria √© s√°dica;¬†que s√≥ trata doen√ßas de pessoas e pa√≠ses ricos; que usa pobres como cobaias; que sabota tratamentos naturais/alternativos/caseiros; e que faz rem√©dios que s√≥ servem para piorar as pessoas, como os quimioter√°picos, e faz√™-las comprar mais rem√©dios.

Essas acusa√ß√Ķes¬†s√£o verdadeiras? Assim como com a Dilma e o Fernando, nem todas. Quimioterapia n√£o √© feita para debilitar mais ainda o paciente, e a sabotagem n√£o √© t√£o conspirat√≥ria como se pensa, mas essas ind√ļstrias n√£o s√£o santas, claro.

A d√ļvida que o jogo traz √©: se essas pessoas que criticam estivessem no lugar do empres√°rio dono da ind√ļstria, o que fariam no lugar dele? Deixariam de lucrar com ricos para fazer rem√©dios baratos para pobres? Deixariam de sabotar seus concorrentes?

Bom, talvez só jogando para saber.

 

Vi no BoingBoing

 

Suco de inhame NÃO cura Dengue

dengue inhame mosquitoTem de tudo na internet sobre dengue. Até um velhinho adepto da Biocura (seja lá o que for isso), que fala que a dengue não vem do mosquito. E não vem mesmo, vem do vírus da dengue, e o moquito só leva o vírus pra lá e pra cá. Mas pra esse cidadão a dengue vem da prisão de ventre, acumulo de toxinas e blábláblá.

Sempre esse papo de toxinas acumuladas acumulando tudo.

Não vou por o link pra esse vídeo pra não dar audiência. Ao invés disso veja o meu vídeo sobre isso:

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=Ju83VwTP_00″]

 

Deu na Ana Maria Braga que pode funcionar e no programa Bem Estar que não funciona de jeito nenhum. Quem está certo? Ninguém, como sempre. Assista e veja o porquê.

Links:

Bem Estar: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/04/inhame-repelente-vitamina-b-veja-o-que-e-mito-e-verdade-sobre-dengue.html

Mais Você: http://gshow.globo.com/receitas/maisvoce/suco-contra-a-dengue-4ea7e64bc8157c31f4008808

Quer artigo científico? Então tome:
http://www.bioone.org/doi/abs/10.2987/8756-971X(2005)21%5B213:TVBAAH%5D2.0.CO;2

O que ninguém fala sobre a DENGUE

 

Eu sou um dos 3 campineiros que ainda n√£o pegou dengue.

Mas foi pura sorte, porque essa temporada foi pesada: 224,1 mil casos de dengue no país. Pode não ser um recorde nacional, afinal 2013 estava pior, mas em São Paulo a coisa tá feia. A quantidade de casos aqui é imensa.

S√£o paulo bateu recorde e olha s√≥, com muito caso aut√≥ctone, ou seja , transmitido aqui dentro mesmo. Ent√£o, paulistada, n√£o venham com esse papinho ‚Äúora meu, tudo que √© ruim vem de fora, mano, esses migrante e turista viu, v√ī falar.‚ÄĚ

Nãããão mulecada, culpa de SP sim! to achando até que o aedes é listrado preto e branco por ser curintia, mano. Bando de loco!

aedes

E Campinas é a cidade com maior quantidade de pessoas com dengue.

Que bom né, Campinas? A capitarrr do interiorrr é também a capitarrr nacionarrr do perrrnilongo!

Aí eu me pergunto: adianta campanha na TV? Eu acho que não funciona porque as pessoas não acham que o que passa lá é de verdade. Devem achar que tudo que está naquela tela brilhante é novela. Porque veja, tem campanha, tem notícia toda hora no jornal, tem vizinho E parente ficando doente, e ninguém tira a bunda do sofá e faz uma revista na casa pra ver se tem água parada! Afe…

Mas governo e mídia não ajudam também. Sempre a mesma ladainha de colocar uma subcelebridade num bairro de periferia genérico. Ora, quando é que uma celebridade (mesmo que sub) vai bater na minha casa pra virar pneu e limpar o quintal? Bem que estou precisando de uma força aqui.

Se não tá funcionando tem que mudar de estratégia!

Então aqui vão duas coisinhas que eu não vejo ninguém fazendo:

 

O quê ninguém fala sobre a DENGUE

 

1- Sair do comum para fazer as pessoas perceberem que o que passa no jornal interfere a vida delas. Entao: LEVANTA A BUNDA E VAI VER O SEU QUINTAL!!!, SUA CALHA ENTOPIDA, SEU VASINHO DE VIOLETA!

2- Vamos fazer um quiz aqui: em quem é mais urgente passar repelente?

  • em quem n√£o tem dengue, para prevenir,
  • em quem j√° est√° com dengue.

Tempoooo

 

Se respondeu uma ou outra vc est√° errado! Se tem repelente e tem pernilongo voando a sua volta, todo mundo tem que usar, idiotas!

Mas se respondeu a segunda você está menos errado. Bicho, o mosquito não nasce com a dengue, ele pega quando pica alguém doente. Então o doente é o foco da doença, e pode passar ela para vários mosquitos e cada mosquito para várias pessoas! Então é repelente nele!!!!

 

 

Quer multidisciplinaridade? V√° para √°reas da sa√ļde.

A ideia é juntar tudo

[Post patrocinado por¬†EducaEdu: Cursos Sa√ļde e Medicina]

A trans-inter-super-ultra-mega-blaster-multidisciplinaridade estána moda, certo? Todo mundo fala disso. Mas eu acho que a coisa ainda está muito mais no discurso do que na prática. O mundo ainda compensa mais as pessoas super-especializadas. Isso é o que eu acho, mas podemos discutir. Se não concorda ou me apóia, comente este post com sua idéia.

Apesar de n√£o ver isso na pr√°tica da pesquisa, pelo menos tenho visto algo parecido surgir em aulas da p√≥s-gradua√ß√£o. Ou pelo menos algumas. E vejo que a √°rea de sa√ļde √© a que tem estado na frente nesta multidisciplinaridade.

Dou alguns exemplos:

Como eu estou entrando na √°rea das neuroci√™ncias eu tenho feito disciplinas de p√≥s-gradua√ß√£o na psiquiatria da USP, e comecei por uma disciplina mais amistosa para mim, bi√≥logo que sou ‚Äď isto √©, com um ‚Äúmolecular‚ÄĚ ou ‚Äúgen√©tica‚ÄĚ no nome. Afinal, em estudos do c√Ęncer ou do c√©rebro, molecular √© molecular e gen√©tica √© gen√©tica. Elas s√£o ferramentas que podem ser aplicadas a muita coisa, e os termos, t√©cnicas e jarg√Ķes s√£o os mesmos. Come√ßando assim eu pude me sentir menos patinho feio dentro da psiquiatria.

Assim comecei com a disciplina Genética e Transtornos Psiquiátricos. Pode parecer bem clínico, mas no programa dava pra ver que abordaria conceitos básicos, indo de interação gene x ambiente, passando por estudos epidemiológicos, moleculares e até bioinformática e modelos animais.

Mas a multidisciplinaridade mais interessante n√£o estava no conte√ļdo das aulas, mas nos alunos que apareceram por l√°.

Havia biólogo (eu e não sei se mais algum), psicóloga clínica, um psiquiatra beeeem clínico mas interessado por pesquisa e epigenética, psiquiatra epidemiologista, e até um neurocirurgião!!!

Sério, eu nunca tinha conversado com um neurocirurgião. Para mim eles carregam um estigma de serem os seres mais inteligentes do mundo. Não que eu ache isso, mas parece que quando as pessoas pensam em uma profissão absurdamente difícil, pensam em neurocirurgião.

Claro que o cara era normal, bem gente boa, muito inteligente, principalmente uma intelig√™ncia bem t√©cnica, eu diria, mas nada fora do comum para um bom cirurgi√£o. E deu contribui√ß√Ķes fant√°sticas nas discuss√Ķes da aula. S√©rio, agora eu quero ter sempre um neurocirurgi√£o por perto pra conversar e tirar d√ļvidas.

Agora estou em outra disciplina, esta bem mais voltada para pesquisa, mas ainda sim temos certa diversidade com psiquiatras (na maioria), psicólogos e eu, o biólogo fora do nicho.

E foi muito legal contribuir para a discussão quando a conversa foi sobre o papel da evolução nas doenças psiquiátricas. Eu como biólogo pude ajudar com conceitos que para biólogos são banais, mas para médicos e psicólogo são mais distantes.

Estou gostando de estar nessa √°rea m√©dica ou de sa√ļde. Afinal eu tenho essa tend√™ncia generalista, de gostar de tudo, e vejo que h√° muita multidisciplinaridade por aqui. Claro que ainda faltam √°reas importantes entrarem na roda, como, no caso da psiquiatria, os psic√≥logos comportamentais, neurocientistas e pessoal do comportamento animal, entre outros.

Juro que isso tudo chegou a gerar uma certa inveja-boa da prática clínica. Mas ainda bem que passa rápido.

Por isso, se voc√™ √© um generalista como eu, gosta de interagir com v√°rias √°reas, e ainda n√£o sabe o que fazer da vida (vai prestar vestibular ou entrar em uma p√≥s-gradua√ß√£o), as √°reas da sa√ļde s√£o uma boa pedida.

Veja aqui as op√ß√Ķes do nosso parceiro EducaEdu em Cursos Sa√ļde e Medicina.

Hepatite C, desinformação e conscientização!

O que são as hepatites? Quem sabe o que é a hepatite C, como essa doença é contraída, quais são os sintomas? Quem sabe responder como é feito o diagnóstico da hepatice C e se existe tratamento em caso de contaminação?

Mais: quem de vocês, leitores, já fez um exame para saber se possui essa doença ou outra hepatite?

Algumas das perguntas acima s√£o parte de um panorama preocupante delimitado pelo Instituto Datafolha em uma pesquisa conduzida a pedido da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH). Os dados referentes √Äs respostas de 1137 pessoas de 11 regi√Ķes metropolitanas brasileiras¬†foram apresentados¬†hoje no XXI Brasileiro de Hepatologia realizado em Salvador (Bahia) e resumem a falta de conhecimento sobre o tema.

Apesar de a Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde considerar a hepatite causada pelo tipo C do v√≠rus a principal pandemia mundial, com aproximadamente 170 milh√Ķes de pessoas infectadas, mais da metade dos entrevistados (51%) n√£o soube definir “o que √© hepatite C” e a grande maioria (84%) n√£o fez um √ļnico teste para detectar a doen√ßa.

Considerando que a SBH estima que existam entre 3 e 4 milh√Ķes de brasileiros portadores do v√≠rus da¬†hepatite¬†C, melhorar o conhecimento de todos √© fundamental. Desse modo, aqui vai uma singela contribui√ß√£o acompanhada de um “pux√£o de orelha”:

O que s√£o hepatites?

As hepatites s√£o inflama√ß√Ķes do f√≠gado causadas por diversos fatores, desde gen√©ticos a uso de medicamentos ou, como √© o caso do motivador desse post, infec√ß√Ķes virais. No Brasil os v√≠rus causadores de hepatites mais comuns s√£o os tipos A, B e C, mas tamb√©m existem os v√≠rus D e E.

Como desconfio que posso estar infectado? Quais os principais sintomas e como é o exame para detecção?

Sem frescura que é só uma agulhinha!

Esse √© o grande problema: em geral, as hepatites s√£o doen√ßas silenciosas e geralmente quando os sintomas aparecem a doen√ßa j√° est√° em um est√°gio avan√ßado, sendo essa a import√Ęncia de se fazer exames regulares e evitar situa√ß√Ķes de cont√°gio. Alguns dos sintomas s√£o febre, dor abdominal, v√īmitos, fezes esbranqui√ßadas e urina escura, sendo que os dois √ļltimos s√£o um forte indicativo de problemas no f√≠gado.

A boa notícia: uma simples coleta de sangue já fornece material suficiente para realizar todos os exames de detecção!

Quais as causas de transmiss√£o?

Apesar de se associar rapidamente a hepatite C √†s demais doen√ßas sexualmente transmiss√≠veis (DSTs), fazer sexo sem prote√ß√£o com algu√©m infectado √© uma das formas mais raras de transmiss√£o, bem como em transfus√Ķes de sangue (ao contr√°rio do que ocorria a alguns anos). Claro que isso n√£o diminui EM NADA a import√Ęncia de se fazer sempre sexo seguro. Outro modo de cont√°gio √© a transmiss√£o de uma m√£e infectada durante a gravidez, mas o grande risco est√° no compartilhamento (consciente ou n√£o) de material para uso de drogas (como seringas e agulhas) e de higiene pessoal.

O material de higiene pessoal merece aten√ß√£o especial pois chegamos ao ponto em que n√£o existe mais a desculpa de um “grupo de risco”. Todos usamos esses materiais e precisamos ter cuidado de nunca compartilh√°-los.¬†Alguns exemplos:

  • L√Ęminas de barbear/depilar.
  • Alicates de unha e outros objetos cortantes ou que entrem em contato com regi√Ķes que possam ter sido cortadas por outro instrumento, como aquele palitinho usado por manicures ou o potinho de √°gua morna usado para “amaciar” as cut√≠culas.
  • Escovas de dentes.
  • Material para confec√ß√£o de tatuagem e coloca√ß√£o de piercings.

Os itens acima mostram uma verdade incontest√°vel: todos estamos vulner√°veis, por isso conhecer essa doen√ßa, suas formas de cont√°gio e preven√ß√£o √© essencial. Tamb√©m √© importante conscientizar crian√ßas e adolescentes sobre o fato, uma vez que as meninas iniciam suas visitas aos sal√Ķes de beleza cada vez mais cedo. Tatuagens e piercings tamb√©m t√™m se tornado mais comuns em gente mais nova, o que √© outro motivo de se conversar seriamente a respeito com que tenha vontade de fazer um dos dois.

Educar crianças e adolescentes sobre o risco de contrair essa doença é obrigação de todos os pais, mães, familiares e professores. Fazer o teste para saber se está saudável, também é!

Links interessantes:

Hepatice C no site do Minist√©rio da Sa√ļde¬†– http://www.aids.gov.br/pagina/hepatite-c

Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) com teste r√°pido para hepatites virais –¬†http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/page/2010/43925/cta_testerapido_hv_pdf_95624.pdf

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tratamentos virtuais, resultados reais.

Os avanços da tecnologia 3D, que atingiu seu ápice Рpor enquanto Рcom o mega blockbuster Avatar, de processadores e de resolução dos monitores trouxe um novo gás para o desenvolvimento de ambientes em realidade virtual.
Al√©m de ser o sonho de consumo de praticamente todo gamer que se preze, existem v√°rias iniciativas de uso dessas tecnologias em jogos direcionados √† redu√ß√£o da sensa√ß√£o de dor em diversos tratamentos m√©dicos. O conhecimento referente √† essa atividade foi agrupado e discutido no artigo “The effectiveness of virtual reality distraction for pain reduction: A systematic review”, de Kevin Malloy e Leonard Milling (University of Hartford), publicado em Dezembro de 2010 (cita√ß√£o completa no final do post).
Diminuir a dor √© importante n√£o pelo fato em si. Ningu√©m – bom, algumas pessoas sim – gosta de sentir dor, mas de acordo com um levantamento realizado nos EUA em 2003 com mais de 28 mil trabalhadores adultos entrevistados, o custo estimado de perda de tempo produtivo entre faltas e performance reduzida devido a epis√≥dios de dor √© de 61.2 bilh√Ķes de d√≥lares. S√£o bilh√Ķes de motivos para existirem pessoas dedicadas ao estudo de formas para se reduzir esse cen√°rio.
Com base em diversos estudos controlados, a revis√£o de Malloy e Milling encontrou casos de jogos virtuais de sucesso, como dois estudos de 2008 que avaliaram o jogo Snow World. A realidade virtual simula um ambiente muito gelado no qual o jogador √© inserido, e foi idealizado para auxiliar sess√Ķes de hidroterapia e trocas de curativos de pacientes com queimaduras graves, algo conhecidamente muito doloroso.

Games.jpg

Dois momentos dos games: tratando pacientes e criando doentes.
Ambos os estudos, realizados com pacientes de 3 a 40 anos, foram bem sucedidos em compara√ß√£o a outros m√©todos de distra√ß√£o, e o jogo tem sido usado para ajudar a recupera√ß√£o de soldados americanos queimados com sucesso. O v√≠deo abaixo √© uma mat√©ria sobre o jogo e seu uso nessa recupera√ß√£o:

Outros casos a se prestar atenção:
  • Dores causadas por pun√ß√Ķes ou acessos venosos: em estudos de 2004 e 2005, adultos e crian√ßas em quimioterapia mostraram redu√ß√£o significativa dos √≠ndices de dor quando jogavam Virtual Gorilla, em que o jogador √© um gorila em seu habitat. No entanto, outras distra√ß√Ķes (n√£o necessariamente realidade virtual) tiveram desempenho semelhante, de modo que o assunto se encontra em discuss√£o.
  • Coloca√ß√£o de acesso intravenoso: um estudo de 2006 realizado com crian√ßas utilizando o jogo Street Luge, de skate, trouxe resultados promissores, mas ainda inconclusivos.

O artigo comentado aborda utiliza√ß√Ķes bem sucedidas da tecnologia dos games, assunto recorrente no RNAm, e vai pr√° lista de argumentos contra os reclam√Ķes que s√≥ conseguem enxergar jogos como divers√£o, “perda de tempo” e coisa de moleque n√£o quer crescer.

Se quiser ver os outros exemplos discutidos pelo Rafael e por mim, visite:

Dica da @linagarrido ressucitada pela mat√©ria “A cura pela realidade virtual”, publicada em Mar√ßo de 2011 na Isto √Č Independente.

KM Malloya & LS Milling. The effectiveness of virtual reality distraction for pain reduction: A systematic review. Clinical Psychology Review. Vol. 30, Issue 8, Pag. 1011-1018 (2010).
doi:10.1016/j.cpr.2010.07.001

Protestar é legal, mas qual é o embasamento recente?

Recebi comentários criticando a campanha do Desafio 10:23 РHomeopatia: é feita de nada como um protesto fraco e que não provará nada. Também chegaram críticas de que ao menos nós do RNAm, como profissionais da área científica, deveríamos pensar em um modo mais confiável de refutar o funcionamento da homeopatia.

Agrade√ßo todas as sugest√Ķes, mas vou esclarecer alguns pontos relacionados √† homeopatia e ao Desafio 10:23:

  1. homeopathyoverdose.jpg“Voc√™s v√£o fazer um protesto s√≥ para tirar uma onda com a cara dos homeopatas?”: N√£o posso falar por todos os participantes, mas quem me conhece sabe que eu dificilmente sairia da cama num s√°bado de manh√£ sem um prop√≥sito maior. Al√©m disso, a ideia do protesto n√£o √© ridicularizar a pr√°tica homeop√°tica e sim chamar a aten√ß√£o da popula√ß√£o para algo que, apesar de carecer de confirma√ß√£o cient√≠fica rigorosa, em 2008 consumiu quase 3 milh√Ķes de reais em verbas do Minist√©rio da Sa√ļde. Para ser mais exato, de acordo com um comunicado do pr√≥prio minist√©rio foram R$ 2.953.480,00 (a √≠ntegra pode ser acessada em http://is.gd/OhdzmC).
  2. “N√£o encontrei nenhum tipo de padroniza√ß√£o: cada participante escolher√° o que tomar, quanto tomar e a √ļnica recomenda√ß√£o que encontrei foi comprar dilui√ß√Ķes a partir de 30C, que n√£o t√™m mais princ√≠pio ativo. Querem provar o que desse modo?”: Primeiro, o protesto n√£o prop√Ķe um experimento cient√≠fico e sim uma a√ß√£o de conscientiza√ß√£o. Segundo, a pr√≥pria homeopatia postula que maiores dilui√ß√Ķes t√™m como resultado efeitos amplificados (a tal “mem√≥ria da √°gua” que j√° foi refutada in√ļmeras vezes, dessa vez em condi√ß√Ķes de boa metodologia cient√≠fica). Considerando que qualquer “tratamento” m√©dico pode ser prejudicial em excesso, demonstrar a falta de efeitos colaterais ou qualquer outro tipo de resposta sinaliza para o que j√° se sabe, isto √©, os resultados homeop√°ticos s√£o derivados de influ√™ncias psicol√≥gicas nos pacientes – o famoso efeito placebo.
  3. “Ah, mas seria muito mais interessante e importante se voc√™s tentassem fazer uma manifesta√ß√£o na forma de um experimento controlado”: Novamente, a ideia do protesto √© conscientizar. Al√©m disso, em Ci√™ncia n√£o √© responsabilidade dos cr√≠ticos provar se algo funciona ou n√£o. Isso √© chamado √īnus da prova e na boa pr√°tica cient√≠fica, a responsabilidade de provar qualquer proposta √© sempre de quem a defende. A famosa frase de Carl Sagan “afirma√ß√Ķes extraordin√°rias exigem evid√™ncias extraordin√°rias” √© baseada nisso. Os homeopatas querem ser ci√™ncia? Ent√£o precisam mostrar seu valor dentro das boas pr√°ticas cient√≠ficas, como todos os alopatas e pesquisadores biom√©dicos s√£o obrigados a fazer.
  4. Ainda pensando em quem pede que os cientistas busquem provas que a homeopatia n√£o funciona: muitos j√° fazem isso, meu post anterior possui algumas refer√™ncias, mas se voc√™ considera artigos de 2005 um tipo de “pr√©-hist√≥ria acad√™mica”, deixo dois exemplos mais recentes abaixo.
  • Renckens, C. (2009). A Dutch View of the ”Science” of CAM 1986–2003 Evaluation & the Health Professions, 32 (4), 431-450 DOI: 10.1177/0163278709346815: Avalia√ß√£o do governo holand√™s sobre o subs√≠dio de medicinas alternativas no per√≠odo entre 1986 e 2003. Os poucos resultados satisfat√≥rios foram atribu√≠dos a pobres metodologias de an√°lise como a falta de grupos-controle tratados com placebo. Alguns estudos relataram resultados negativos. Esses dados culminaram na suspens√£o da verba governamental destinada a pr√°ticas complementares.
  • Nuhn, T., L√ľdtke, R., & Geraedts, M. (2010). Placebo effect sizes in homeopathic compared to conventional drugs – a systematic review of randomised controlled trials Homeopathy, 99 (1), 76-82 DOI: 10.1016/j.homp.2009.11.002: Esse estudo derrubou a hip√≥tese de que os ensaios testando a validade cl√≠nica da homeopatia falhavam por apresentarem grupos-controle tratados com placebo que retornavam efeitos maiores dos observados em ensaios cl√≠nicos alop√°ticos. A conclus√£o foi de que os grupos-controle tratados com placebo dos ensaios homeop√°ticos n√£o demonstraram efeitos maiores dos observados na medicina convencional.
Outros estudos podem ser encontrados em locais como o PubMed e outras bases de dados acadêmicos. Divirtam-se na pesquisa e não esqueçam:

1023-Brazil-300x205.png

Informa√ß√Ķes sobre a a√ß√£o em http://1023.haaan.com/

“Overdose homeop√°tica” Dia 5 de fevereiro tem Desafio 10:23!

No pr√≥ximo s√°bado acontecer√° o Desafio 10:23, um protesto que busca conscientizar o p√ļblico sobre o que a homeopatia realmente √©.

√Äs 10h23 da manh√£ do dia 5 de fevereiro, hor√°rio local, ativistas em mais de 10 pa√≠ses realizar√£o uma “overdose homeop√°tica” coletiva para demonstrar que:

1023-Brazil-300x205.pngHomeopatia – √Č feita de nada

A “overdose” ser√° registrada por fotos e filmes, sendo em seguida compartilhada em redes sociais como Twitter, Facebook, Orkut etc. pelos volunt√°rios e apoiadores. H√° alguns dias apoiadores, organizadores e volunt√°rios est√£o divulgando material relacionado √† campanha. Alguns deles s√£o:

Homeopatia não é feita de nada (Rainha Vermelha)

M√©dicos, CFM, homeopatia e imoralidades (U√īleo)

Para uma ideia diluída, o remédio é conhecimento concentrado. (RNAm)

Será que ele é? (RNAm)

Para saber como o protesto funciona, confira o vídeo abaixo!

A mídia também tem dado cobertura ao evento:

Céticos questionam a eficácia da homeopatia (Gazeta do Povo РPR)

Ativistas contra a homeopatia v√£o tomar “overdose” (Portal R7)

Ativistas contra a homeopatia v√£o tomar ‘overdose’ no pr√≥ximo s√°bado, 5 (Estad√£o.com.br)

Mais informa√ß√Ķes sobre a a√ß√£o em http://1023.haaan.com/