500 Mulheres Cientistas

Logo 500 Mulheres Cientistas. Retirado do site da organização.

O que acontece quando duas pesquisadoras de Boulder-Co nos Estados Unidos resolvem criar um manifesto convidando mulheres cientista a declarar apoio mútuo e à todas as minorias em favor da ciência para uma sociedade inclusiva, onde ciência e conhecimento possam ser abraçados e todos tenham a oportunidade de alcançar seu potencial? Elas esperam por 500 assinaturas (daí o nome 500 Mulheres Cientistas). E recebem 14 mil. 

 Os sentimentos de anti conhecimento e anti ciência expressos repetidamente durante a última eleição presidencial dos Estados Unidos foram os motivadores para Jane Zelikova e Kelly Ramirez que trabalhavam na área de ecologia e clima a criarem o manifesto e posteriormente a organização no final de 2016.

Fundadoras da organização. Imagem retirada do site 500 Women Scientists

Desde então, essa organização sem fins lucrativos cresceu. De um grupo local de amigas, atualmente conta com 15 líderes na organização, além de possuir mais de 300 capítulos espalhados por todo mundo por elas chamados de Pods. No Brasil, há 12 capítulos, distribuídos nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul. Pelo site da organização é possível pedir a participação em um capítulo ou iniciar a organização de um novo capítulo segundo as instruções das organizadoras. 

A organização oferece fellowships para reconhecer e amplificar o papel fundamental de mulheres de cor na ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). 

Localização dos capítulos regionais pelo mundo (pods). Imagem retirada do site 500 Women Scientists

A iniciativa mais famosa da 500 Mulheres Cientistas é a criação de uma base de dados com cientistas mulheres de todo mundo separadas por área de conhecimento e região geográfica. A ideia do projeto Requisite uma Cientista é evitar que as únicas vozes de cientistas ouvidas em conferências, workshops e entrevistas a jornais sejam masculinas. Muitas vezes mulheres não são convidadas a esses espaços, pois os organizadores dos eventos ou editores dizem não conhecerem mulheres qualificadas para tal. Com essa iniciativa não há mais espaço para esse tipo de justificativa.  Em 11 meses, 7500 mulheres cientistas de 133 diferentes países cadastraram-se para fazer parte da base de dados. Hoje a base conta com mais de 9000 cadastros. Pelo site é possível facilmente encontrar uma cientista de mais de 174 áreas de conhecimento ou se cadastrar para ser um recurso. A idéia é contar com a maior diversidade de mulheres possível, nos mais diversos níveis de formação profissional. Convido às jovens mulheres cientistas que leem nosso blog a fazer parte dessa base de dados (https://500womenscientists.org/request-a-scientist).

Informações sobre o número de páginas editadas e criadas na Wikipedia. Imagem retirado do site 500 Women Scientists

Wikipedia edit-a-thon é outra iniciativa promovida pela 500 Mulheres Cientistas que visa combater o viés sexista em páginas de enciclopédia livre na internet. Marie Curie é uma das mulheres cientistas mais famosas, mas sua primeira página na Wikipedia era na verdade uma sessão na página do seu marido. Eventos organizados em bibliotecas públicas de diversas cidades contam com mulheres cientistas que fazem uma maratona para criar ou editar páginas de mulheres cientistas esquecidas pela história, ampliando assim nosso repertório de representatividade. 

Guia para reuniões científicas inclusivas. Imagem retirada do site 500 Women Scientists

O site conta ainda com recursos para cientistas mães, assim como oferece um guia para organizadores de reuniões científicas organizarem eventos mais inclusivos.

500 Mulheres Cientistas é um exemplo de como pequenas ideias pensadas por um grupo de amigas podem causar grande impacto e serem terreno para transformações locais e globais. Convido todos a conhecerem essa organização e participarem de suas ações. 

Site: https://500womenscientists.org

Manifesto original em português: https://500womenscientists.org/portugues-nosso-compromisso

 

Bióloga formada pela Unicamp em 2010 e doutora na área de Biologia Celular e Estrutural em 2016. Atualmente trabalho na Universidade do Colorado em Denver-USA, onde desenvolvo pesquisa de pós-doutorado. Apaixonada pela ciência, assim como pelo alcance das mulheres à equidade. Com o desejo que todos vejam a ciência pelos olhos delas.

Sobre Marina Barreto Felisbino 13 Artigos
Bióloga formada pela Unicamp em 2010 e doutora na área de Biologia Celular e Estrutural em 2016. Atualmente trabalho na Universidade do Colorado em Denver-USA, onde desenvolvo pesquisa de pós-doutorado. Apaixonada pela ciência, assim como pelo alcance das mulheres à equidade. Com o desejo que todos vejam a ciência pelos olhos delas.

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