AGRICULTURA ORGÂNICA: de volta para o passado ou rumo ao futuro?

Com o início da agricultura, há aproximadamente 12 mil anos, o homem começou a produzir seu próprio alimento e foi aprimorando a maneira de cultivá-lo até os dias atuais. Um marco importante para a agricultura moderna foi o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando o mundo se viu em uma grande escassez de alimentos e houve a necessidade de utilizar produtos químicos, como defensivos agrícolas ou AGROTÓXICOS, na conhecida “Revolução Verde”.

O uso desses produtos de fato aumentou a capacidade de produção de alimentos, mas o uso indiscriminado e incorreto deles levou a um grande desequilíbrio ambiental. Vale lembrar que o uso de defensivos químicos de maneira correta auxilia a agricultura, principalmente em grandes culturas como soja, milho, batata, entre outras. O problema está no uso incorreto desses produtos, ou ainda o uso de defensivos não autorizados por agências regulatórias, que podem afetar o ambiente e causar danos à saúde.

Embora o uso de defensivos seja uma prática corriqueira na agricultura, atualmente, existe uma crescente demanda por alta produtividade utilizando tecnologias mais sustentáveis, visando impactos mínimos ao meio ambiente. Algumas dessas tecnologias são utilizadas pela AGRICULTURA ORGÂNICA, que tem a  preocupação de reduzir ao máximo os resíduos deixados  por defensivos no meio ambiente  e nos alimentos.

O que são produtos orgânicos?

Conforme a legislação brasileira (Lei 10.831/2003 e Decreto Nº 6.323/2007), produtos orgânicos são todos aqueles obtidos por meio de em um sistema orgânico de produção agropecuária ou oriundo de processo extrativista sustentável e não prejudicial ao meio ambiente. Para a comercialização eles devem ser certificados por órgãos credenciados no Ministério da Agricultura (MAPA).

A produção orgânica NÃO utiliza agrotóxicos, fertilizantes sintéticos e organismos geneticamente modificados em nenhuma fase dos processos de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização.

 É possível a produção de orgânicos em larga escala?

SIM, é possível! Porém para essa produção é necessário um maior conhecimento sobre a cultura, suas doenças e pragas, pois na agricultura orgânica a maioria das ações é PREVENTIVA, evitando assim perdas no campo.

Como controlar doenças e pragas?

Como não podem ser utilizados agrotóxicos e nem plantas geneticamente modificadas na agricultura orgânica, são necessárias alternativas no manejo de doenças e pragas.

E é nesse momento que o CONHECIMENTO e a PESQUISA entram! Vários trabalhos demonstram que é possível utilizar inimigos naturais de maneira eficiente para o controle de patógenos e pragas. Além disso, são utilizados microrganismos fixadores de nitrogênio, pó de rocha, minhocultura e compostagens a base de resíduos vegetais e animais como fonte de nutrientes para as plantas, ao invés dos fertilizantes químicos.

Aqui mesmo no Descascando já falamos sobre a utilização de inimigos naturais, como parasitoides, fungos e bactérias para o controle de doenças e pragas agronômicas.

Passado ou futuro?

Definitivamente estamos rumo ao FUTURO, mas tentando resgatar o equilíbrio do PASSADO!

A produção de defensivos biológicos para controle de doenças e pragas cresce por volta de 25% ao ano no Brasil, sendo este um mercado atrativo e que movimentou R$ 464,5 milhões em 2018. O crescimento do mercado brasileiro de defensivos biológicos segue uma tendência mundial de redução do uso de agrotóxicos, visando uma agricultura mais sustentável.

Produtores podem adquirir produtos registrados para o uso na agricultura orgânica, em cooperativas e centros de distribuição e venda, sendo que, atualmente existem mais de 200 produtos registrados no mercado brasileiro. Esses produtos são registrados por alvo biológico e não por cultura, portanto, podem ser utilizados em todas as culturas (confira a lista de produtos na ABCBio ou na Agrofit).

No Brasil está crescendo a multiplicação de bactérias “on farm”, que nada mais é que multiplicar microrganismos benéficos na própria fazenda, em tanques de multiplicação ou biorreatores, similares aos utilizados no processo de pasteurização de leite. A produção “on farm” possui algumas vantagens como diminuir os custos de produção e estimular o uso de microrganismos, substituindo os agrotóxicos.  Sua principal desvantagem é a possível contaminação com bactérias indesejadas no processo, para as quais o Brasil ainda não possui fiscalização.

Produtos orgânicos podem ser encontrados em mercados, feiras ou direto com o produtor, porém lembre-se de verificar se eles estão certificados por órgãos credenciados! Sua saúde agradece e o meio ambiente também!!!

Escrito por Tatiane Cunha

Um blog que vai te informar sobre a ciência feita na área agrícola.

Equipe: Laís Granato, Paulo Camargo, Diogo Galdeano, Raquel Caserta, Nágela Sáfady, Francisco Henrique, Tatiane Cunha, Amanda Bernardi, Paula Martins, Caléo Almeida, Jean Paulino.

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