Biocombustíveis

Etanol, biocombustíveis, álcool são as palavras do momento, principalmente com a visita do Presidente dos EUA a São Paulo. Não se lê outra coisa nos jornais, não se fala de outro assunto nos noticiários, mas afinal isso é mesmo bom para o Brasil? Para o meio ambiente?

Li e assisti várias notícias sobre o assunto e cheguei à conclusão que exportar álcool é bom para a balança comercial brasileira, para a economia e coisas afins, mas alguém acredita que a vida dos brasileiros vai melhorar muito com a exportação do álcool? De verdade eu duvido…

Você tem alguma dúvida que os usineiros vão continuar podres de rico? E que a vida do cortador de cana não vai mudar muito exportando ou não o álcool? Fala-se, fala-se da diminuição das taxas americanas para o álcool brasileiro, do incentivo ao uso dos biocombustíveis, mas está todo mundo se esquecendo da sustentabilidade da produção do álcool, não é novidade para ninguém que a grande maioria da colheita da cana é feita com queimadas (!!), que não uma, mas várias vezes, plantações, usinas de cana e afins já foram acusadas por utilizar trabalho escravo.

É lógico que todos envolvidos afirmam sem pestanejar que para aumentar a produção de álcool no Brasil não é preciso derrubar mais uma árvore, quem diria ao contrário em tempos de aquecimento global e um “pequeno” desespero da humanidade em plantar árvores? Lembre-se, estamos no Brasil, quem vai fiscalizar isso de fato?

Os países até hoje grandes fornecedores de energia (leia-se petróleo), quais e quantos conseguiram sair da condição de países em desenvolvimento e se tornaram de fato, desenvolvidos? Vide países membros da Opep.

Gente, eu não sou contra os biocombustíveis, etanol e afins, só acho que não podemos esquecer desses fatos antes de proclamarmos aos quatro ventos que a solução dos problemas de crescimento do Brasil, do aquecimento global serão resolvidos com a tecnologia brasileira de biocombustíveis e um acordo com os EUA. Antes de tudo sou a favor da sustentabilidade e qualquer solução que se pense para os problemas não devemos, nem podemos, esquecer de pensar no desenvolvimento sustentável. De que adianta uma energia limpa, um combustível renovável se a sua produção não for sustentável? Se utiliza mão de obra escrava, polui e não tem nenhuma responsabilidade socioambiental?

O principal desafio dos biocombustíveis no Brasil está em fazer uma industria exportadora, ao mesmo tempo sustentável, distribuidora de renda e capaz de dar conta da demanda que virá do mercado internacional.

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One comment

  • Silvia D. Schiros
    12 de março de 2007 - 17:14 | Permalink

    Claudia, esses teus questionamentos são o caminho. Comecei a me perguntar se o etanol é realmente “ecológico”, como gostam de pregar por aí, ao ler esta matéria:http://www.jornaldomeioambiente.com.br/JMA-index_noticias.asp?id=12341

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