Linha de produtos “eco”

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Já respondeu? Agora eu vou dizer o que eu penso. Num primeiro momento as duas coisas.

Quando eu leio por ai que tal marca tá lançando um celular dito ecológico, ou tal empresa tem agora uma linha de sapatos eco, ou então agora você pode comprar tal produto em versão eco eu penso: Só falta também dizer que é sustentável… Ou… Olha ai eles querendo se aproveitar da moda verde… Ou então – Huumm, tá, sei, eco por que?

Ai geralmente eles tentam explicar por que são “verdes”, geralmente não me convencem, e me pergunto sempre: mas por que só tem que economizar água pra fazer esse produto? Ou por que a matéria-prima reciclada ou renovável só pode usar nesse produto? Ou ainda: Por que raios os elementos químicos com alto potencial cancerígeno só foram eliminados dessa linha? E etc etc etc. Se é possível fazer todas essas modificações para esses produtos por que não fazem isso pra toda a linha de produtos da empresa? Não vai ser melhor pra todo mundo?

Acho ridícula a empresa que lança uma linha de produtos eco com diferenciais que poderiam ser adotados em todos os produtos da linha, isso é usar o termo verde, eco, sustentável e o que mais for de forma marketeira e como se fosse moda. É mais ou menos como se a moda agora fosse tudo ser xadrez e eu lanço uma linha de produtos xadrez, depois que essa fase passar eu paro de produzir xadrez e continuo tudo como sempre foi. Isso só demonstra que a preocupação da empresa é parecer e não ser eco, verde ou sustentável.

Mas eu também penso: Que legal! Nos casos que eu percebo que a empresa trabalhou para desenvolver alguma coisa diferenciada (nem que seja só uma linha de produtos), pois se ela teve esse trabalho e gastou algum tempo e/ou dinheiro com isso ela pode perceber em algum momento que aquilo pode ser replicado para as outras linhas também, que não precisa se restringir ao que é eco. Desenvolver uma linha diferenciada com apelo ecológico acredito eu pode e deveria abrir a mente das pessoas para que elas percebam que as coisas podem ser feitas de um jeito diferente a todo momento e todo mundo pode ganhar com isso.

Algumas empresas conseguem fazer isso de forma bem interessante, sem apelação, por exemplo, desenvolvendo produtos novos mais eficientes, econômicos sem usar o rótulo de ecológico e no fundo esse rótulo poderia até ser usado sem problemas, são nesses casos que a empresa consegue se reinventar de verdade e é possível perceber que ela tá trilhando um caminho mais consistente para a sustentabilidade.

11 Comments

  • 8 de agosto de 2009 - 22:28 | Permalink

    Fiz um post sobre o assunto no meu blog também.. além de abordar por alto o que você falou, acho que o problema é ainda maior quando analisamos o objetivo desse produto, que na verdade surge para incrementar o consumo já absurdo da sociedade que se deixa levar facilmente pela moda.
    Agora será que devemos incentiver essa moda? Ou deixar que ela passe?

  • rafael
    9 de agosto de 2009 - 23:02 | Permalink

    Também acho que uma empresa que lança uma linha de produtos eco a essa altura está tentando se aproveitar, mas dou atenção a um detalhe:
    * As que migram primeiro estão realmente interessadas no assunto, são empresas realmente modernas
    * As que migram no meio do hype, como agora, são oportunistas
    * As que migram por ultimo são mais maduras e atingiram a consciência das primeiras agora, demoraram, porém, são mais comprometidas a longo prazo
    Agora fica a dúvida. O q fazer?

  • 10 de agosto de 2009 - 12:27 | Permalink

    Eu fico com o pé atrás. Tento analisar se é eco de verdade ou só maquiagem verde. Mas ainda não descobri a fórmula para afirmar com certeza se um produto é ou não eco de fato.

  • Wendell
    11 de agosto de 2009 - 10:28 | Permalink

    O pior produto “eco” são os eco-resorts. Veja só a notícia abaixo:
    “Rio quer construir resorts em áreas de proteção ambiental. Novo Plano Diretor atinge Marapendi e Grumari. A prefeitura do Rio estuda uma mudança na legislação que poderá permitir a construção de até 11 eco resorts em áreas de proteção ambiental na orla. Os terrenos são privados, cada resort teria 200 suítes e os lotes seriam vendidos separadamente, para financiar a construção, o que hoje não é permitido. “Trata-se de uma área controlada que merece todo o cuidado, mas temos de levar algum tipo de situação econômica para dar sustentabilidade, senão o proprietário abandona”, argumentou o secretário municipal de Urbanismo. Segundo ele, o empreendimento começaria na Área de Proteção Ambiental (APA) da Restinga de Marapendi e poderia ser estendido, até a APA de Grumari, um dos últimos refúgios de restinga do Rio.”

  • 21 de agosto de 2009 - 01:00 | Permalink

    Cláudia,
    Sinceramente, quanto mais penso no assunto, mais me parece que os termos “empresa” e “sustentável” são completamente irreconciliáveis. Desculpe-me bater na mesma tecla e parecer extremista, mas qualquer instituição que incentive o consumo nos moldes capitalistas me parece insustentável. Discutir a possibilidade de deter ou reverter as mudanças globais sem questionar o consumismo está na mesma linha dos que não questionam o absurdo tamanho da população humana e por aí vai.

  • 21 de agosto de 2009 - 10:19 | Permalink

    Concordo com vc Ítalo. Mas vc tem q concordar que o consumo nao vai mudar do dia pra noite, as coisas sao lentas e de alguma forma o q acontece hj é um processo para o q deverá ser no futuro. Na real temos que mudar a base de tudo isso, o modelo economico, mas enqto isso acontece a passos de formiga a gente tem q questionar o q vem acontecendo paralelamente. E de verdade todo mundo quer mudar sem ter q mudar nada, infelizmente…

  • 21 de agosto de 2009 - 12:06 | Permalink

    Cláudia,
    Sem dúvida, as mudanças, se ocorrerem, serão provavelmente muito lentas e deverão começar quase imperceptivelmente. Minha grande preocupação é que as empresas espertamente utilizam de subterfúgios midiáticos e manipulação propagandística para passar a imagem de que “estão preocupadas”, e poucos estão chamando a atenção para a grande culpa do consumo na situação atual. Mas como você mesma disse, ninguém quer mudar nada, verdadeiramente, e as empresas vingam porque há consumidores. É muito difícil.

  • Ivan Valdetaro
    27 de agosto de 2009 - 09:03 | Permalink

    Cláudia
    É realmente dificil separa o joio do trigo, mas acho que temos que dar um crédito de confiança (com um pé atras)á estas empresas. Só apoiando ações deste tipo é que vamos direcionar as mudanças necessárias . Agora temos que ficar atentos e denunciar aquelas empresas que se aproveitam da “onda verde ” para se dar bem e só fazer maquiagem nos produtos. Um outro ponto importante é diferenciar consumo de consumismo. Se você compra, ou troca alguma coisa ou algum serviço com alguem você está consumindo.
    Consumismo é comprar por comprar, compulsivamente e sem se importar com as consequencias.

  • 15 de janeiro de 2010 - 17:38 | Permalink

    Muito interessante seu ponto de vista Claudia, e concordo. Fiquei pensando na separação do que é ou não um produto eco que muitos comentaram… Mas creio até ser fácil distinguir se perguntando: este produto é necessário? ele realmente faz diferença? por exemplo: um carro c/ catalisador “limpo” mas fabricado c/ plástico entre outras peças (atenção ao modo de extração dessas matérias), etc.
    E acredito que quando ele é “eco” de verdade, ele não vem com esse rótulo, ele apenas é. E aí vai do consumidor compreender o que realmente é eco…

  • Elaine Colares
    25 de março de 2010 - 01:37 | Permalink

    Desenvolver produtos ecossustentáveis é uma tendência do mercado, e uma tendência de consumo da humanidade. O fato de se ter “linhas de produtos eco” e produtos “não-eco”, nao quer dizer que você pode optar por “ajudar” ou não a preservar o meio-ambiente. A verdade é que durante muitos e muitos anos, a indústria vem produzindo produtos sem se preocupar com aquilo que aprendemos desde crianças: preservar os bens não-renováveis, os quais, mesmo crescendo ouvindo isso no colégio, não preservamos da forma adequada. Mudar não é fácil, nem rápido e nem simples. Sim, há muitas empresas que se aproveiam da “onda verde” para se lançar como sustentável, estar “na moda”, como foi dito acima. Mas é necessário dar crédito às empresas que estão realmente engajadas em desenvolver produtos realmente ecossustentáveis, que se preocupam desde o processo de produção deste produto, até o tipo que de consumo ou descarte que este produto pode gerar.

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