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Entre o fim do século 19 e o começo do século 20, há pouco mais de 100 anos, a eletricidade ainda era uma novidade e havia muito debate sobre como ela deveria ser gerada e distribuída. Quanto à distribuição, por exemplo, não havia dúvidas em usar correntes de alta tensão. Mas havia, especialmente nos Estados Unidos, uma grande controvérsia sobre o tipo de corrente mais adequado à transmissão de energia por longas distâncias.

GÊNIOS EM PÉ DE GUERRA

Há dois tipos de corrente elétrica: a corrente alternada (AC, em inglês) e a corrente contínua (DC, ou corrente direta, em inglês). Os debates nos Estados Unidos envolveram gente grande e foram muito acalorados. Thomas Edison era um ferrenho defensor da corrente contínua. No outro lado do ringue, lutando pela corrente alternada,  estava o seu descobridor – Nikola Tesla – apoiado pela primeira grande companhia elétrica do mundo – a Westinghouse.

Thomas_Edison N.Tesla

Edison (à esq.) vivia em pé de guerra com Tesla (à dir.), que saiu de sua companhia, a General Electric, para trabalhar com seu arqui-inimigo, Westinghouse.

Hoje pode parecer uma disputa bastante inofensiva, mas a coisa foi mais feia do que se pode imaginar. Edison acreditava que a AC era perigosa demais para estar à disposição do público. Para conquistar corações e mentes para a corrente contínua, o Gênio da Lâmpada Elétrica eletrocutava cães e gatos de rua usando corrente alternada. Depois das demonstrações, ele dizia que os animais tinham sido “Westinghoused” (algo como “westinghousados”).

Além disso, em 1890, Edison financiou – secretamente – a primeira cadeira elétrica, que funcionava em AC. Os técnicos responsáveis pela primeira execução não acertaram a voltagem da primeira corrente e o condenado sofreu graves ferimentos, mas sobreviveu. Em seguida ele foi morto numa nova tentativa, desta vez “bem sucedida”. Segundo uma testemunha da primeira execução elétrica, aquilo “foi um espetáculo terrível, muito pior que o enforcamento.”

UMA ELEFANTA SEM SORTE

Mais ou menos na mesma época havia um grande e famoso  parque de diversões em Coney Island, na cidade de Nova York. Uma das maiores – literalmente – atrações de lá era uma elefanta do circo local. Entretanto, Topsy (esse era o nome dela) estava no lugar errado e na hora errada. E fazendo coisas erradas também. Depois de matar três homens em três anos seguidos, Topsy foi condenada à morte. Por razões óbvias, o enforcamento estava fora de questão.

Thomas Edison sugeriu que fosse aplicada uma corrente – alternada, é claro – de 6.600 volts pela condenada. Então, em 4 de janeiro de 1903, cerca de 1500 pessoas compareceram ao parque de diversões para acompanhar a execução. Primeiro, Topsy recebeu sua última refeição: cenouras com 460 gramas de cianeto de potássio (para facilitar a passagem da corrente pela pobre paquiderme). Em seguida ela foi “westinghousada”. Topsy morreu rapidamente e Edison filmou todo o espetáculo. O curta “Eletrocutando um Elefante” foi exibido por Edison através de toda a América.

Os esforços de Edison e o sacrifício de Topsy foram inúteis, porém. Ele perdeu sua guerra pela corrente contínua. Pelo menos houve certa justiça nessa derrota.


0 comentário

reginasabaine · 13 de agosto de 2009 às 17:59

>Oi Renato!!Voce sabe que eu gosto muito do seu estilo de escrever.E, agora com esse blog temos a oportunidade de estar sempre em contato com as suas ideias, sempre coerentes e interessantes.São as novas ferramentas tecnológicas que nos colocam frente a oportunidades nunca imaginadas.Escrever bem exige prática constante e gosto pela leitura,e isso não lhe falta.E´ certo,que será bem sucedido na sua empreitada.Um grande abraço!Regina Sabaine

Hugo · 27 de julho de 2013 às 22:21

Vim pelo link do último “patentes patéticas”. Gostei muito do post!!

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