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Apesar do acordo com o pai, as coisas só pioravam na vida de Thomas Alva Edison Junior. A venda do “Magno-Electric Vitalizer” foi proibida em 1904, após ser considerada fraudulenta pelo U.S. Postal Service. A Thomas A. Edison Junior Chemical Company, que comercializava o produto e estava sendo processada pelo Edison-pai, acabou falindo rapidamente. Em uma entrevista para o New York American, Edison Sr. fez duras críticas a Junior, especialmente por sua falta de habilidade nos negócios, sua ingenuidade e sua educação incompleta.
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Anúncio do Magno-Electro Vitalizer: Thomas Alva Edison Junior acreditava no poder da cura
pela eletricidade (e via nobreza nisso). Para o pai, isso era puro charlatanismo.
Embora ajudasse, a pensão que Tom Jr. recebia do pai para não se meter em encrencas financeiras era bastante modesta — cerca de 50 dólares por mês. Junior tinha acabado de se casar novamente (com uma enfermeira que cuidara dele durante um colapso nervoso) e lutava para pagar as despesas. Seus problemas, porém, foram agravados pelo alcoolismo, o que levou a uma briga feia com um Edison Sr. O pai estava desesperado com a falta de rumo do filho, mas apesar da genialidade, não sabia como tratá-lo. Foi o fim da tênue relação entre pai e filho e dois jamais voltaram a se falar.
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Um recibo da pensão: Junior recebia mesada para não criar mais empresas com o próprio nome. Mas
a relação com o pai só iria piorar.
Por volta de 1915, Thomas Junior parecia mais perdido do que nunca. Ele morava numa chácara com a esposa, Beatrice Heyzer, onde produzia peras. Nessa época, Thomas Sr. estava interessado em automóveis (elétricos, é claro) e expandia os negócios para o ramo de autopeças. Seus planos para baterias especiais para carros elétricos eram ambiciosos — tanto quanto os de “Dash”, que também decidiu fazer fortuna na nova indústria. Afinal, pensava ele, não seria possível superar o pai plantando peras.
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Em um raro momento juntos, os Edisons posam em um carro elétrico. Quando Edison Sr. se interessou
pelo setor automotivo, Junior seguiu-o, para tentar superá-lo.
Junior tentou chamar a atenção de Henry Ford, um grande amigo do pai. Ele vivia correndo atrás de Ford para conseguir velas elétricas e outras peças para uma nova invenção que, ele dizia, “espero que possa provar ser de benefícios mútuos para nós dois.” Por volta de 1919, as esposa de Thomas Junior escrevia aos familiares e amigos (Ford, inclusive) sobre as condições cada vez piores do marido: “Dash” sofria com severas dores de cabeça e uma depressão que o deixava incapacitado. Isso atrasou, mas não impediu Tom Junior de ir em frente e apresentar, em 1921, a tal invenção revolucionária: era o “Econômetro”. Segundo a orgulhosa descrição do inventor, a novidade, quando anexada ao carburador de um carro, aumentaria a eficiência dos combustíveis de 20 a 50%. Após passar anos trabalhando duro na ideia, Edison Jr. tentou vendê-la a Ford, para que ele instalasse Econômetros em todos os seus carros.
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O “revolucionário” Econômetro de Edison Junior: o acessório prometia economia
de combustível de até 50% e foi oferecido a Ford.
Ford encontrou-se numa situação incômoda. Ele não queria brigar com Thomas Sr. (que não acreditava na geringonça), mas também não queria desagradar “Dash”. Então, ele convenceu seus técnicos a submeter os Econômetro a uma série de testes. E até mesmo emprestou 1,2 milhão de dólares a Thomas Jr. para a criação da Ecometer Manufacturing Company [Companhia de Produção de Econômetros]. Infelizmente, a invenção não funcionava e Ford não teve escolha a não ser rejeitá-la (e retomar o milhão emprestado, obviamente).
O fiasco do Econômetro arrasou completamente Edison Jr, que já era inseguro. Ele e a esposa ainda tentaram vender o acessório a outras montadoras, mas todas recusaram. Junior afundou ainda mais em uma espiral descendente de depressão e alcoolismo. Quando Thomas Alva Edi
son Sr. morreu em 1931, Junior não passava de um assistente de um dos laboratórios do pai. Sua situação melhorou um pouco após uma verdadeira batalha judicial com os outros irmãos*. Quando a disputa terminou, Charles, o irmão mais novo (e bem-sucedido), apontou Thomas Edison Junior para a diretoria responsável pela administração das várias empresas criadas por Edison Sr. Enfim, Junior teria a chance de mostrar o valor de seu nome.
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Uma Chance: Após a morte do pai, Thomas Junior foi chamado
pelo irmão para administrar os negócios da família.
Mas não por muito tempo…
Em 25 de agosto de 1935, Thomas Alva Edison Junior viajou a trabalho para Springfield, Massachussets e hospedou-se em um hotel. Pouco depois do check-in, seu corpo foi encontrado no quarto. Embora a causa da morte tenha sido relatada como “Trombose Coronária, Edema Pulmonar e Morte Súbita”, havia detalhes curiosos que levantaram suspeitas. Junior hospedou-se com o nome de “J.J. Byrne” (alguns jornais disseram mais tarde ser “J.J. Griffin”). De acordo com a hipótese mais plausível, Thomas Jr. adoeceu quando estava voltando para casa após visitar o irmão em New Hampshire. Para evitar chamar a atenção, ele parou em Springfield e hospedou-se com um nome falso. Segundo os dois colegas que o acompanhavam na viagem, eles chamaram um médico, mas “Dash” morreu duas horas após chegar. Apesar da saúde cada vez pior em seus últimos anos e da hipertensão (frutos de seu pesado alcoolismo), é bastante provável que Edison Junior tenha sucumbido à depressão pondo fim à própria vida. 
Quaisquer que sejam as circunstâncias de sua morte, Thomas Alva Edison Junior, que sonhava em superar o pai, tornou-se apenas uma nota de rodapé na biografia de Edison. Ele nunca teve filhos e suas ações nas empresas passaram para o irmão.
Sua triste história é um alerta — ainda bastante atual — dos perigos de tentar viver de acordo com as expectativas dos outros.

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Nota:
* Eram seis os irmãos Edison: Marion, a “Dot” (1873–1965); Junior “Dash” (1876–1935); William Leslie (1878–1937); Madaleine (1888-1979); Charles (1890-1979) e Theodore Miller (1898-1992). Os três mais velhos eram do primeiro casamento de Edison Sr. com Mary; os últimos são filhos de Mina.


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