>Capítulos Inééééééditos

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Em 1950, um estudante de graduação de Stanford, Robert E. Young, percebeu que dois capítulos do romance Os Embaixadores, de Henry James (1843-1916), haviam sido invertidos em todas as edições americanas desde seu lançamento, em 1903.
“Várias discrepâncias nos fatos e no tempo”, escreveu o estudante universitário, “aparecem em uma leitura cuidadosa dos capítulos em sua presente ordem. Por outro lado, a reversão dos dois resultaria em uma completa eliminação de tais discrepâncias.”

A confusão se deve ao fato de que antes de ser publicado em livro, The Ambassadors já havia saído como folhetim na North American Review. No entanto, a revista não pôde publicar todos os capítulos por falta de espaço. Três capítulos permanceram [galvão] inééééééditos [/galvão] até a publicação em livro.

O problema aconteceu na inserção de um destes capítulos inéditos, que deveria entrar antes do capítulo 28 e não depois. Os dois capítulos foram publicados erroneamente em edições inglesas. Muitos editores americanos, pensando que a ordem fosse aquela mesma, simplesmente seguiram-na e mantiveram-na.

No entanto, quando o próprio James fez a revisão do texto americano em 1909 (que ficou conhecido como New York Edition), ele não encontrou nenhum erro. Sendo assim, não há versão definitiva para essa obra. Novas edições que usam como base a NYE passaram a trocar a ordem dos capítulos.

Henry James

O bibliógrafo Jerome McGann reabriu a questão em 1992. McGann duvida que James tenha errado em uma obra que ele revisou tão cuidadosamente. Ele explica as discrepâncias da seguinte forma: o começo do cap. 28 descreve um diálogo que vai ocorrer no futuro (relativo ao contexto da história) e que “aquela noite” citada no começo do cap. 29 refere-se não à noite recém-descrita no capítulo 28, mas a outra, mais anterior.

“O deslize é particularmente irônico”, escreveu Young após descobri-lo, “dado o fato que James considerava The Ambassadors como seu romance mais perfeitamente construído, como sua obra-prima.”

Intencional ou não, há um quê de interatividade nesse erro lítero-tipográfico: dependendo da edição, o leitor pode decidir a ordem em que quer ler um par de capítulos.

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