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Você precisa escovar os dentes mas não tem seu kit de escova e pasta por perto? Aliás, pra que manter uma escova quando se pode usar o próprio dedo? Ok, dedos podem não ser lá uma solução muito higiênica (especialmente se você também os usa para limpar o nariz). Uma solução tão simples como genial seria a Biodegradable Toothbrush [Escova de dentes Biodegradável] de Naser Salman:

Uma escova de dentes descartável formada por material como plático biodegradável. A escova deve ajustar-se, preferencialmente, ao dedo indicador do usuário. Utilizando-se o dedo indicador, é fácil alcançar qualquer parte dos dentes pela localização da escova de modo a aplicar a escovação nos dentes superiores e inferiores, com a escova localizada no ou dentro do dedo indicador (sic; on the outside or inside of index finger, no original). Uma escova-capa provê uma abertura para a recepção do dedo indicador do usuário. Numa área achatada da escova-capa são definidas de duas a quatro fileiras de cerdas curtas, preferivelmente com 3/16 polegadas [4,76 mm] de altura. Tais cerdas podem ser formadas integralmente com a escova-capa ou podem ser aplicadas à capa. Essas cerdas são impregnadas com pasta dental desidratada, que liga-se às cerdas para formar sobre elas uma camada definida. Em contato com a água, a pasta dental impregnada seria hidrolizada para auxiliar a escovação dos dentes em um uso único. Após o uso, a escova seria descartada integralmente.

Ou, em português claro: um dedal de plástico com micro-cerdas pronto para uso (pasta inclusa). É a maior invenção na área de higiene pessoal desde o sabonete de hotel! Aliás, ela poderia fazer parte dos brindes de hoteis. Melhor ainda, poderia ser fornecida gratuitamente pelos restaurantes (ou cantinas escolares) após as refeições.

Além das vantagens óbvias – “[…] não seria necessário carregar sepradamente um tubo de pasta ou outros acessórios dentais como escova de dente […]” —, Mr. Salman (de Gaithersburgh, Maryland), faz uma brilhante exposição de motivos ao longo da patente 5.213.428, emitida em 25 de maio de 1993:

[…] através do uso do dedo indicador, pode-se sentir e verificar facilmente se a porção mais profunda dos dentes localizados no fundo da boca foram ou não escovados. O indicador provê uma comunicação direta e instantânea entre tecidos nervosos do dedo e a função sensória que se comunica com o cérebro para sentir e certificar a escovação completa e integral. Adicionalmente, o indicador pode ser curvado em todos os ângulos apropriados para a escovação dos dentes. […] A presente invenção seria ideal para hospitais, hoteis, acampamentos, viagens aéreas, etc., onde uma escova dental descartável é necessária e atualmente está indisponível.

Não bastasse a praticidade e a economia (inclusive em termos logísticos, já que bastaria distribuir apenas o dedal dental e não pastas e escovas separadamente), Salman ainda recomenda o uso para “os idosos e os doentes, especialmente aqueles com artrite e mal de Parkinson”, para os quais é difícil escovar os dentes “devido à ausência de habilidade para agarrar um utensílio.” Como tal público depende de outros para fazer sua higiene bucal, segundo Salman, “sua auto-estima aumentaria, diminuindo sua suscitibilidade a doenças e infecções.” Comovente, não?

Não para as fabricantes de escovas “tradicionais” (e tubos de pasta de dente). Embora pudessem lucrar com escovas descartáveis (e ambientalmente corretas), tais empresas, com seus grandes laboratórios, parecem ter sido ofendidas por uma solução tão simples. Em vez de oferecer dedais descartáveis com dentifrício desidratado, elas preferem insistir em coisas como cerdas cada vez mais complicadas, maiores ou mais coloridas. Quando se trata de produtos biodegradáveis, o máximo que oferecem são escovas de bambu…

Além de uma suposta conspiração de fabricantes de produtos de higiene bucal, outra grande dúvida põe tudo a perder: será que uma pasta desidratada e aplicada diretamente às cerdas milimétricas funcionaria mesmo? Normalmente niguém escova os dentes com pasta ressecada em uma escova com cerdas menores.


0 comentário

denfel · 10 de junho de 2012 às 15:56

Eu não achei a patente tão patética assim. Será que algum detalhe que a torne patética passou desapercebido pela minha leitura?

    Renato Pincelli · 10 de junho de 2012 às 15:59

    Na verdade nem eu a achei realmente patética (e acho que nunca me entusiasmei tanto com uma invenção dessa série…). Patético mesmo é o fato de não ter pegado.

    Renato Pincelli · 10 de junho de 2012 às 16:04

    Aliás, ótimo blog o seu, denfel! 😉

denfel · 10 de junho de 2012 às 16:15

Obrigado Renato! Comecei há pouco tempo com o blog e estou me inspirando bastante nos “Science Blogs”.

Leio quase todas as mensagens do Patentes Patéticas, hoje resolvi comentar porque já tive uma ideia relativa a modelos de escovas de dente e realizei um trabalho na universidade relativo a isso.

Parabéns pelo blog!

denfel · 10 de junho de 2012 às 16:21

Ao dar uma olhada melhor agora, descobri que o Hypercubic possui uma grande parte das postagens que leio. Costumava pensar que o “Em uma palavra” e “Patentes Patéticas” eram blogs separados, pois sempre acesso as mensagens à partir da página http://scienceblogs.com.br/ .

Meus parabéns se estendem agora ao Hypercubic. 😀

juliana · 4 de julho de 2012 às 21:33

ué, mas escova de dente pra cachorros ou para bebês é exatamente assim, não? a parte patética é na verdade escovar dente de cachorro…

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