Henry IV ascendeu ao trono da Inglaterra, para sua grande satisfação, no ano de 1399, após convencer sobre seu primo e antecessor Richard II a renunciar em seu favor e retirar-se para o resto de sua vida para Pomfret Castle, onde aconteceu de ele ser assassinado. Supõe-se que Henry era casado, já que ele certamente teve quatro filhos, mas não está ao meu alcance informar ao Leitor quem era sua esposa. Seja como for, ele não viveu para sempre, mas caiu doente e seu filho, o Príncipe de Gales, veio e levou a coroa. Daí o Rei fez um longo discurso, para o qual eu devo indicar ao Leitor as Peças de Shakespeare, e o Príncipe fez outro ainda mais longo. Depois de assim resolverem as coisas entre si, o Rei morreu e foi sucedido por seu filho Henry, que anteriormente batera Sir William Gascoigne.

Esse despretensioso parágrafo é o começo de uma História da Inglaterra — ou melhor, The History of England from the reign of Henry the 4th to the death of Charles the 1st. — que a jovem Jane Austen (1775-1817) escreveu aos 15 anos. Aparentemente, seu objetivo inicial era tornar-se historiadora e não romancista.

Também é possível que a obra — um manuscrito que foi ilustrado pela irmã de Jane, Cassandra —, fosse uma paródia dos livros-texto de História da época. Austen assinou-se como “uma Historiadora parcial, preconceituosa e ignorante.” e assinalou que “Haverá bem poucas Datas nesta História”. Paródia ou não, ela foi mais honesta e sincera que muito historiador profissional ao falar se si mesma e de sua obra.

Ah, sim: pra quem não sabe, o reinado de Henry IV (1387-1413, regnabat 1399-1413) não foi dos mais tranquilos, já que ele deu um golpe em cima de Ricardo II (1367-1400, rei a partir de 1377). Além da bagunça na política interna, a Inglaterra do começo do século XV estava se engalfinhando com a França na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).


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