Piquenique com formigas

Assorted picnic ants

[via: iainclaridge.co.uk]

Sempre é uma experiência desagradável fazer um convescote na companhia destes pequenos (às vezes nem tanto) insetos sociais. Mas nem nos desenhos animados, onde essa situação é um lugar-comum, um pequenique foi tão terrível quanto o relatado — ou melhor, transcrito — pelo entomologista e fotógrafo Mark W. Moffett na edição de 16 de feveiro de 2012 da respeitável Nature. Parece mais uma pequena peça tragicômica do “Indiana Jones da Entomologia” — como Moffett é conhecido — do que um artigo científico. Atendendo a pedidos, na maior cara dura, tomamos a liberdade de traduzir o artigo inteiro. Os links indicados são nossos: (mais…)

Em uma palavra [164]

bactromancia (bac.tro.man.cia) s.f. arte de advinhar por meio de varinhas, especialmente as de loureiro (Laurus nobilis), de salgueiro (Salix sp.), de murta (Myrtus sp.) ou de esteva (Cistus ladanifer). bactromante, s.c.2g. praticante de bactromancia. bactromântico, adj. [do grego baktrons = vara + manteia = adivinhação]

Poesia Cthulhu

http://scienceblogs.com.br/hypercubic/files/2013/07/Cthulhu_Rising_by_somniturne.jpg

Cthulhu Rising by somniturne (via mobground.net)

Para quem não sabe, os contos de horror cósmico de H. P. Lovecraft (1890-1937) retratam um mundo muito além da compreensão humana. Situado na tríplice fronteira do horror com a fantasia e a ficção científica, seu universo é governado por deuses com aparências capazes de perturbar qualquer mente sã. O primeiro destes contos foi “The Call of Cthulhu”, escrito em 1926 e publicado na Weird Tales de fevereiro de 1928. A Wikisource tem o texto na íntegra (em inglês, of course). O Chamado de Cthulhu é uma tradução para o português disponibilizada pelo Site Lovecraft [pdf em zip].

Mas e se, em vez de contos, Lovecraft tivesse contado a história de Cthulhu em versos? Em 2011, o americano David Jalajel fez de Lovecraft um poeta. Ou quase isso. No poema experimental Cthulhu on Lesbos [Cthulhu em Lesbos], Jalajel pega frases de The Call of Cthulhu e as arranja em cantos safados sáficos com pouca ou mesmo nenhuma consideração pela sintaxe convencional. Eis os primeiros versos, acompanhados de nossa tradução: (mais…)

Patentes Patéticas (nº. 116)

US 606887 - Electric Extraction of Poisons - John P. Campbell, 1898

Ah, o fim do século XIX! Enquanto Edison e Tesla brigavam em seus laboratórios, a eletricidade — essa coisa invisível porém chocante que viaja por fios de cobre — parecia mágica aos leigos. Como aconteceu pouco depois com a radioatividade, a energia elétrica também era vista por muitos como uma panaceia, uma cura para todos os males do mundo. Inclusive para dores de dente e venenos. John B. Campbell não perdeu tempo e logo patenteou um sistema de Extração Elétrica de Venenos: (mais…)

Em uma palavra [163]

rostir (ros.tir) v.t.d. 1. maltratar, bater, surrar: “Indefeso, o suspeito era rostido pela polícia”. 2. bater no rosto de; esbofetear; estapear: “Após a cantada infame, ela o rostiu”. 3. triturar com os dentes, mastigar: “Rostia a comida com voracidade”. 4. tocar levemente em; esfregar, roçar: “Restava-lhe apenas rostir as mãos Leia mais…

Patentes Patéticas (nº. 115)

 US06293874-20010925-D00001

Pé na bunda, chute no traseiro. Não importa o nome  do golpe baixo ou o contexto em que é aplicado. O gesto é uma ofensa universal, um sinônimo de humilhação. Há quem mereça muito isso. Talvez em série. Mas, por mais que você queira, ficar chutando traseiros alheios cansa. A não ser que você use o User-operated amusement apparatus for kicking the user’s buttocks [Aparelho de diversão operado pelo usuário para chutar o traseiro do usuário]. Se uma patente com esse título parece ruim, imagine o resumo…

Não precisa imaginar: (mais…)

Em uma palavra [162]

volunturismo (vo.lun.tu.ris.mo) s.m., neolog. viagem turística ou de intercâmbio que inclui programas de voluntariado entre suas atividades; turismo que tem por objetivo o trabalho voluntário. volunturista, s.m. indivíduo que pratica o volunturismo; voluntário-turista. [do neolog. inglês volunturism]

Contos Traduzidos: “A Estrela”

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Num fim de ano, numa virada de século, enquanto o resto do mundo se dedica às festas ou ao trabalho, os astrônomos percebem que há alguma coisa errada com Netuno. Para a comunidade astronômica isso já seria o bastante para causar rebuliço — seria a perturbação causada por um outro planeta? Imaginem, então, quando os estudiosos do céu descobrem um clarão cada vez maior e mais brilhante vindo justamente da direção de Netuno. Nos primeiros dias do ano-novo, os jornais se dividem ao noticiar a descoberta. Uns dizem que é uma tragédia anunciada, é o fim do mundo e vamos todos morrer. Outros afirmam que não vai ser bem assim, que foi a mesma coisa com o ano 1000 e, no máximo, pode ser uma passagem de raspão de um segundo sol mas não há motivos para pânico.

Ou será que há? (mais…)