Oncorrincos subindo o Rio Proto-Tuolumne, segundo concepção artística de Jacob Biewer.

Há milhões de anos, os salmões gigantes e dentuços faziam sucesso com as fêmeas

Corredeira acima, os peixes subiam vindos do Oceano Pacífico para se reproduzir num rio do que é hoje a costa oeste dos Estados Unidos. Devia ser uma cena colossal, já que esse peixes não eram salmões como os que conhecemos: eles tinham até 3 metros de comprimento e pesavam quase 180kg. Os cientistas o chamam de Oncorhyncus rastrosus.

O oncorrinco, que viveu entre 11 e 5 milhões de anos atrás, não é exatamente uma novidade entre os paleontólogos, que o descobriram em 1972. No entanto, os detalhes de sua alimentação e de seu comportamento sempre foram pouco conhecidos. O que sempre chama a atenção nos fósseis desses peixes é o par de dentes superiores relativamente grandes, com 2 a 3 centímetros de comprimento. Para o que serviam?

Pesquisas anteriores indicavam que o oncorrinco alimentava-se de plânctons, capturados por suas guelras e seus poucos dentes menores. Os dentões, segundo um novo estudo, serviam apenas para os machos lutarem entre si para ter acesso às fêmeas.

Para confirmar essa hipótese, a Dra. Julia Sankey, da Universidade Estadual da Califórnia, e seus colaboradores compararam 51 fósseis de oncorrincos originários de ambientes fluviais e marinhos. Segundo essa análise, os peixes fossilizados em água doce tinham dentões maiores, mais recurvados e com indícios de choques, segundo os cientistas. Em comparação, os dentes dos exemplares de origem marinha eram menores, mais retos e mais afiados.

“Isso apoia a nossa hipótese de que o Oncorhynchus rastrosus modificava-se entre os estágios marinho e fluvial de suas vidas, assim como os salmões modernos de hoje”, escreveram Sankey et. al. Os resultados da pesquisa foram apresentados pelos autores em 27 de outubro, durante a 76ª. Conferência Anual da Sociedade de Paleontogia de Vertebrados, realizada em Salt Lake City.

Para Sankey, os salmões-dente-de-sabre devem ter sido peixes incríveis. “Imagina só eles sendo capturados no Rio Proto-Tuolumne — perto de Modesto, Califórnia — pelos grandes ursos de cinco milhões de anos atrás”, diz Sankey, maravilhada.

Referência

rb2_large_gray25Julia T. Sankey et al. Did the giant, tusk-toothed salmon (Oncorhynchus rastrosus) morph before migration upriver like modern salmon do today? [Como os salmões de hoje, o salmão-dente-de-sabre (Oncorhyncus rastrosus) transformava-se antes da migração rio acima?] Abstracts of the 76th Annual Meeting of the Society of Vertebrate Paleontology, p. 217-218


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