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Em 1892, J. McCullough escreveu um pequeno livro chamado Golf in the Year 2000 [Golfe no Ano 2000]. No livro — que tem um quê de ficção científica da Era Vitoriana — um homem adormece profundamente e acorda num futuro tecnologicamente avançado. A obra de McCullough foi largamente ignorada em sua época e só foi redescoberta às vésperas da virada do Milênio, quando aquele mundo do futuro havia chegado.
Em relação ao próprio golfe, McCollough errou bem feio — ele pensava que teríamos clubes de golfe com placares automáticos, carrinhos sem motorista e jaquetas que gritam “Fore!”. Mas o mundo extra-golfe teve uma previsão surpreendentemente precisa:

  • Liberação feminina;
  • Conversão do sistema monetário britânico para a base decimal;
  • Relógios digitais;
  • Trens-bala;
  • Televisão.

Essas previsões não foram feitas literalmente; não havia palavra para “televisão” ou “relógios digitais” numa época em que nem o rádio existia. E a liberação feminina, longe de ser sinal de tendências liberais, é motivada por machismo: só é permitida para que as mulheres trabalhem enquanto os homens jogam (cada vez mais) golfe.
Mais irônico ainda é que ele só tenha “acertado” previsões secundárias. Isso nos faz pensar: Quantos livros ignorados pela crítica e pelo público e despretensiosos em relação ao futuro não estarão certos?

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